Olá, amigos!

É com muito prazer que lhes recebemos mais uma vez para refletirmos juntos o nosso Catecismo. Continuamos esmiuçando a primeira parte da nossa Profissão de Fé, o Credo. Já refletimos sobre Deus Pai e sobre Deus Todo-Poderoso, hoje refletiremos sobre Deus Criador e realizador de todas as coisas, as visíveis e as invisíveis.

Eis as primeiras palavras da Sagrada Escritura: “No princípio Deus criou os céus e a Deus Criador, geometra, Codex Vindobonensis 2554terra […] e viu que era muito bom.” [1] Um pouco mais adiante no texto, observamos que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança e os abençoou [2].

Primeiro, Deus preparou o mundo com tudo o que era essencial para a sobrevivência humana: as frutas e os vegetais, o ar, a água, os animais e além disso lhe deu de presente a beleza das flores e das paisagens. Só depois de tudo preparado, fez o homem para habitar neste mundo. E tudo era muito bom, até que o mal entrou na criação.

Uma das perguntas mais frequentes que nos fazemos é: por que Deus permite o mal àqueles a quem tanto ama?

Essa não é uma pergunta fácil de responder, se não à luz da fé.

Semana passada, falávamos sobre o poder que Deus tem de criar a partir do nada. Pois esse tamanho poder também é capaz de extrair o bem de qualquer mal.

Uma mãe, apesar de perder sua filha, ser capaz de perdoar seu assassino é um grande bem. Assim fez a mãe de Santa Maria Gorete.

Um rapaz que supera os horrores da guerra tornando-se sacerdote e doando sua vida Wojtylaaos outros é um grande bem. Assim fez o Beato João Paulo II.

Uma mulher que mesmo sofrendo uma grande violência, ser capaz de dizer não ao aborto e sim à vida de seu bebê é um grande bem.

Deus não permite que o mal prevaleça na vida de seus amados, pois a sua misericórdia é infinita. Todo mal passa, só Deus não passa. O sofrimento deixa as pessoas na escuridão, mas o Senhor é a luz, e a superação é a prova de que Deus não abandona aqueles que se abandonam Nele.

Mas voltemos à pergunta: Por que Deus permite o mal? Não poderia ter criado um mundo perfeito?

Sim, Deus poderia. Mas criou para o homem um mundo em estado de “caminho” para a perfeição última. Este devir implica, no desígnio de Deus, juntamente com o aparecimento de certos seres, o desaparecimento de outros; o mais perfeito, com o menos perfeito; as construções da natureza, com as suas destruições. Com o bem físico também existe, pois, o mal físico, enquanto a criação não tiver atingido a perfeição. Os anjos e os homens, criaturas inteligentes e livres, devem caminhar para o seu último destino por livre escolha e amor preferencial. Ele assim o permite por respeito à liberdade da sua criatura [3].

O homem constrói seu próprio caminho e ao trilhá-lo passa por escolhas, mas não sozinho. Primeiro Deus falou aos profetas e suas palavras iluminaram o caminho dos primeiros povos. Depois de uma longa espera, na hora oportuna, a própria Palavra se fez carne e veio habitar junto de nós e jamais nos deixou [4]. Deus quis sentir na pele a alegria e a dor de ser humano e se compadecendo deste sofrimento, caminha junto dos seus em direção à morada eterna.

Que o Senhor abençoe a todos nós!

 

 

[1] Gn 1,1.25.

[2] Gn 1,27-28.

[3] CEC § 310-311.

[4] Jo 1,14.