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“CREIO EM DEUS” – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Saudações a todos vocês, amigos do CommunioSCJ, com quem temos a oportunidade de partilhar sobre a nossa fé.

Começo assinalando o fato de que a partir desta semana o nosso estudo do Catecismo muda de tom. Até aqui, estivemos refletindo sobre a relação entre Deus e o homem. Vimos que Deus chega ao homem através da Revelação e que o homem, em contrapartida, é convidado a responder a Deus pela fé. Seguindo a sequência proposta pelo Catecismo, é chegada a hora de deixarmos de olhar para como se dá a Revelação para olharmos para o seu conteúdo, isto é, o que Deus revelou. Para empreendermos esta tarefa nos guiaremos pelos Símbolos da Fé, chamados “Credo”, que são fórmulas que “resumem a fé que os cristãos professam” [1]. Aliás, nesse Ano da Fé, somos convidados a tomar consciência de que o Credo se constitui como uma importante ferramenta para alimentar a nossa fé. Como disse o Papa Bento XVI na promulgação deste ano:

“Não foi sem razão que, nos primeiros séculos, os cristãos eram obrigados a aprender de memória o Credo. É que este servia-lhes de oração diária, para não esquecerem o compromisso assumido com o Batismo” [2].

No início do Credo encontramos a afirmação “Creio em Deus”, a mais fundamental de todas, sobre a qual refletiremos. Entretanto, mais do que refletir acerca da necessidade de crer em Deus, é necessário refletir sobre o que vemos nesta revelação que culmina em Jesus Cristo. Pois a revelação é uma Pessoa: Jesus, Deus verdadeiro. Mas o que podemos dizer do Deus verdadeiro que Jesus nos trouxe? Pois como Deus é infinitamente maior, não pode ser explicado pela razão humana. Só é possível saber dele o que Ele nos deu a conhecer. E se nos foi revelado, é porque de alguma forma contribui para a nossa salvação.

Mas o que o Senhor nos revelou a seu respeito? O que pretende mostrar com isso? Dentre as muitas coisas que a Igreja pode conhecer a partir da Revelação, o Catecismo destaca algumas. Olhemos brevemente para cada uma.

Deus é único. Essa realidade é atestada desde o Antigo Testamento: “Ouve Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6, 4). Mesmo a revelação de que Deus é Trindade não depõe contra a fé na unicidade de Deus, pois a fé da Igreja sustenta que são “Três Pessoas, mas uma Essência, uma Substância ou Natureza absolutamente simples” [3]. Mostrando-se único, Deus salienta que o nosso olhar não deve deter-se em deuses falsos. Devemos adorar o Deus único que entrou na história para vir nos resgatar, confessando que “Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fl 2, 11).

Deus revela seu nome, “Iahweh”. Ao chamar Moisés do meio da chama, Deus apresenta seu nome, que significa “Eu Sou Aquele que É”. Misterioso, esse é “ao mesmo tempo um nome revelado e como que a recusa de um nome” [4]. Por um lado o significado do nome nos mostra que Ele sempre esteve, está e estará conosco, revelando a fidelidade de um Deus que não nos abandona mesmo diante da trágica realidade do pecado: um Deus “rico em misericórdia” (Ef 2, 4). Por outro, a recusa de um nome exprime o fato de que não podemos compreendê-lo e consequentemente, tomar posse dele. Ao contrário, somos nós que pertencemos a Deus, que nos compreende e conhece o mais íntimo de nossos corações.

“Deus é amor” (1Jo 4, 8). Como um pai que ama seu filho, Deus se sacrifica oferecendo a mais preciosa oferta de amor: Ele próprio. Até mesmo a revelação de que é Trindade manifesta essa realidade, pois agora entendemos que Deus é “eternamente intercâmbio de amor” [5]. Apresentando-se como amor, o Senhor nos convida à confiança filial, a exemplo do Filho por excelência, Nosso Senhor Jesus Cristo. Impele-nos a confiar mesmo quando tudo parece ruir, pois como Pai amoroso, não nos abandona. Ao contrário, oferece a cada ser humano a possibilidade de participar desse amor perene.

Deus é a Verdade. Contemplando a ordem da criação e todas as maravilhas criadas por Deus, nos deparamos com sua Divina Sabedoria que nos faz declarar: “Sim, Senhor Deus, és tu que és Deus, tuas palavras são verdade” (2Sm 7, 28). Revelando-se como a Verdade, o Senhor nos leva a entregarmo-nos a Ele. Lembra-nos que buscando a verdade no mundo, encontraremos apenas a decepção, a frustração.

Enfim, crendo em Deus precisamos reconhecer que Ele é único, nos ama, é fiel, é a Verdade. Diante disso tudo, entendemos porque devemos nos esforçar a cada dia para fazer dele o Centro de nossa vida. Como disse certa vez o Bem Aventurado João Paulo II: “Ninguém fora de Cristo poderá dar-vos a verdadeira felicidade”.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 187.

[2] Carta Apostólica Porta Fidei, n. 9.

[3] CEC, n. 202.

[4] Idem, n. 206.

[5] Idem, n. 221.

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RECEBEMOS A FÉ DA IGREJA – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu!

Como sempre, sejam, mais uma vez, bem vindos ao CommunioSCJ! Continuamos nosso projeto para o Ano da Fé que é estudar a primeira parte do Catecismo da Igreja Católica. Hoje, já sabendo que somos capazes de conhecer Deus e que Ele vem ao nosso encontro, chegamos ao artigo “Nós cremos”, do capítulo que trata da nossa resposta à Revelação, ou seja, a fé [1].

Quero destacar, então, algo que me parece muito oportuno, dada a realidade na qual vivemos: recebemos a fé, não a inventamos. Lemos, no número 168: “é da Igreja que recebemos a fé e a vida nova em Cristo, pelo Batismo”.

Há aqui uma coisa muito importante e que, por vezes, nos custará muito: recebemos a fé. Nós não somos donos da fé. A fé é um dom que Deus nos dá. Temos que recebê-lo. Caso contrário, Feuerbach tinha razão: teologia é antropologia alienada (o que dizemos de Deus é projeção de nossa própria realidade). Em outras palavras: ou recebemos a fé (fides quae) [2] da Revelação, ou faremos um deus à nossa imagem e semelhança.

Daí você já percebe que deste orgulho de construir um deus à nossa imagem e semelhança surgem imagens de Jesus evidentemente falseadas. Cada imagem com traços de quem o inventou. Sobra pouco de Jesus Cristo… Encontramos desde um “Jesus Tabajara” (seus problemas se acabaram) até um “Jesus Che Guevara” escondido atrás do chamado “Jesus histórico”…

Por isso, a segunda parte é muito importante: recebemos a fé da Igreja. Ser católico é ter a Igreja como mãe e obedecê-la com amor filial. Se quisermos encontrar Jesus Cristo, o único verdadeiro, devemos buscá-lo na Igreja de sempre. Somos um pequeno elo da grande corrente dos crentes que nos precederam e nos sucederão [3].

É nossa missão conservar a fé que da Igreja recebemos e sinceramente professamos [4]. Anunciá-la tal e qual, sem reduzi-la a nossos interesses, é dar a oportunidade para que outros conheçam a alegria de se encontrar com Jesus Cristo e, nele, com o Deus verdadeiro, que é Amor.

Que a Santíssima Virgem Maria, aquela que humildemente recebeu o anúncio do anjo e prontamente levou o Messias a Isabel, interceda por nós!

Fraterno abraço a todos! Até a próxima!

 

 

[1] Cf. CEC 166-184.

[2] Cf. “OS CRENTES FORTIFICAM-SE ACREDITANDO” (Sto. Agostinho) – Por Fr. Lucas, scj. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2012/08/29/os-crentes-fortificam-se-acreditando-sto-agostinho-por-fr-lucas-scj/>.

[3] Cf. CEC 166.

[4] Cf. Rito da Renovação das promessas do batismo. Pontifical Romano, p. 26.

“NÃO É POSSÍVEL TER DEUS COMO PAI E NÃO TER A IGREJA COMO MÃE” [1] – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Já ouviu alguém dizer que crê em Deus, mas não na Igreja? E alguém dizendo que reza em casa porque não gosta de ir à Missa?

Dificilmente alguém responderá não a essas duas perguntas.

A Igreja Católica, fundada por Cristo, foi construída pelos apóstolos que conviveram com Ele e receberam dele todos os ensinamentos, os transmitiram aos discípulos, que por sua vez, foram retransmitindo até chegar até nós.

A Igreja é a zelosa guardiã da Revelação divina, protege-a em sua totalidade e preservando a fé recebida de Deus pela boca de Jesus Cristo. Mesmo criticada e taxada como antiquada, ela não esmorece diante dos obstáculos que o mundo impõe, pois está disposta a tudo para proteger a Verdade. A Igreja, corpo místico de Cristo, está disposta a abrir mão da própria vida, se for preciso novamente.

As notícias observadas na mídia deixam bem clara a intenção de destruir os valores que a Igreja defende: a afetividade e sexualidade, a dignidade humana, a vida. Vagarosamente, os governantes não só do Brasil, mas das potências mundiais, têm aprovado leis que vão contra tudo o que a Igreja prega. A lei que aprova o aborto em anencéfalos, casamento entre homossexuais, tirar a cruz dos estabelecimentos públicos, tirar o “Deus seja louvado” das cédulas, são alguns exemplos de que o governo não quer mais caminhar em comunhão com Deus, está tornando-se pagão, ou “laico”, como prefere ser chamado.

Há um ensinamento antigo que diz que para se cozinhar um sapo, você não pode jogá-lo na água fervente, pois ele tentaria fugir, faria muito barulho e sujeira. Por isso, deve-se colocá-lo em água fria e fogo brando, para que ele não perceba o que está acontecendo até que seja tarde demais para ter forças de fazer alguma coisa. É justamente o que está acontecendo conosco, estamos sendo “cozidos em fogo brando”.

A Igreja é nossa mãe, não podemos nos afastar dela, para não corrermos o risco de nos perdermos e cairmos no abismo. Sem seguir os ensinamentos dela, nos afastamos de Deus e estar fora da comunidade eclesial é muito perigoso, já que a fé foi passada a nós por alguém e deve ser passada aos outros. Sem a comunidade perde-se o suporte de todo cristão que precisa do outro para a santificação.

A tarefa dos discípulos deste milênio é muito difícil, é contrariar o que o mundo, os amigos e a mídia diz e testemunhar que a felicidade não vêm do mundo, vem somente de Deus e que pertencer à Igreja é estar realmente no colo da mãe que nos acolhe e nos ensina, mas quando for preciso, vai nos corrigir também.

A mãe impõe limites não porque quer manter seus filhos presos, mas porque os quer seguros, andando por um bom caminho, se respeitando e respeitando o outro. Falta de limites não é liberdade. Ser livre é não se deixar escravizar por aquilo que prejudica seu corpo e sua alma. Ser livre é saber de quem se é filho e reconhecer que a herança a que se tem direito vai muito além de qualquer bem material ou prazer momentâneo que existe neste mundo. A Igreja vive na convicção de que em nenhum coração humano há traição tão grande que a palavra perdão não possa encontrar seu lugar […] A Mãe-Igreja olha para seus filhos com infinita piedade e murmura: “Que importa que vos tivésseis afastado de mim se estava sempre perto de vós?” [2].

Lembre-se que nós temos Pai e Mãe e não podemos amar apenas um deles sem desprezar o outro.

Um abraço a todos e uma boa semana!

 

 

[1] S. Cipriano. Cf. CEC 181.

[2] DJACZER, Tadeu. Meditações sobre a fé, pg. 184.

“SEM FÉ É IMPOSSÍVEL AGRADAR A DEUS” (Hb 11, 6) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Bem vindos novamente, amigos do CommunioSCJ!

Depois de discutirmos muitos dos aspectos relativos à Revelação de Deus, é chegada a hora de falarmos sobre a “resposta do homem a Deus” [1]. Com esta expressão, o Catecismo nos convida a tomar consciência de que precisamos deixar nossa passividade para darmos uma resposta concreta ao Senhor, que nos convida à comunhão com Ele. “A resposta adequada a este convite é a fé” [2].

Entretanto, é fácil perceber que o homem, e aqui estamos todos incluídos, constantemente deixa Deus esperando. São Cláudio de la Colombière definia o Sagrado Coração de Cristo como um “Coração que ama e não é amado”. Se o homem, que ama de maneira limitada, já se entristece quando é ignorado, imaginemos quão grande não deve ser a dor deste Coração, que ama infinitamente, quando recebe apenas nossa indiferença! Para oferecer a Deus que nos busca a “resposta adequada”, não existe outro caminho: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus […]” (Hb 11, 6).

Mas no que consiste nossa fé? Qual é a sua substância? Mais do que um conjunto de regras e ideias, a fé cristã se constitui de um acontecimento que se realiza de maneira plena na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Uma explicação melhor pode ser conseguida através do Papa Bento XVI que, enquanto ainda era cardeal, explicou que a nossa fé:

“Consiste em considerarmos Cristo como Filho vivo de Deus, que se fez carne, que se fez Homem; que a partir dele acreditamos em Deus, no Deus trino, Criador do céu e da terra; que acreditemos que esse Deus se debruça, por assim dizer, de tal forma, que pode fazer-se tão pequeno, que se preocupa com o Homem e fez História com o Homem, e que o receptáculo dessa História, o lugar de expressão privilegiado, é a Igreja” [3].

Essa fé, para ser vivida integralmente, pressupõe um contato com Deus que fundamente nossa vida espiritual. Não basta falar de Cristo. É preciso tomar contato com Deus que entra na história do mundo e na história pessoal de cada um. É preciso se ligar existencialmente a Ele na pessoa de Cristo. E isto “requer, por parte do homem, uma decisão de escolha consciente e a orientação da sua vontade para Cristo, como fim último e valor supremo” [4]. A fé é plena quando o homem submete toda a sua inteligência e sua vontade a Deus [5].

Na atualidade, a submissão total a Deus soa não apenas como algo difícil, mas até mesmo escandaloso. Com a modernidade vimos crescer a ideia de que o progresso mental está “relacionado ao rompimento de laços, à abolição de fronteiras, à rejeição de dogmas” [6]. Esse movimento não conseguiu destruir a fé, que está gravada no mais profundo do coração do homem, mas acabou por diminuir sua importância. A ideia de que a fé, a crença, os dogmas, impedem o progresso mental não é verdadeira. Conforme expressou o grande filósofo G. K. Chesterton:

“Ao abandonar doutrina após doutrina, num refinado ceticismo, ao recusar a filiar-se a um sistema, ao dizer que superou definições, ao dizer que duvida da finalidade, quando na própria imaginação, senta-se como Deus, não professando nenhum credo, mas contemplando todos, então está, por intermédio do mesmo processo, imergindo lentamente na indistinção dos animais errantes e da inconsciência da grama. Árvores não têm dogmas. Nabos são particularmente tolerantes” [7].

O que Chesterton previa no início do século XX, é facilmente constatável no presente. A rejeição da fé, e também dos valores, tem levado os homens a se parecer cada vez menos com homens. O mundo está cada vez mais desumano. E as promessas de progresso e felicidade deram lugar à intensificação dos problemas sociais e ao crescimento da tristeza.

Se não queremos tomar lugar nessa viagem rumo à desumanização e à tristeza, precisamos deixar crescer em nós a fé, que se dá na submissão à vontade de Deus. É fato que, devido ao nosso pecado, isso deve acontecer em meio ao sofrimento. Entretanto, se tivermos coragem de lutar poderemos perceber que “a fé dá alegria” [8]. Não essa alegria falsa e passageira que o homem moderno busca como um cão busca as migalhas que caem da mesa. Mas a alegria verdadeira e plena que brota do Coração de amoroso de Deus.

Que a exemplo da Santíssima Virgem Maria, saibamos dizer sim a Deus na certeza de que Ele nos cumulará de graças. “[…] pois quem dele se aproxima deve crer que ele existe e recompensa os que o procuram” (Hb 11, 6).

 

 

[1] Título do capítulo III da primeira seção do Catecismo.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 142.

[3] RATZINGER, J. O Sal da terra: o Cristianismo e a Igreja Católica no limiar do terceiro milênio. Um diálogo com Peter Seewald. Rio de janeiro: Imago, 2005, p.17.

[4] DAJCZER, T. Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007, p. 41.

[5] CEC, n. 143.

[6] CHESTERTON, G. K. Hereges. São Paulo: Ecclesiae, 2011, p. 257.

[7] Idem, p. 258.

[8] RATZINGER, J. O Sal da terra, p. 23.

É NA FRAQUEZA QUE SOMOS FORTES [1] – Por Fabiana Theodoro.

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Olá amigos,

Temos refletido até agora sobre como Deus se inclina para o homem e como, por amor, se revela, dando ao homem todo conhecimento necessário para sua salvação através de seu filho Jesus.

Hoje falaremos sobre a resposta do homem a Deus, que recebendo o seu convite, percebe a mão divina em sua direção e a agarra.

Esta resposta humana ao desejo divino de comunhão, esse amor correspondido do homem a Deus chamamos fé.

Para crermos, não são necessárias provas materiais, e se existissem, não se precisaria da fé. Deus é infinitamente maior do que tudo o que é palpável e maior do que a compreensão humana que só vai até onde permite o Espírito Santo.

Apesar de ser um dom recebido de Deus, a fé é essencialmente humana e Ele não obriga ninguém a crer, não nos priva de nossa liberdade de escolha, vontade ou de pensamento, embora, em sua infinita misericórdia, o Senhor conhecendo seus filhos como conhece, saiba muito bem como atraí-los.

Deus permite o sofrimento humano para lembrá-los de sua fraqueza e impotência e de que somente encontra-se a paz abandonando-se em suas mãos.

Os que se sentem fortes e autossuficientes, criam uma fortaleza ao seu redor e não deixam a graça divina entrar, pois pensam que tudo depende deles e não se confiam nas mãos de Deus. Este sentimento evidencia uma grande falta de humildade, acarretando uma sobrecarga emocional quando realmente percebe o tamanho do peso carregado nos ombros que podia ser muito mais leve, se dividido com o Senhor.

Quando o ser humano encontra em seu caminho uma grande dor, abre os olhos e percebe que não está só e que Ele está sempre disposto a recebê-lo de volta, esta é a fenda na “fortaleza” que Deus espera para penetrar novamente na alma e resgatar seus amados.

A Virgem Maria é o maior exemplo de fé do Novo Testamento, disse sim a Deus sem saber o que aconteceria em seu futuro, apenas confiou e obedeceu. E diante da morte do filho, com o coração dilacerado por tamanha dor, jamais duvidou dos desígnios de Deus. Quando não tinha mais nada a fazer, abandonou-se, como eram unânimes em dizer os grandes santos.

Embora muitos digam que a Fé contradiz a Ciência, não é verdade. As primeiras universidades do mundo eram católicas. A Igreja sempre se preocupou em formar pessoas que pudessem estudar e trazer respostas à humanidade. A Fé e a Razão são duas asas que nos conduzem à Verdade [2], por isso todos devem ficar atentos a todas as descobertas e estudos à cerca da Doutrina que professam, sem descuidar também do que acontece na sociedade. É através da Palavra de Deus e dos ensinamentos da Igreja que podemos fincar raízes numa fé sólida, que não se deixa abater por nenhuma tempestade (e veja que são muitas).

É preciso aproximar-se de Deus, ter um relacionamento profundo com Ele. Mas para isso, não se pode esperar sentir sempre a euforia da primeira experiência de conversão, porque isso passa. Nem sempre o coração vai arder ou a emoção vai tomar conta. Relacionamento profundo é buscá-lo mesmo quando não se consegue ouvi-lo ou não se tem vontade de procurá-lo. É como o namoro, começa pela paixão e depois de um tempo amadurece e transforma-se em amor, em compromisso sério.

Virgem Mãe, que o amor derramado por Deus em nossas vidas jamais fique sem nossa resposta, mesmo sabendo que somos finitos em nossa capacidade de amar, fazei com que consigamos nos abandonar sem medo nas mãos de Deus que jamais nos deixa só, Amém.

Boa semana a todos!

 

 

Recomendo:

DAJCZER, T. Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007.

CEC, n. 142-165 (A resposta do homem a Deus).

[1] 2Cor 12

[2] Cf. JOÃO PAULO II, Fides et Ratio, n. 1.

“A PALAVRA DE DEUS É VIVA, EFICAZ…” (Hb 4,12) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Sejam mais uma vez bem vindos, amigos.

Percorrendo as páginas do Catecismo ao longo das semanas anteriores, redescobrimos que o Senhor veio ao nosso encontro. Mas se a Revelação de Deus se dá de diversas formas na história, nesta semana vamos nos debruçar de maneira mais específica sobre a Sagrada Escritura. Pois através do Catecismo, a Igreja vem nos ensinar porque “a Palavra de Deus é viva, eficaz […]” (Hb 4, 12).

A Sagrada Escritura é eficaz porque ela mesma “é a palavra de Deus enquanto é redigida sob a moção do Espírito Santo” [1]. Em sua bondade, o Senhor escolheu alguns homens e agiu por meio deles para que, inspirados pelo seu Santo Espírito, escrevessem aquilo que Ele desejava que chegasse ao coração de todas as pessoas.

A Sagrada Escritura é viva porque ela “não é uma coisa, mas é Alguém” [2]. Nela, está presente o próprio Cristo que vem ao nosso encontro para nos dar um coração filial, dócil à vontade do Pai. Como diz Santo Agostinho, “é uma mesma a Palavra de Deus que está presente em todas as Escrituras, que é um mesmo Verbo que ressoa na boca de todos os escritores sagrados; ele que, sendo no início Deus junto de Deus, não tem necessidade de sílabas, por não estar submetido ao tempo” [3].

Percebemos assim quão grande é esse dom precioso de Deus, a Sagrada Escritura. Ela não apenas nos mostra no que crer e como proceder, mas nos une mais intimamente ao mistério de Cristo. Mas é preciso ter claro que para que a relação com a Palavra seja frutuosa, é preciso estar atento à maneira correta de interpretá-la. Isso porque ao mesmo tempo em que Deus agia nos autores sagrados, deixava-lhes a liberdade de se valerem de suas próprias capacidades e faculdades. Desta forma, é preciso sempre distinguir entre as palavras humanas e a verdade que o Senhor quer manifestar através delas.

O Catecismo adverte para a necessidade de um estudo cuidadoso para a correta interpretação da Sagrada Escritura. “Para descobrir a intenção dos autores sagrados, há que levar em conta as condições da época e da cultura deles, os ‘gêneros literários’ em uso naquele tempo, os modos, então correntes, de sentir, falar e narrar” [4]. Nesta tarefa, as ferramentas da ciência, do chamado método histórico-crítico, possuem grande importância.

Entretanto, cabe aqui uma ressalva que se faz muitíssimo necessária nos dias de hoje: a de que, embora útil, o método histórico-crítico não é suficiente. O Concílio Vaticano II já deixou isso claro ao dizer que “para apreender com exatidão o sentido dos textos sagrados, deve-se atender com não menor diligência ao conteúdo e à unidade de toda Escritura, levada em conta a Tradição viva da Igreja toda e a analogia da fé” [5]. É muito triste perceber que muitos teólogos da atualidade, ignorando estas realidades para se ater exclusivamente à utilização de ferramentas científicas, caíram no caminho da apostasia, isto é, da renúncia da fé. Mais triste ainda é constatar que muitos outros, utilizam-se delas para propositalmente distorcer a Palavra de Deus e disseminar ideologias contrárias à fé da Igreja. Para possuirmos uma fé reta, precisamos estar atentos ao que lemos e ouvimos: precisamos buscar fontes que estejam em unidade com o Magistério da Igreja.

Dentro desse espírito, é possível nos abrirmos para a ação de Deus através da Sagrada Escritura, que há de se tornar para nós “firmeza da fé, alimento da alma, pura e perene fonte de vida espiritual” [6]. Pois ao tomarmos contato com o Cristo presente na Escritura, nos sujeitamos à sua ação que acabará por nos tornar um com Ele [7].

Que ao longo deste Ano da Fé, busquemos estreitar nossos laços com o Cristo que vem ao nosso encontro na Sagrada Escritura.

Até a próxima.

 

 

[1] DV (Dei Verbum), n. 9.

[2] DAJCZER, T. Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007, p. 198.

[3] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 102.

[4] CEC n. 110.

[5] DV, n. 12.

[6] DV, n. 21.

[7] DAJCZER, T. Meditações sobre a fé, p. 198-199.

A OBEDIÊNCIA COMO CAMINHO PARA A FÉ – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros amigos do CommunioSCJ, sejam bem vindos! Nesta semana, seguindo nosso projeto de estudo do Catecismo, chegamos ao tema da transmissão da Revelação divina [1]. Por isso, antes de propor o tema para nossa reflexão, chamo a atenção para íntima relação entre a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura, as duas formas da transmissão do Depositum Fidei confiado à Igreja.

Foi à Igreja que Cristo confiou a tarefa de difundir e defender a fé. Como isso acontece através da Escritura e da Tradição, “ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência” como nos lembra o Concílio Vaticano II [2]. É para que a Igreja cumpra esta tarefa que a interpretação autêntica deste Depósito é tarefa do Magistério. Assim, se quisermos interpretar as Escrituras no Espírito em que foram escritas, devemos interpretá-las na comunhão eclesial, como já escrevi noutra oportunidade [3].

 

Neste texto, porém, quero tratar de um tema espinhoso que o Catecismo apresenta no n. 89. Ali, lemos: “Existe uma ligação orgânica entre a nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho da nossa fé: iluminam-no e tornam-no seguro. Por outro lado, se a nossa vida for reta, a nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé (Cf. Jo 8,31-32)”.

Se, por um lado, temos o benefício dos dogmas à nossa vida espiritual, ou seja, a luz que os dogmas trazem à nossa vida espiritual; temos, por outro lado, a disposição que nos é necessária para acolhê-los: retidão de vida e de inteligência, além da abertura do coração.

Digo que o tema é espinhoso porque, muitas vezes, o que encontramos (tanto dentro de nós mesmos, como pelo contato com outras pessoas) é a dificuldade de crer em alguma coisa por não conseguir corresponder àquilo. É mais ou menos como um adolescente que não quer mais crer porque a fé porá freios àquilo que, justamente, ele não quer frear. Isso é notório em muitos de nossos jovens que deixam a Igreja: o problema não é fé, é moral – como a fé faz exigências de conversão, o melhor é não crer. Em outras palavras, será preciso amar mais a Verdade e o Bem do que a si mesmo.

E, convenhamos, é bem mais cômodo capitular a verdade para obter um alívio da consciência – mesmo que irreal e efêmero – do que combater dia a dia o mal que há dentro de nós para que Jesus Cristo seja, de fato, nosso Senhor. Mas nós sabemos que é “Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, [quem] revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime” [4]. Assim, nossa vida deve, cada dia, com o imprescindível auxílio do Espírito Santo, ficar mais próxima daquilo que Jesus foi.

Por isso, com o Santo Padre Bento XVI, professamos que o caminho de renovação da Igreja não é o da desobediência, mas o caminho de Jesus Cristo – o Filho de Deus que se fez obediente até a morte, e morte de cruz (cf. Fl 2,8) [5]. Sem dúvida, trata-se de um grande desafio. Pode ser que isso signifique justamente a renúncia de nós mesmos que o Senhor nos pede para segui-lo (cf. Mt 16,24)…

Que Maria santíssima, a humilde e fiel serva do Senhor (cf. Lc 1,38) nos ajude neste caminho com sua materna intercessão.

Grande abraço! Até a próxima!

 

 

[1] CEC 74-100.

[2] DV 9.

[3] Ler as Sagradas Escrituras com o mesmo espírito com que foi escrita – Por Fr. Lucas, scj. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2011/10/08/ler-as-sagradas-escrituras-com-o-mesmo-espirito-com-que-foi-escrita-%E2%80%93-por-fr-lucas-scj/>.

[4] GS 22.

[5] Sobre este assunto, vale muito a pena ler a homilia que o Santo Padre pronunciou na Missa crismal deste ano, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2012/documents/hf_ben-xvi_hom_20120405_messa-crismale_po.html>.