Sejam mais uma vez bem vindos, amigos.

Percorrendo as páginas do Catecismo ao longo das semanas anteriores, redescobrimos que o Senhor veio ao nosso encontro. Mas se a Revelação de Deus se dá de diversas formas na história, nesta semana vamos nos debruçar de maneira mais específica sobre a Sagrada Escritura. Pois através do Catecismo, a Igreja vem nos ensinar porque “a Palavra de Deus é viva, eficaz […]” (Hb 4, 12).

A Sagrada Escritura é eficaz porque ela mesma “é a palavra de Deus enquanto é redigida sob a moção do Espírito Santo” [1]. Em sua bondade, o Senhor escolheu alguns homens e agiu por meio deles para que, inspirados pelo seu Santo Espírito, escrevessem aquilo que Ele desejava que chegasse ao coração de todas as pessoas.

A Sagrada Escritura é viva porque ela “não é uma coisa, mas é Alguém” [2]. Nela, está presente o próprio Cristo que vem ao nosso encontro para nos dar um coração filial, dócil à vontade do Pai. Como diz Santo Agostinho, “é uma mesma a Palavra de Deus que está presente em todas as Escrituras, que é um mesmo Verbo que ressoa na boca de todos os escritores sagrados; ele que, sendo no início Deus junto de Deus, não tem necessidade de sílabas, por não estar submetido ao tempo” [3].

Percebemos assim quão grande é esse dom precioso de Deus, a Sagrada Escritura. Ela não apenas nos mostra no que crer e como proceder, mas nos une mais intimamente ao mistério de Cristo. Mas é preciso ter claro que para que a relação com a Palavra seja frutuosa, é preciso estar atento à maneira correta de interpretá-la. Isso porque ao mesmo tempo em que Deus agia nos autores sagrados, deixava-lhes a liberdade de se valerem de suas próprias capacidades e faculdades. Desta forma, é preciso sempre distinguir entre as palavras humanas e a verdade que o Senhor quer manifestar através delas.

O Catecismo adverte para a necessidade de um estudo cuidadoso para a correta interpretação da Sagrada Escritura. “Para descobrir a intenção dos autores sagrados, há que levar em conta as condições da época e da cultura deles, os ‘gêneros literários’ em uso naquele tempo, os modos, então correntes, de sentir, falar e narrar” [4]. Nesta tarefa, as ferramentas da ciência, do chamado método histórico-crítico, possuem grande importância.

Entretanto, cabe aqui uma ressalva que se faz muitíssimo necessária nos dias de hoje: a de que, embora útil, o método histórico-crítico não é suficiente. O Concílio Vaticano II já deixou isso claro ao dizer que “para apreender com exatidão o sentido dos textos sagrados, deve-se atender com não menor diligência ao conteúdo e à unidade de toda Escritura, levada em conta a Tradição viva da Igreja toda e a analogia da fé” [5]. É muito triste perceber que muitos teólogos da atualidade, ignorando estas realidades para se ater exclusivamente à utilização de ferramentas científicas, caíram no caminho da apostasia, isto é, da renúncia da fé. Mais triste ainda é constatar que muitos outros, utilizam-se delas para propositalmente distorcer a Palavra de Deus e disseminar ideologias contrárias à fé da Igreja. Para possuirmos uma fé reta, precisamos estar atentos ao que lemos e ouvimos: precisamos buscar fontes que estejam em unidade com o Magistério da Igreja.

Dentro desse espírito, é possível nos abrirmos para a ação de Deus através da Sagrada Escritura, que há de se tornar para nós “firmeza da fé, alimento da alma, pura e perene fonte de vida espiritual” [6]. Pois ao tomarmos contato com o Cristo presente na Escritura, nos sujeitamos à sua ação que acabará por nos tornar um com Ele [7].

Que ao longo deste Ano da Fé, busquemos estreitar nossos laços com o Cristo que vem ao nosso encontro na Sagrada Escritura.

Até a próxima.

 

 

[1] DV (Dei Verbum), n. 9.

[2] DAJCZER, T. Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007, p. 198.

[3] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 102.

[4] CEC n. 110.

[5] DV, n. 12.

[6] DV, n. 21.

[7] DAJCZER, T. Meditações sobre a fé, p. 198-199.

Anúncios