Saudações a todos vocês, amigos do CommunioSCJ, com quem temos a oportunidade de partilhar sobre a nossa fé.

Começo assinalando o fato de que a partir desta semana o nosso estudo do Catecismo muda de tom. Até aqui, estivemos refletindo sobre a relação entre Deus e o homem. Vimos que Deus chega ao homem através da Revelação e que o homem, em contrapartida, é convidado a responder a Deus pela fé. Seguindo a sequência proposta pelo Catecismo, é chegada a hora de deixarmos de olhar para como se dá a Revelação para olharmos para o seu conteúdo, isto é, o que Deus revelou. Para empreendermos esta tarefa nos guiaremos pelos Símbolos da Fé, chamados “Credo”, que são fórmulas que “resumem a fé que os cristãos professam” [1]. Aliás, nesse Ano da Fé, somos convidados a tomar consciência de que o Credo se constitui como uma importante ferramenta para alimentar a nossa fé. Como disse o Papa Bento XVI na promulgação deste ano:

“Não foi sem razão que, nos primeiros séculos, os cristãos eram obrigados a aprender de memória o Credo. É que este servia-lhes de oração diária, para não esquecerem o compromisso assumido com o Batismo” [2].

No início do Credo encontramos a afirmação “Creio em Deus”, a mais fundamental de todas, sobre a qual refletiremos. Entretanto, mais do que refletir acerca da necessidade de crer em Deus, é necessário refletir sobre o que vemos nesta revelação que culmina em Jesus Cristo. Pois a revelação é uma Pessoa: Jesus, Deus verdadeiro. Mas o que podemos dizer do Deus verdadeiro que Jesus nos trouxe? Pois como Deus é infinitamente maior, não pode ser explicado pela razão humana. Só é possível saber dele o que Ele nos deu a conhecer. E se nos foi revelado, é porque de alguma forma contribui para a nossa salvação.

Mas o que o Senhor nos revelou a seu respeito? O que pretende mostrar com isso? Dentre as muitas coisas que a Igreja pode conhecer a partir da Revelação, o Catecismo destaca algumas. Olhemos brevemente para cada uma.

Deus é único. Essa realidade é atestada desde o Antigo Testamento: “Ouve Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6, 4). Mesmo a revelação de que Deus é Trindade não depõe contra a fé na unicidade de Deus, pois a fé da Igreja sustenta que são “Três Pessoas, mas uma Essência, uma Substância ou Natureza absolutamente simples” [3]. Mostrando-se único, Deus salienta que o nosso olhar não deve deter-se em deuses falsos. Devemos adorar o Deus único que entrou na história para vir nos resgatar, confessando que “Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fl 2, 11).

Deus revela seu nome, “Iahweh”. Ao chamar Moisés do meio da chama, Deus apresenta seu nome, que significa “Eu Sou Aquele que É”. Misterioso, esse é “ao mesmo tempo um nome revelado e como que a recusa de um nome” [4]. Por um lado o significado do nome nos mostra que Ele sempre esteve, está e estará conosco, revelando a fidelidade de um Deus que não nos abandona mesmo diante da trágica realidade do pecado: um Deus “rico em misericórdia” (Ef 2, 4). Por outro, a recusa de um nome exprime o fato de que não podemos compreendê-lo e consequentemente, tomar posse dele. Ao contrário, somos nós que pertencemos a Deus, que nos compreende e conhece o mais íntimo de nossos corações.

“Deus é amor” (1Jo 4, 8). Como um pai que ama seu filho, Deus se sacrifica oferecendo a mais preciosa oferta de amor: Ele próprio. Até mesmo a revelação de que é Trindade manifesta essa realidade, pois agora entendemos que Deus é “eternamente intercâmbio de amor” [5]. Apresentando-se como amor, o Senhor nos convida à confiança filial, a exemplo do Filho por excelência, Nosso Senhor Jesus Cristo. Impele-nos a confiar mesmo quando tudo parece ruir, pois como Pai amoroso, não nos abandona. Ao contrário, oferece a cada ser humano a possibilidade de participar desse amor perene.

Deus é a Verdade. Contemplando a ordem da criação e todas as maravilhas criadas por Deus, nos deparamos com sua Divina Sabedoria que nos faz declarar: “Sim, Senhor Deus, és tu que és Deus, tuas palavras são verdade” (2Sm 7, 28). Revelando-se como a Verdade, o Senhor nos leva a entregarmo-nos a Ele. Lembra-nos que buscando a verdade no mundo, encontraremos apenas a decepção, a frustração.

Enfim, crendo em Deus precisamos reconhecer que Ele é único, nos ama, é fiel, é a Verdade. Diante disso tudo, entendemos porque devemos nos esforçar a cada dia para fazer dele o Centro de nossa vida. Como disse certa vez o Bem Aventurado João Paulo II: “Ninguém fora de Cristo poderá dar-vos a verdadeira felicidade”.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 187.

[2] Carta Apostólica Porta Fidei, n. 9.

[3] CEC, n. 202.

[4] Idem, n. 206.

[5] Idem, n. 221.

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