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“DEUS VIU TUDO QUANTO HAVIA FEITO E ACHOU QUE ERA MUITO BOM” (Gn 1, 31) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Um feliz Natal do Senhor a todos vocês, amigos do CommunioSCJ.

Esse tempo do Natal é muito propício para refletirmos a criação do “céu e da terra”, isto é, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Pois como nos diz o Catecismo: “A primeira criação encontra seu sentido e seu ponto culminante na nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira” [1]. Por mais que isso seja escandaloso para os que não creem, unidos à nossa fé proclamamos que aquele Menino, nascido em Belém há cerca de dois mil anos, é o motivo da existência de todo o universo.

Certamente, não é possível discutir todos os pormenores da criação de Deus. Mas amparados pela Sagrada Escritura, juntamente com a Tradição e o Magistério, criacao-de-adaopodemos descobrir alguns pontos essenciais da Revelação de Deus acerca da criação. E talvez, o mais importante deles seja aquele que o autor sagrado expressa ao dizer que “Deus viu tudo quanto havia criado e achou que era muito bom” (Gn 1, 31). Ou seja, Deus criou um mundo bom. Ambas as dimensões, espiritual e material, são boas e orientam o homem ao encontro com o Criador.

O mundo espiritual (o céu) é habitado pelos anjos que ficam ao redor de Deus. “Como criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e de vontade: são criaturas pessoais e imortais” [2]. E aqueles que aceitaram a salvação que veio de Deus, na Pessoa de Jesus Cristo (pois os anjos também precisavam ser salvos), O servem e adoram. Esses são nossos amigos, pois por amor a Deus participam da história salvação como muitas vezes é atestado na Sagrada Escritura [3]. E participam também da nossa salvação pessoal, pois como disse São Basílio, “Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida” [4].

O triste é perceber quanto os anjos da guarda costumam ser menosprezados. Estão constantemente ao nosso lado, mas não podem nos ajudar devido à nossa dureza de coração. Pois não nos abrimos à sua ação. Não pedimos sua ajuda. E um anjo da guarda, servo de Deus, respeita a nossa liberdade: corre ao nosso auxílio à medida que permitimos. Para o nosso bem espiritual, somos convidados a acolhermos o conselho que São Padre Pio de Pietrelcina dirigia a uma filha espiritual:

“Não devemos nos esquecer desse companheiro invisível, sempre presente, sempre pronto a nos ouvir, e mais pronto ainda a nos consolar. […] Nunca diga que estás sozinho na luta contra nossos inimigos” [5].

Já o mundo material (a terra) é o lugar onde se encontra o ser humano e todas as Icone-Anjocriaturas visíveis. E todas elas, tendo sido queridas e criadas por Deus são também boas. Precisamos tomar cuidado com as influências de certos esquemas filosóficos e religiões antigas que costumam colocar o mundo material como mal, em oposição ao mundo espiritual, que seria bom. Pelo contrário, olhando para a festa do Natal, onde Deus se faz homem, percebemos que “ser cristão significa um homem que acredita que a divindade ou a santidade se ligou à matéria ou adentrou o mundo dos sentidos” [6]. Se Deus se encarnou, a carne, a matéria, não pode ser ruim.

E aqui é preciso ressaltar outra triste realidade dos tempos atuais: a ideia de que o homem é mal. Pois em um mundo onde muitos já não acreditam na realidade espiritual, a visão não cristã de que o mundo físico é mal evoluiu. E nessa nova visão, também não cristã, o culpado pelo mal seria o próprio homem. Percebemos isso claramente nesse novo ecologismo, que exalta o ambiente, mas coloca o homem como um intruso. Enquanto católicos, precisamos ficar atentos para não nos deixarmos contaminar por tal pensamento. O intruso é o pecado, e não o ser humano. O “homem é a obra-prima da obra da criação” [7] e vale “mais do que muitos pardais” (Lc 12, 7). É preciso perceber o grande cinismo dos ecologistas que gritam contra a destruição de ovos de tartaruga, mas apoiam o genocídio humano na liberação do aborto ou da eutanásia. Como afirmou o Papa Bento XVI às vésperas do Natal de 2008:

“Os bosques tropicais merecem, certamente, nossa proteção, mas não menos a merece o homem como criatura, na qual está inscrita uma mensagem que não contradiz a nossa liberdade, mas é sua condição” [8].

Que pela intercessão da Santíssima Virgem Maria e dos nossos Santos Anjos da Guarda, o Senhor nos auxilie a valorizar a cada dia mais a sua criação, de modo especial o ser humano.

Que 2013 seja um ano muito abençoado para todos nós!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 349.

[2] CEC, n. 330.

[3] CEC, n. 332-333.

[4] CEC, n. 336.

[5] LEITE, L. C. Padre Pio, crucificado por amor. São Paulo: Edições Loyola, 2001, 3ª edição, p. 56 e 57.

[6] CHESTERTON, G. K. São Tomás de Aquino e São Francisco de Assis. São Paulo: Madras, 2012, p. 28.

[7] CEC, n. 343.

[8] Retirado do discurso do Papa Bento XVI à Cúria Romana em 22 de dezembro de 2008, disponível em: <www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2008/december/documents/hf_ben-xvi_spe_20081222_curia-romana_po.html>.

O CÉU E A TERRA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Refletindo ainda sobre a Criação, proclamamos na Profissão de Fé que Deus criou o céu e a terra. Segundo esta afirmação, reconhecemos que Deus é o criador de tudo o que há na terra (o mundo dos homens) e no céu (morada de Deus e dos seres espirituais, mais especificamente, dos anjos).

A palavra anjo (ângelus), quer dizer mensageiro e designa a função deles e não sua Ícone - Arcanjosnatureza. A natureza dos anjos é puramente espiritual, não possuem corpo, são apenas espíritos, ao contrário do homem que possui os dois, corpo e espírito. Os anjos são os seres mais próximos de Deus e têm a função de mediar as relações mantidas entre Ele e os homens. Esta missão está ligada fundamentalmente ao plano de salvação de Jesus para a humanidade [1].

Como exemplo da influência dos anjos na História da Igreja, a Sagrada Escritura cita a Anunciação à Maria sobre a concepção de Jesus, antes a Zacarias, sobre a concepção de João, depois no deserto, servindo a Jesus e no momento da Ressurreição, quando revela que Jesus não se encontra no túmulo.

Agora, sobre a segunda parte da Criação, Deus povoou a terra com criaturas diferentes, mas interdependentes. A ordem e a harmonia da Criação estão justamente na diversidade existente na natureza. Por isso, deve haver uma relação de solidariedade entre os viventes, pois um depende do outro.

As Escrituras explicam a Criação em seis dias, representando a hierarquia das criaturas Terrada menos perfeita a mais perfeita, sendo o homem o seu ponto culminante [2]. Deus ama a todas as criaturas, desde o menor dos passarinhos, porém, foi ao homem que concedeu a capacidade de dominar os outros seres da natureza. Infelizmente, o homem tem esquecido sua missão de zelar por ela e tem sido o maior causador de seu desequilíbrio, o que não prejudica apenas às outras criaturas, mas também a si próprio.

Conclui a Escritura que Deus descansou no sétimo dia, a este dia deve se guardar para o Seu louvor. Israel, por séculos, guardou o sétimo dia em obediência aos Mandamentos da Lei de Deus, porém, com a vinda de Jesus, surge para nós o oitavo dia, o dia da nova criação, o dia da Ressurreição de Cristo, onde a primeira criação encontra todo o seu sentido. Tudo o que está no Antigo Testamento encontra seu pleno significado em Cristo, Nosso Senhor.

Ele é a plenitude de tudo o que foi criado por Deus. Seu Filho se fez homem para que nós partilhássemos também de sua natureza divina.

Estamos vivendo o Natal, cuja importância é tão grande que não se comemora apenas em um dia, mas em oito. Aproveitemos este tempo para rever nossas vidas e nossa relação com tudo o que Deus colocou sob nossos cuidados, a natureza, os animais, os outros seres humanos e principalmente nossa relação com o Senhor. Que o Natal não seja mais uma festa passageira em nossas vidas.

Boa semana a todos, um abençoado Tempo do Natal!

 

 

CEC 325-354

[1] PAPA JOÃO PAULO II. A participação dos Anjos na História da Salvação. disponível em: <http://www.comshalom.org/formacao/santos/catequese_papa.html>.

[2] Gn 1,1-31.

Feliz Natal!

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PresépioO CommunioSCJ deseja a todos um feliz e santo Natal! Que a contemplação do Menino Deus abra nossos corações para a Graça do Espírito Santo que, por Cristo, nos conduz à comunhão com o Pai.

Fraterno abraço!

 

“NO PRICNÍPIO, DEUS CRIOU O CÉU E A TERRA” (Gn 1,1) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

1 Comentário

Sejam novamente bem vindos, amigos do CommunioSCJ. Com a graça de Deus continuamos percorrer as páginas do Catecismo da Igreja para o aprofundamento da nossa fé.

Nesta semana seguimos meditando sobre Deus que, embora inefável, revela-se a fim de que possamos mergulhar em seu Mistério, mesmo que ainda superficialmente. Acompanhando o Catecismo já aprendemos que Deus é Único e Trino; também que Ele é Todo-Poderoso. Agora, nos deparamos com a realidade de Deus como Criador. Pois toda a história da salvação se fundamenta no que comumente chamamos “A Criação”. Tomar consciência disso é tão importante para a nossa fé que a própria Sagrada Escritura se inicia com esse relato: “No princípio, Deus criou o céu e a terra” (Gn 1, 1).

Mas antes de refletirmos sobre o papel criador de Deus, um ponto precisa ser Deus - Michelangeloesclarecido. Como sabemos, esse artigo de nossa fé é alvo de grandes discussões há algum tempo. Valendo-se de argumentos científicos legítimos, muitos tentam diminuir o valor da Palavra de Deus, ridicularizando o relato da criação presente no livro de Gênesis. Entretanto, essas discussões estão baseadas no falso pressuposto de que cremos que os relatos bíblicos realmente explicam como o mundo foi feito. Isso é uma inverdade. A Igreja reconhece como tarefa da ciência a formulação hipóteses acerca de como se deu a formação física do universo. O valor de tais relatos para a religião reside no fato de que “Não se trata somente de saber quando e como surgiu materialmente o cosmo, nem quando o homem apareceu, mas, antes, de descobrir qual é o sentido de tal origem” [1]. Eis o papel da religião: saber o porquê da criação do mundo.

Para nós, cristãos, a origem do cosmo é Deus. Se para alguns essa afirmação é por Adolf Butenandtdemais improvável, podemos responder, amparados por argumentos científicos legítimos, que acreditar que um mundo tão complexo foi criado e é mantido pelo acaso é tão, ou mais, improvável. Como disse o Dr. Adolf Butenandt, condecorado com o Prêmio Nobel de Química em 1939: “Com os átomos de um bilhão de estrelas, o acaso cego não conseguiria produzir sequer uma proteína útil para o ser vivo”.

E o que o fato de Deus ter criado o universo, e de maneira especial o ser humano, nos comunica? Em primeiro lugar, este é um “testemunho primeiro e universal do amor todo-poderoso de Deus” [2]. Um amor que é tão grande que não se contenta com algo ruim: pois ao acompanharmos o relato da Criação (Gn 1), percebemos que após cada parte da criação Deus via que o criava “era bom”. Em seu amor, Deus cria um mundo ordenado e bom. E não só cria, como também permanece nele para sustentá-lo.

É verdade que nesse mundo bom, existe também o mal. Mas longe de deixarmos que a nossa fé se enfraqueça diante desse escândalo, o próprio mal nos comunica o amor de Deus. Pois se o mal existe, é porque Deus, que sabe que o amor verdadeiro é livre, dotou cada homem e cada mulher da liberdade de filhos. Mais do que isso, fez a Criação “em estado de caminhada para uma perfeição última a ser ainda atingida” [3], concedendo ao ser humano “participar livremente de sua providência , confiando-lhes a responsabilidade de submeter a terra e dominá-la” [4].

Todavia, mesmo que a liberdade do homem tenha permitido o surgimento do mal; mesmo que os pecados da humanidade, incluindo os nossos, permitam a continuidade do mal; não nos desesperemos jamais. Cheios de esperança, confiemos na Providência de Deus que nunca nos deixa desamparados. Ouçamos o que nos dizia Nosso Senhor Jesus Cristo: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6, 33).

Que neste Natal do Senhor, possamos renovar nossa esperança. Pois Deus não nos abandonou ao mal, mas se fez homem para a nossa salvação!

Um feliz e santo Natal a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 284.

[2] CEC, n. 288.

[3] CEC, n. 302.

[4] CEC, n. 307.

DEUS, CRIADOR DO MUNDO – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

É com muito prazer que lhes recebemos mais uma vez para refletirmos juntos o nosso Catecismo. Continuamos esmiuçando a primeira parte da nossa Profissão de Fé, o Credo. Já refletimos sobre Deus Pai e sobre Deus Todo-Poderoso, hoje refletiremos sobre Deus Criador e realizador de todas as coisas, as visíveis e as invisíveis.

Eis as primeiras palavras da Sagrada Escritura: “No princípio Deus criou os céus e a Deus Criador, geometra, Codex Vindobonensis 2554terra […] e viu que era muito bom.” [1] Um pouco mais adiante no texto, observamos que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança e os abençoou [2].

Primeiro, Deus preparou o mundo com tudo o que era essencial para a sobrevivência humana: as frutas e os vegetais, o ar, a água, os animais e além disso lhe deu de presente a beleza das flores e das paisagens. Só depois de tudo preparado, fez o homem para habitar neste mundo. E tudo era muito bom, até que o mal entrou na criação.

Uma das perguntas mais frequentes que nos fazemos é: por que Deus permite o mal àqueles a quem tanto ama?

Essa não é uma pergunta fácil de responder, se não à luz da fé.

Semana passada, falávamos sobre o poder que Deus tem de criar a partir do nada. Pois esse tamanho poder também é capaz de extrair o bem de qualquer mal.

Uma mãe, apesar de perder sua filha, ser capaz de perdoar seu assassino é um grande bem. Assim fez a mãe de Santa Maria Gorete.

Um rapaz que supera os horrores da guerra tornando-se sacerdote e doando sua vida Wojtylaaos outros é um grande bem. Assim fez o Beato João Paulo II.

Uma mulher que mesmo sofrendo uma grande violência, ser capaz de dizer não ao aborto e sim à vida de seu bebê é um grande bem.

Deus não permite que o mal prevaleça na vida de seus amados, pois a sua misericórdia é infinita. Todo mal passa, só Deus não passa. O sofrimento deixa as pessoas na escuridão, mas o Senhor é a luz, e a superação é a prova de que Deus não abandona aqueles que se abandonam Nele.

Mas voltemos à pergunta: Por que Deus permite o mal? Não poderia ter criado um mundo perfeito?

Sim, Deus poderia. Mas criou para o homem um mundo em estado de “caminho” para a perfeição última. Este devir implica, no desígnio de Deus, juntamente com o aparecimento de certos seres, o desaparecimento de outros; o mais perfeito, com o menos perfeito; as construções da natureza, com as suas destruições. Com o bem físico também existe, pois, o mal físico, enquanto a criação não tiver atingido a perfeição. Os anjos e os homens, criaturas inteligentes e livres, devem caminhar para o seu último destino por livre escolha e amor preferencial. Ele assim o permite por respeito à liberdade da sua criatura [3].

O homem constrói seu próprio caminho e ao trilhá-lo passa por escolhas, mas não sozinho. Primeiro Deus falou aos profetas e suas palavras iluminaram o caminho dos primeiros povos. Depois de uma longa espera, na hora oportuna, a própria Palavra se fez carne e veio habitar junto de nós e jamais nos deixou [4]. Deus quis sentir na pele a alegria e a dor de ser humano e se compadecendo deste sofrimento, caminha junto dos seus em direção à morada eterna.

Que o Senhor abençoe a todos nós!

 

 

[1] Gn 1,1.25.

[2] Gn 1,27-28.

[3] CEC § 310-311.

[4] Jo 1,14.

TODO-PODEROSO – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Continuando nossa reflexão sobre o Credo, hoje conversaremos um pouco mais sobre a primeira pessoa da Trindade, da qual se origina todas as coisas, o nosso Deus Todo-Poderoso, o único com o poder de criar a partir do nada. O ser humano, embora desenvolva novas tecnologias, produza inovações, não as cria, transforma.

A curiosidade humana, a busca pela descoberta de meios que facilitem sua vida e lhe dêem comodidade, em si é boa, pois foi Deus quem a deu com o fim de promover o bem comum, mas se torna danosa quando usada de forma errada, egoísta, promovendo o mal e afastando as pessoas de Deus.

Muitos são os exemplos de experiências catastróficas nas quais o ser humano pensou ter o direito de “brincar de Deus” e deixou marcas na História que jamais serão esquecidas. As guerras, a bomba em Hiroshima e Nagasaki, o Holocausto na Alemanha, Chernobyl, são alguns exemplos.

Mesmo o homem sendo capaz de coisas tão ruins, não foi criado para isso. Deus detém A Criação do homem - Michelangelotodo poder do céu e da terra e mesmo assim olha para o ser humano com esperança. Concedeu ao homem a inteligência para cuidar de tudo o que Ele criou, e mesmo vendo-o usar essa inteligência, muitas vezes, em seu próprio benefício e em detrimento de outros, ainda acredita, insiste na aproximação com o homem, o ama infinitamente. Na verdade, o próprio Deus é amor, amor-doação [1].

Deus não se impõe perante a humanidade para oprimi-la, embora seu poder o permitisse se quisesse, Ele manifesta-se na suavidade da brisa, na singeleza das flores, na leveza do ar que respiramos. Usa-se muitas vezes o nome de Deus para justificar uma vingança, ou algo ruim que acontece, mas não é assim, Deus não se vinga, pois não conhece o ódio, apenas a justiça, a mesma justiça que educa os filhos e evita que se percam e que os ensina que são dotados de liberdade, porém se usá-la da forma errada, arcarão com as consequências.

A compreensão humana sobre Deus é muito pequena, é mais fácil compreendê-lo a partir de tudo o que Ele não é até o ponto em que Ele próprio se deixa compreender. Deus não age impulsionado por emoções e desequilíbrios humanos, Ele é Deus e nos convida a nos tornarmos como Ele, não em matéria de poder, mas em matéria de amor, misericórdia e justiça, pois somos herdeiros do seu Reino e não deste mundo [2].

Que o Senhor nos dê a sabedoria necessária para conduzirmos nossa vida de acordo com sua vontade, pois somente Ele é Deus, dono de todo poder, honra e glória, amém.

 

 

CEC – §268 – 278

[1] Deus caritas est

[2] João 17,15

“O FIM ÚLTIMO DE TODA A ECONOMIA DIVINA É A ENTRADA DAS CRIATURAS NA UNIDADE PERFEITA DA SANTÍSSIMA TRINDADE” – Por Fr. Lucas, scj.

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Como sempre, sejam todos bem vindos ao CommunioSCJ! Continuamos nosso caminho de aprofundamento de nossa fé através do estudo do Catecismo da Igreja Católica. Chegamos hoje, no capítulo que estuda Deus Pai, ao parágrafo segundo: o Pai [1]. Antes, porém, de nos aproximarmos do assunto que é propriamente objeto deste texto, recomendo vivamente a todos que acompanhem as catequeses que o Santo Padre Bento XVI está fazendo neste Ano da Fé. Nas palavras do Romano Pontífice, encontramos alimento sólido para nossa vida espiritual [2].

Passando ao nosso estudo propriamente dito, o artigo que é nosso objeto hoje é, provavelmente, o mais denso em teologia propriamente dita, visto que ele trata do mistério da Santíssima Trindade, central para a fé cristã. Por isso, recomendo a leitura calma e atenta do próprio texto do Catecismo [3]. Neste texto, quero apenas fazer uma distinção técnica e chamar a atenção para um aspecto muito importante para nossa espiritualidade.

Para bem compreender este trecho do Catecismo, será importante termos clareza daquilo que está no n. 236: a distinção e a relação entre Trindade imanente e Trindade econômica. Isso porque o termo “economia” aparece algumas vezes nessas páginas e, neste caso, economia não tem nada a ver com dinheiro, mercado ou poupança.

Basicamente, chamamos “Trindade imanente” a Deus em si mesmo – o que Deus é em Ícone da Trindade - RublevSua intimidade [4]. E “Trindade econômica” a Deus agindo na história [5]. Ou seja, Deus, em si mesmo, é Pai e Filho e Espírito Santo. Deus não se torna Pai quando cria; nem se torna Filho quando se encarna; nem se torna Espírito em Pentecostes. Eternamente, em Sua vida íntima, Deus é Pai e Filho e Espírito Santo. Sabemos isso por Sua ação na história (economia). Ao mesmo tempo, saber que Deus é tri-uno nos ajuda a compreender sua obra de salvação.

É claro, para nós, que é impossível à razão humana, embora encontre vestígios da Trindade na criação, formular, por si mesma, o conceito de unidade trina em Deus, tal qual nos foi revelado [6]. Portanto, devemos acolher esta verdade fundamental da Revelação. Da mesma forma, é claro que este pequeno espaço é insuficiente para nos aprofundarmos no estudo da Trindade que é um tratado teológico muito denso [7]. E é ainda mais claro que, mesmo depois de estudarmos com profundidade este tratado, a Trindade permanece infinitamente maior que nosso entendimento.

E, nesta impossibilidade de esgotarmos com nossa razão o mistério da Trindade, encontramos uma grande lição para nossa vida. O que sabemos de Deus é verdadeiro, pois Ele mesmo nos revelou. Mesmo assim, nossa compreensão desta realidade é pequena demais. Caros irmãos e irmãs, nunca dominaremos Deus. Ele sempre será um mistério. Nunca o compreenderemos totalmente. E isso deve despertar em nós a sublime virtude da humildade.

Nossa natureza, ferida pelo pecado, corre sempre o risco de arvorar-se em deus: eu sei, eu posso, eu faço. Não. Não temos a compreensão total do real, embora, certamente, sejamos capazes de conhecê-lo. Dessa forma, precisamos, humildemente, acolher o auxílio que Deus, o verdadeiro, nos dá gratuitamente para conhecer e viver melhor.

Meus caros, sem a humildade de reconhecer que o real é maior do que nossa compreensão não chegaremos à virtude do abandono a Deus. Só quem se reconhece pequeno e incapaz, será capaz de lançar-se como criança aos braços do soberano Pai. Só aí, há paz para nosso inquieto coração. Neste ponto, é impossível não nos lembrarmos dos grandes doutores, Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face e Santo Agostinho.

Deus nos quer consigo. “O fim último de toda a Economia divina é a entrada das criaturas na unidade perfeita da Santíssima Trindade” [8]. Como a sempre Virgem Maria, acolhamos a Trindade como companheira e dona de toda nossa vida [9].

Grande abraço, até a próxima!

 

 

[1] CEC, n. 232-267.

[2] Encontramos as catequeses do Papa sobre o Ano da Fé, em texto e vídeo, no site <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2012/index_po.htm> (a partir da audiência do dia 17/10/2012).

[3] A leitura das questões correspondentes do Youcat (questões de 33 a 39) podem ajudar na compreensão deste Mistério.

[4] Que o CEC, n. 236, chama de “theologia” (mistério da vida íntima do Deus-Trindade).

[5] Que o CEC, n. 236, chama de “oikonomia” (todas as obras de Deus por meio das quais Ele Se revela e comunica Sua vida).

[6] Cf. CEC, n. 237.

[7] Recomendo o curso on-line de Trindade com o Pe. Paulo Ricardo. Disponível em: <http://padrepauloricardo.org/cursos/trindade>.

[8] CEC, n. 260.

[9] Cf. CEC, n. 256, citando S. Gregório Nazianzeno.

“BATIZAI-OS EM NOME DO PAI, DO FILHO E DO ESPÍRTO SANTO” (Mt 28, 19) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi

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Saudações a você, que tem nos acompanhado nesse redescobrimento da nossa fé. Seja mais uma vez bem vindo!

Alicerçados no nosso Símbolo da Fé, continuamos a dirigir nossos corações ao Deus que se revelou. E contemplando esse Senhor amoroso, não temos como deixar de lado aquele que é o “ensinamento mais fundamental e essencial na hierarquia das verdades de fé” [1], isto é, a fé em um único Deus que é Trindade. Esta verdade é parte indispensável da vida da Igreja e, por isso mesmo, “encontra sua expressão na regra da fé batismal, formulada na pregação, na catequese e na oração da Igreja” [2]. De fato, ainda hoje a Igreja permanece fiel ao mandato de Cristo que ordenou: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19).

E se, no nosso próprio Batismo, que é a porta pela qual entramos na Igreja, já nos deparamos com a fé na Santíssima Trindade, é porque nela se fundamenta o ser Católico. Como já dizia Santo Atanásio no seu Símbolo da Fé: “A fé católica é esta: Bento XVI batizandoque veneremos o único Deus na Trindade e a Trindade na unidade, não confundindo as pessoas, nem separando a substância: pois uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas uma só é a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, igual a glória, co-eterna a majestade” [3].

Mas se a fé na Santíssima Trindade é indispensável para cada um de nós, entendermos como Deus pode ser Uno e Trino não é tarefa fácil. Mais que isso, entender completamente esse mistério é impossível. Entretanto, essa constatação não deve arrefecer a nossa fé. A revelação de Deus Trino não se dá para que o homem compreenda Deus; como refletíamos na semana passada, a revelação é um comunicado de Deus que colabora para a nossa salvação. E conhecer a Santíssima Trindade evidencia o fato de que “Deus é amor” (1Jo 4, 8), sempre foi e continuará sendo por toda a eternidade.

Para que seja possível o amor é necessário que exista o amado, aquele que recebe o amor, e o amante, aquele do qual parte o amor. Se existe uma única pessoa, não existe amor, mas apenas egoísmo. Pense bem: se antes da existência das criaturas só existia uma Pessoa Divina, Deus não foi sempre amor. Entretanto, com a Revelação de que é Trindade, Deus nos mostra que sempre foi amor. Pois nele mesmo existia o Pai, que é o amante, o Filho, que é o amado, e o Espírito Santo, que é o amor entre eles. A criação do ser humano é o resultado do transbordamento desse amor.

Assim, começamos a compreender os desígnios de Deus “que nos predestinou à adoção como filhos, por obra de Jesus Cristo” (Ef 1, 5). A fim de nos fazer participantes desse amor eterno, Deus realiza sua obra de redenção.

Começamos a compreender também como devemos nos relacionar com Deus. Se Ele não é impessoal, devemos ter sempre claro a qual Pessoa da Santíssima Trindade nos dirigimos em nossas orações. E isso faz diferença? Faz! Embora a obra de redenção seja comum à Santíssima Trindade, cada Pessoa Divina – Pai, Filho e Espírito Santo – a cumpre “segundo a sua propriedade pessoal” [4]. Para nos salvar, o Pai nos faz filhos adotivos através do Filho, no Espírito Santo.

Assim, o Catecismo nos ensina que “Quem rende glória ao Pai o faz pelo Filho no Espírito Santo” [5]. E essa é uma lição de oração católica. É bem verdade que a maioria de nós costuma dirigir suas orações ao Filho. E não há nada de errado nisso. Mas a oração católica deveria, mais propriamente, ser dirigida “ao Pai, pelo Filho no Espírito Santo”. Pois ser humano nenhum é Filho como o é Jesus Cristo. E se queremos que o Pai, dispensário de toda a Graça, nos atenda, precisamos permitir que o Espírito Santo nos una a Cristo, para que o Filho, que sabe como e o que pedir, venha orar em nós.

Que a Santíssima Virgem Maria, que foi mais íntima da Santíssima Trindade do que qualquer outro ser humano, nos ajude a nos tornarmos filhos à imagem do Filho, nosso Senhor Jesus Cristo!

Até semana que vem.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 234.

[2] CEC, n. 249.

[3] AQUINO, F. Escola da Fé, vol. I: Sagrada Tradição. Lorena: Cléofas, 2002, p. 131.

[4] CEC, n. 258.

[5] CEC, n. 259.

EM NOME DO PAI E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO! – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, meu amigo e minha amiga!

Dentro do nosso projeto de aprofundarmos o estudo do Catecismo, refletiremos um pouco mais sobre o Símbolo de Fé que recebemos dos apóstolos, o Credo. Nesta oração, confessamos, reafirmamos e propagamos a fé em Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, sem confusão e sem separação, simples assim.

Desde o início dos tempos e em muitas religiões, Deus é reconhecido como criador do mundo, como rei dos reis ou como deus dos deuses. Para o cristão, Ele é o Pai por excelência, e mais ainda é Pai em razão da Nova e Eterna Aliança de amor e misericórdia com o ser humana inaugurada em Jesus Cristo, e perpetuada através dos séculos com o Espírito Santo.

A forma mais simples de entender essa relação entre Pai, Filho e Espírito é defini-la como o Pai que ama, o Filho que é amado e o Espírito Santo que é o amor entre Eles. Esse sopro está presente desde a Criação entre nós e é capaz de trazer, através de sua tão suave brisa, a voz de Deus.

A Trindade é indivisível quanto à sua natureza. Ainda assim, podemos dizer que o Pai é a origem da Trindade: tudo procede dele. “O Espírito Santo […] recebe a sua essência Trindade - pinturae o seu ser ao mesmo tempo do Pai e do Filho, e procede eternamente de um e do outro como dum só Princípio e por uma só espiração […] E porque tudo o que é do Pai, o próprio Pai o deu ao seu Filho Unigênito, gerando-O, com exceção do seu ser Pai, esta mesma procedência do Espírito Santo, a partir do Filho, Ele a tem eternamente do seu Pai, que eternamente O gerou” [1].

“Os Apóstolos confessam que Jesus é o Verbo [que] estava [no princípio] junto de Deus e que é Deus (Jo 1, 1), a imagem do Deus invisível (Cl 1, 15), o resplendor da sua glória e a imagem da sua substância (Heb 1, 3)” [2].

“Cada pessoa divina realiza a obra comum segundo a sua propriedade pessoal. É assim que a Igreja confessa, na sequência do Novo Testamento, um só Deus e Pai, de Quem são todas as coisas; um só Senhor Jesus Cristo, para Quem são todas as coisas; e um só Espírito Santo, em Quem são todas as coisas. São, sobretudo as missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo que manifestam as propriedades das pessoas divinas” [3].

No Batismo, nós também somos chamados a participar da Trindade, por meio da fé inspirada pelo Espírito. Esse chamado de amor, observado desde o início do nosso estudo quer levar o homem ao seu destino, que é tornar-se um com Deus. Deus não cansa de inclinar-se ao ser humano e estender sua mão, esperando que o homem possa agarrá-la. Nesse contexto de amor sem limites, desde o início, Deus suscitou profetas que alertassem o povo sobre a sua vontade, e no ápice de seu amor, mandou seu único Filho para nos revelar todo seu amor por meio de suas palavras e no fim, com a rejeição de muitos, revelou também todo o sofrimento do amor não-correspondido pela humanidade quando foi crucificado. O sofrimento de Jesus na cruz é o próprio sofrimento de Deus pela humanidade.

Que o Senhor esteja sempre conosco, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

 

 

[1] CEC, n. 246.

[2] CEC, n. 241.

[3] CEC, n. 258.