Olá, amigos!

 

No último domingo, vinte e oito de outubro, terminou o Sínodo dos Bispos que, desde o início do Ano da Fé, discutia a “Nova evangelização para transmissão da fé cristã”. Nada mais oportuno do que refletirmos à luz desse tema, as formas de transmissão da fé ao longo dos séculos, segundo o Catecismo.

A fé cristã foi transmitida pelos apóstolos de duas formas: a oral (Tradição) e a escrita (Sagrada Escritura).

As pessoas próximas de Jesus que ouviam seus ensinamentos eram simples, pobres, excluídas e o que aprendiam com o Mestre, transmitiam uns aos outros oralmente. A mensagem era tão grandiosa e vivificadora que não tinham como guardar para si, por isso a Palavra se difundiu tão rapidamente.

A escrita era para poucos, por isso quando começaram a registrar a vida de Jesus, cerca de vinte, trinta anos após sua morte, tudo o que tinham, era o testemunho das pessoas que o tinham conhecido.

A forma oral e a escrita se complementam, não se consegue compreender a Sagrada Escritura sem a Tradição e vice-versa, pois a primeira não é um livro de História, mas sim, uma experiência de Deus descrita por vários e diferentes povos. Consiste num grande erro ler a Bíblia de maneira fundamentalista, ou seja, ao “pé da letra”, pois eles precisam ser contextualizados de acordo com a comunidade onde foram escritos, as dificuldades que atravessavam e a época. João disse a respeito de Jesus: “Ele fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveria escrever” (Jo 21,25).

A Tradição apostólica é essencial para a compreensão da Bíblia e, descartá-la, como algumas denominações fazem, é um grande desrespeito àqueles que morreram para que a fé chegasse integralmente até nós. Quão absurdo é não render aos santos e mártires a veneração que merecem. Tiago, Pedro, Paulo e tantos outros santos e santas morreram para que pudéssemos conhecer Cristo e jamais seria possível se não fosse ele mesmo caminhando junto à sua Igreja.

O mundo precisa, sem dúvidas, de mais exemplos de fé e eles ainda existem com certeza, mas não viram notícia. Afinal, o que dá ibope são as ruins.

Neste ano, por exemplo, o Vaticano recomeça, após cinco anos de estagnação, as negociações com o governo chinês que não reconhece a Igreja Católica Romana em seu país, obrigando os fieis católicos, obedientes às recomendações do Papa, a celebrarem escondido, e se forem pegos, podem ser presos. São pessoas valentes que sabem do risco que correm, mas optam por enfrentar em silêncio o sistema de repressão, relembrando os antigos cristãos que reconheciam em Jesus um valor maior que a própria vida.

O martírio moderno dos cristãos na maioria dos países, não é mais o de sangue, mas a ridicularização e mesmo assim, são poucas as pessoas dispostas a enfrentá-lo.

Testemunhemos uma autêntica vida cristã, assumindo com coragem a missão de fazer a diferença no mundo, ser discípulo e missionário, representar o amor e a justiça que Jesus veio mostrar, não apenas com palavras, mas principalmente com atitudes.

Coragem, irmãos! Jesus nos aguarda no céu de braços abertos.

Abraço a todos, boa semana!

 

 

[1] CEC 74-100.

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