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“E O SENHOR DEUS OS EXPULSOU DO JARDIM DO ÉDEN” (Gn 3, 23) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, amigos! Sejam muito bem vindos a este espaço de aprofundamento da fé católica.

Depois de tantas semanas falando sobre o amor de Deus que se manifesta na Revelação e na Criação, é chegada a hora de tratar de um assunto amargo: o surgimento do mal. Infelizmente, essa criação angélica, arquitetada e difundida por Satanás e seus demônios, entrou no mundo e penetrou no coração do ser humano. O pecado nasceu!

A revolta do gênero humano contra o seu Senhor amoroso, bem como as consequências dessa escolha, são representadas com um belo simbolismo no terceiro Pecado Original - Detalhe (Capela Sistina)capítulo do livro de Gênesis. Seduzidos pela falsa promessa de ser Deus, sem Deus (Cf. Gn 3, 1-5), Adão e Eva comeram do fruto proibido num claro sinal de desobediência que custou a expulsão do jardim do Éden. Aí vemos o gênero humano que, em sua liberdade, escolheu voltar as costas para Deus e permitiu que o pecado transformasse a Criação perfeita de Deus.

Como um olhar honesto pode nos revelar, o pecado tem deixado suas marcas de destruição em toda a história do homem. Mais espantosa que essa primeira constatação, entretanto, é percebermos o aumento de pessoas “instruídas” que nesses últimos tempos defende a inexistência do pecado. Como explicar essa cegueira por parte de tantas pessoas? Quem nos explica é o Catecismo da Igreja Católica: “Sem o conhecimento de Deus que ela [a Revelação Divina] nos dá não se pode reconhecer com clareza o pecado” [1].

O pecado é inimizade com Deus, é uma revolta contra a ordem que Ele estabeleceu no mundo. Se não olhamos para o Sumo Bem, não podemos compreender a dramaticidade do mal. Ao rejeitarmos o Senhor, acabamos por rejeitar seu plano para o ser humano: dizemos não ao amor e a felicidade, e sim ao ódio e a tristeza. E isso não é claro no mundo atual. Quantos não são os tolos que se alegram com a decadência da moral cristã? Quantos não lutam contra valores perenes como o casamento monogâmico, a família, a castidade e a busca pela verdade? São muitas vezes os mesmos que lamentam a situação atual da sociedade. O que não percebem, é que abraçar o pecado e sonhar com uma sociedade melhor é uma grande contradição!

Os revolucionários malucos (com o perdão do pleonasmo) lutam para destruir a moral cristã e sonham com uma sociedade justa e igualitária. Tolice! Querem creditar os Crucificado - íconeproblemas sociais a “sistemas”, “imaturidades” e “erros”. Besteira! Se queremos melhorar a sociedade, precisamos lutar contra o pecado. Principalmente o que está dentro do nosso coração. Pois ser humano nenhum vem ao mundo sem a mancha do pecado original. Mas de que se trata isso?

Pecado original é o termo que designa não apenas o pecado cometido pelos primeiros seres humanos (o chamado “pecado originante”), mas principalmente o estado em que nos encontramos (o chamado “pecado originado”). Como nos diz o Catecismo:

“É um pecado que será transmitido por propagação à humanidade inteira, isto é, pela transmissão de uma natureza humana privada da santidade e da justiça originais. E é por isso que o pecado original é denominado ‘pecado’ de maneira analógica: é um pecado ‘contraído’ e não ‘cometido’, um estado e não um ato” [2].

Por mais que não seja agradável, precisamos compreender e aceitar a doutrina do pecado original que o Catecismo trata como “uma verdade essencial da fé” [3]. Para a Igreja de Cristo é claro que “não se pode atentar contra a revelação do pecado original sem atentar contra o mistério de Cristo” [4]. Pois se não somos marcados com o mal, a crucificação do Filho foi uma piada de mau gosto, não é? É evidente que se fomos salvos por Nosso Senhor Jesus Cristo, é porque antes dele estávamos perdidos.

Por outro lado, a consciência de nosso pecado original não pode nos levar ao desespero. Nossa natureza corrompida não acabou com o amor infinito que Deus tem por nós. “Em Cristo, segundo o propósito daquele que opera tudo de acordo com a decisão de sua vontade, fomos feitos seus herdeiros” (Ef 1,11). É certo que passaremos nossa vida na terra lutando contra o pecado. Mas se estamos com Cristo, estamos do lado que sairá vitorioso.

Que a Santíssima Virgem Maria, que por Graça foi privada do pecado original, nos ajude em nossa santificação para, com ela, desfrutarmos da Glória Celeste.

Até semana que vem!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 387.

[2] CEC, n. 404.

[3] CEC, título que precede o n. 388.

[4] CEC, n. 389.

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APESAR DA QUEDA DO HOMEM NO PECADO, DEUS AINDA O AMA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Nesta semana, nos aprofundaremos mais um pouco na história do homem e na sua relação com o pecado.

O homem e a mulher foram criados por Deus em um estado de “santidade original”, no qual não havia sofrimento ou morte. Viviam em plena comunhão com seu Criador, até serem tentados pela serpente que lhes enganou, plantando em seu coração o desejo de serem como Deus, alimentando-se do fruto proibido. Essa desobediência custou a eles a vida no paraíso, a entrada da morte na humanidade e a mancha do Pecado Original em toda sua descendência.

O pecado é consequência do mau uso da liberdade que Deus deu ao homem e aos anjos. Sabemos que os demônios, sob o comando de Lúcifer, foram os primeiros a se rebelarem contra Deus. Estes, antes belos anjos, quiseram formar seu próprio reino sem Deus, sendo expulsos do céu. Por serem puro espírito tinham pleno conhecimento do Criador, mesmo assim revoltaram-se contra os planos de Deus por inveja.

Por inveja, os demônios querem a todo custo afastar o homem do Criador, pois não se conformam com a misericórdia divina mostrada por tão reles criatura que é o homem e lutam para fazê-lo perder o lugar que lhes foi reservado junto de Deus. Apesar da influência que esses anjos rebeldes têm sobre a humanidade, eles não são capazes de atrapalhar Deus na instauração do seu Reino, pois são criaturas também e seu poder é infinitamente menor que o Dele.

O pecado de Adão e Eva foi transmitido para seus filhos, pôs em seus corações a Pecado Original - Michelangelo (Capela Sistina)tendência para o mal, a chamada concupiscência, ou seja, apesar de Deus ter criado o homem para ser bom, ele se deixou seduzir pela serpente, escolheu excluir Deus de sua vida, afetando para sempre a harmonia com Ele, seus irmãos e com toda a Criação. A santidade e a justiça originais que tinham recebido de Deus se extinguiu para sempre. Mas, assim como o homem tende para o mal, ele também tem uma tendência para Deus e anseia voltar para Ele, pois há um vazio em seu coração que somente Deus preenche. Como se engana aquele que busca a satisfação em outras direções.

Deus buscou, desde o princípio, restaurar a Aliança com teu povo, através de Abraão, de Moisés, de muitos profetas ao longo da história do povo de Israel até que enfim manda o teu próprio Filho, que vem para redimir os pecados do mundo, para renovar a Aliança entre Deus, o povo de Israel, e toda a humanidade.

Para restaurar esta Aliança, foi dada à Igreja, por meio do Batismo, a remissão do Crucificado (Ícone)Pecado Original e a chance de retornar à vida na graça de Deus. Apesar dessa primeira remissão, a concupiscência está encravada no homem e para retornar à santidade que perdeu pelo pecado, o homem terá que batalhar duramente dia após dia, sem cessar.

Adão pecou gravemente e trouxe consequências terríveis para toda humanidade, mas por causa desse grande mal, superabundou a graça divina por meio de Jesus Cristo. Enfim o Homem Novo substitui o Homem Velho. Deus mostra mais uma vez, de forma insuperável que de um grande mal pode tirar um grande bem.

São Francisco de Assis sempre dizia que não queria ser santo enquanto estivesse vivo, porque Jesus veio para os pecadores e se ele fosse santo perderia a grande graça da presença de Jesus em sua vida.

Um abraço a todos, muita força e coragem na busca pela santidade perdida, que Deus abençoe nossa semana!

 

 

Cf. CEC 385-421

O HOMEM E A MULHER – Por Fabiana Theodoro.

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Sejam bem vindos mais uma vez, queridos amigos para continuarmos nosso estudo sobre o Catecismo da Igreja Católica.

Após criar o homem, Deus viu que não era bom que ele estivesse só, então lhe deu uma companheira, a mulher. Ela foi feita da mesma substância que o homem, salvo algumas características diferentes que se complementam um no outro. A mulher não foi tirada da cabeça do homem para se sentir superior a ele, nem foi tirada dos pés para ser pisada por ele, mas sim do lado para ser igual, debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada.

O homem e a mulher foram criados para juntos cuidarem de todas as coisas criadas, Ícone - Jesuspara participarem da vida divina por meio deste seu trabalho, em plena comunhão entre si e com Deus, unida por um laço de amor e amizade profundos, ao ponto de poderem conversar diretamente com Deus. Foram criados em um estado de “santidade original”, puros como uma criança, não havia sofrimento nem morte no mundo.

Adão quando olhou para Eva, louvou a Deus e admirou-se: “É carne da minha carne e ossos dos meus ossos” [1]. No princípio da Criação, o homem enxergava a mulher sem nenhuma malícia, como um dom maravilhoso de Deus, como tudo o que foi criado por Ele.

Deus os criou a sua imagem e semelhança, e deu de si algumas de suas próprias características de pai e de mãe, pois Deus não possui sexo, é puro espírito, e amando-os, deu-lhes o seu próprio dom de amar. A Sagrada escritura descreve em alguns trechos o seu amor incondicional de mãe, como em Oseias 11,3-4: “Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomando-os pelos seus braços”; e em Isaias 66,13 “Como alguém a quem consola sua mãe, assim eu vos consolarei”. A autoridade e o poder do pai, o amor, a doçura e a misericórdia próprias de uma mãe. A beleza do Criador revela-se na beleza de sua criação [2].

Mas o pecado entrou no coração do homem e da mulher, e já não estão mais livres da cobiça dos bens terrenos, do desejo da carne e do seu desejo de autossuficiência. Desobedeceram a Deus, voltaram-se contra Ele, condenando toda sua descendência a nascer sob a sombra do Pecado Original, que não é um castigo, mas a ausência da graça divina que eles rejeitaram.

Porém, Deus sempre buscou restaurar a Aliança com os homens, e se, por meio de Ícone MariaAdão e Eva, o pecado entrou no mundo, por meio de Jesus e Maria, novo Adão e nova Eva, veio a Salvação.

Com o Pecado Original, todo o homem e toda mulher têm dentro de si uma tendência ao mal e para vencê-la é necessário apegar-se desesperadamente em Deus, porque só Ele possui em si mesmo toda essência do bem que existe. Só em seus braços o homem esta seguro de si mesmo. Deus sabe que seus filhos não são fortes sozinhos e que precisam de sua ajuda para vencer o pecado. Ele reconhece o esforço humano na batalha e vem ao socorro do homem, pois a sua misericórdia é infinita.

Que Maria, nossa mãe, ajude-nos na difícil tarefa de obedecer a Deus e ser sempre fiel a ele, como ela o foi, amém.

Boa semana a todos!

 

 

CEC 369-384.

[1] Gn 2,23.

[2] Perfeição de Deus e a beleza das criaturas, CEC 4.

“NÃO É BOM QUE O HOMEM ESTEJA SÓ” (Gn 2,18) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Saudações, queridos amigos do CommunioSCJ! Sejam novamente bem vindos a esse espaço de aprofundamento da nossa fé.

Na semana anterior meditávamos sobre a criação do ser humano. Talvez alguns leitores mais atentos (ou atentas) tenham reparado que este ser (humano) é muitas vezes 7 - Michelangelo - Criação de Eva - Cappella Sistina, Vaticanodesignado como o homem. Mas e a mulher? Em uma sociedade marcada pela rivalidade entre os gêneros, esta é uma pergunta muito provável. Desta forma, é chegada a hora de, em unidade com o Catecismo, lembrarmos que quando Deus criou o ser humano, “homem e mulher ele os criou” (Gn 1,27).

A fim de nos livrarmos de eventuais complicações, talvez seja interessante distinguir os dois significados da palavra homem no relato contido no livro do Gênesis. No relato bíblico, o escritor sagrado fala de um homem utilizando o termo hebraico ‘adam (Adão), que exprime o conceito coletivo da espécie humana; designa toda a humanidade, homens e mulheres. Quando fala do homem em contraposição com a mulher, os termos hebraicos utilizados são diferentes: ‘is (macho) e ‘issa (fêmea) sublinham a diversidade sexual.

Considerando os significados dos termos utilizados, poderíamos ler o versículo 27 do capítulo 1 do livro do Gênesis como: “Deus criou o adam à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Is e issa ele os criou” (Gn 1,27). E só com este pequeno versículo, entenderíamos que “O homem e a mulher são criados, isto é, são queridos por Deus” [1]. Criados diferentes, mas iguais em dignidade, como aponta o simbolismo do autor sagrado que mostra a mulher retirada da costela, isto é, do lado, nem acima nem abaixo, do homem (Cf. Gn 2,21-22).

Entretanto, é muito fácil constatar que essa realidade criada e querida por Deus na criação, a diferença de gêneros do ser humano, sempre foi desrespeitada. No passado, o “iguais em dignidade” foi muitas vezes menosprezado no desrespeito às mulheres. No presente, é o “cridos diferentes” que é atacado em tantos movimentos que desconhecem ou rejeitam a revelação de Deus. Basta olharmos atentamente para o mundo em que vivemos (nosso presente) para percebermos como pululam tensões e acusações entre o masculino e o feminino. Mas de onde surge essa separação que vai de encontro ao projeto de nosso Criador?

É o pecado original que faz com que homens e mulheres tenham uma “natureza lesada” Ícone - Santíssima Virgem Maria[2], que acaba por distorcer e destruir o sonho de Deus para sua criação. Como aponta o Catecismo, antes do pecado, quando ainda habitavam o Paraíso, homem e mulher viviam num “estado de justiça e santidade original” [3] que permitia uma “participação na vida divina” [4]. Com isso, o ser humano era privado da morte e do sofrimento, e vivia em harmonia (consigo mesmo, com a criação e entre homem e mulher) [5]. Como veremos nas próximas semanas, foi o pecado original que destruiu toda essa belíssima realidade para qual fomos criados.

Lutando contra a revolta a Deus que temos em decorrência do pecado original, precisamos lançar um novo olhar para a relação entre homem e mulher. E este novo olhar foi brilhantemente mostrado pelo Bem Aventurado Papa João Paulo II nas suas catequeses onde apresentou a Teologia do Corpo. Em posse dessas catequeses, começamos a entender que “Não é bom que o homem [is] esteja só” (Gn 2,18). Que homem e mulher são “ao mesmo tempo iguais enquanto pessoas e complementares enquanto masculino e feminino” [6]. E que, como tão maravilhosamente expressou nosso amado Beato João Paulo II:

“O homem se tornou imagem e semelhança de Deus não só mediante a própria humanidade, mas ainda mediante a comunhão das pessoas, que o homem e a mulher formam desde o princípio” [7].

Belíssimo! Deus é Uno, embora se manifeste na Santíssima Trindade, como uma comunhão de Pessoas divinas. Assim, o ser humano é imagem de Deus enquanto é “uma só carne” (Gn 2,24) formada pela comunhão de duas pessoas: homem e mulher.

Que pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, Deus nos ajude a compreendermos e vivermos seu plano de amor. Que Ele nos dê a Graça de alcançarmos novamente a participação na vida divina perdida com o pecado original.

Uma ótima semana a todos.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 369.

[2] CEC, n. 407.

[3] CEC, n. 375.

[4] Ibidem.

[4] Cf. CEC, n 376.

[5] CEC, n. 372.

[6] Retirado da 9ª catequese do Beato João Paulo II sobre a Teologia do Corpo – Mediante a comunhão das pessoas o homem torna-se imagem de Deus – proferida em 14 de novembro de 1979. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19791114_po.html>.

“HOMEM E MULHER, OS CRIOU” (Gn 1,27) – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros irmãos e irmãs, bem vindos ao CommunioSCJ! Estamos muito contentes por, já na primeira quinzena de 2013 nosso blog ter ultrapassado a expressiva marca dos 15.000 acessos. Agradecemos a confiança e esperamos, com o imprescindível auxílio da Graça divina, corresponder à altura.

O Ano da Fé prossegue e, com ele, nosso estudo do Catecismo da Igreja Católica. Sagrada Família (ícone)Chegamos hoje, ainda nos detendo sobre a verdade da criação e do lugar ímpar do ser humano nela como imagem e semelhança de Deus, à verdade de que a diferença entre homem e mulher é querida por Deus.

O número 369 do Catecismo é muito claro: “o homem e a mulher foram criados, quer dizer, foram queridos por Deus: em perfeita igualdade enquanto pessoas humanas, por um lado; mas, por outro, no seu respectivo ser de homem e de mulher”. Ou seja, tanto o homem, quanto a mulher, tem a mesma dignidade: são iguais na dignidade de pessoa. Há, entretanto, uma diferença que é, também ela, querida por Deus: a diferença dos gêneros, o masculino e o feminino.

Caros irmãos, fomos criados como homem ou mulher. Deus nos quis assim. Nossa sexualidade não é fruto do pecado ou algo mau: Deus nos quis sexuados, masculinos ou femininos e, assim, nos fez orientados à comunhão (cf. CEC 371-373). Portanto, sermos homens e mulheres, é uma realidade positiva, nascida do Coração de Deus e que nos conduz a Deus.

Nosso próprio corpo aponta para esta natural abertura à comunhão. Se você é homem como eu, pense comigo. Só há sentido para o nosso corpo, masculino como ele é, porque sabemos que existe o corpo feminino com sua composição e harmonia próprias. Da mesma forma o contrário: há sentido para o corpo feminino porque existe nosso corpo masculino com sua composição e harmonia próprias. Deus nos fez assim, naturalmente orientados um para o outro.

Esta comunhão se realiza de modo particular no Sacramento do Matrimônio, onde o casal se une por um amor que é Sinal do amor de Cristo pela Igreja e, assim, se abre à Mãos - Matrimôniovida. Quando um homem e uma mulher se unem através de um amor livre, total, fiel e fecundo, através do Sagrado Matrimônio, a atividade sexual se torna expressão daquilo que se vive e, portanto, está em ordem. Do contrário, a atividade sexual introduz a desordem interior e é, portanto, destrutiva. É por isso que nós, católicos, somos contra o sexo fora do Matrimônio [1].

Há, porém, todo um trabalho de desconstrução desta realidade: a ideologia de gênero. Para os ideólogos de gênero, não nascemos homem ou mulher, mas escolhemos o que queremos ser. É um pensamento obviamente autocontraditório que não se sustenta depois de cinco minutos de sinceridade consigo mesmo diante do mundo real.

Que Maria Santíssima, mulher de acordo com o Coração de Deus, nos conduza a Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, nosso Redentor.

Forte abraço, até breve!

 

 

Cf. CEC 369-384.

[1] Cf. “Pregador internacional explica amor humano a partir de João Paulo II”. Disponível em: <http://www.cancaonova.com/portal/canais/tvcn/tv/mostramateria.php?id=8816>.

 

Neste texto, abri várias linhas de reflexão. É impossível levar todas ao fim. Por isso, recomendo o estudo do trecho do Catecismo que trata do Sagrado Matrimônio (CEC 1601-1666). Além disso, recomendo os seguintes textos e vídeos:

Destrave: “Ideologia de gênero, seus perigos e alcances”. Disponível em: <http://destrave.cancaonova.com/ideologia-de-genero-seus-perigos-e-alcances>.

Pe. Paulo Ricardo:

“Feminismo, o maior inimigo das mulheres”. Disponível em: <http://padrepauloricardo.org/episodios/feminismo-o-maior-inimigo-das-mulheres>.

“Homossexualismo e ideologia gay”. Disponível em: <http://padrepauloricardo.org/episodios/homossexualismo-e-a-ideologia-gay>.

“Masculinidade, o que está acontecendo com os homens?” Disponível em: <http://padrepauloricardo.org/episodios/masculinidade-o-que-esta-acontecendo-com-os-homens> (parte 1) e <http://padrepauloricardo.org/episodios/masculinidade-o-que-esta-acontecendo-com-os-homens-de-deus> (parte 2).

O HOMEM, FIGURA PRIMORDIAL NA TEIA DA VIDA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, meus amigos!

Este é o primeiro texto do ano e agradeço a vocês todos que têm nos acompanhado até aqui. Desejo-lhes que este ano seja repleto de saúde, força e muita paz (a paz inquieta do Senhor). Proponho que firmem propósitos com Cristo e com a Igreja e não apenas promessas, persigam seus objetivos e não desistam, perseverem e alcançarão todas as suas metas.

Mas, voltando ao Catecismo, hoje refletiremos um pouco mais sobre a Criação, mais especificamente, sobre a criatura mais amada e querida por Deus: o homem, criado à sua imagem e semelhança.

Conforme reflexões anteriores, vimos a predileção de Deus por esta criatura, pois a dotou de dons que a diferem de todas as outras. Deu-lhe uma alma, dotou-o de liberdade, de inteligência, de capacidade de domínio sobre tudo o que Ele criou. Domínio esse, não no sentido de explorar ao máximo os recursos naturais, mas sim no sentido de “cultivá-los e guardá-los” para sua sobrevivência e das outras criaturas colocadas por Deus sob os cuidados do homem, selando assim uma aliança entre ele e seu Criador [1].

O próprio corpo humano é um exemplo de como a criação de Deus deveria funcionar: um complexo sistema (o corpo) formado por sistemas menores (sistema respiratório, circulatório, digestivo, nervoso e excretor) interdependentes. Quando um órgão não funciona bem, põe em risco a saúde do corpo todo, o macro sistema.

Deus confiou ao homem o direito e o dever de administrar a Terra e seus sistemas: Criação do homem_detalhea natureza, os animais e a comunidade com a qual vive. Infelizmente, a má administração dos mesmos tem colocado em risco toda a Criação, inclusive a existência do próprio homem. É como se um dos órgãos do corpo humano não estivesse funcionando bem, prejudicando todo o organismo. A exploração irracional dos recursos têm causado diversos problemas no mundo como as enchentes, a extinção de animais, a escassez de energia, a fome. O homem não tem cuidado nem mesmo do seu próprio semelhante. Segundo um estudo britânico, nós desperdiçamos por ano dois bilhões de toneladas de alimentos no mundo todo, o que seria suficiente para acabar com a fome no mundo e por que não acaba? [2] As pessoas a quem Deus confiou esta missão não a têm cumprido.

O sistema que Deus criou é perfeito. Ele deu-nos tudo! O suficiente para alimentar aos seus filhos e às outras criaturas. Deixou espaço suficiente para todos coabitarem, mas com a entrada do pecado na Criação, o homem desviou-se de sua missão e começou a não se importar mais com a fome do outro, desde que sua própria barriga estivesse cheia, quebrando a aliança selada entre Criador e criatura.

Cada ser humano, homem e mulher, faz parte do sistema perfeito criado por Deus e é chamado a participar da vida divina, a compartilhar pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus restaurando a aliança, pois só o homem é capaz de conhecer-se, de possuir-se e de doar-se livremente aos outros, de entrar em comunhão não só com os semelhantes, mas com toda a teia da vida terrena tecida por Deus [3].

O homem é constituído por corpo e alma, e esta que é, sem desprezar a importância da parte material que é o corpo, a maior semelhança entre Deus e a Pantokrator_03criatura humana, por ser sobrenatural e imortal. Ela guarda segredos e mistérios revelados por Deus sobre a missão de cada ser humano, por isso é necessário olhar para dentro de si, conhecer a própria alma para reconheça a sua responsabilidade sobre a Criação, a sua função dentro desse grande sistema no qual foi colocado. Deus não colocou nada nem ninguém neste mundo sem que tenha uma finalidade importante, mas se não olharmos para dentro de nós, se não nos conhecermos, se não nos calarmos para ouvir Deus falando às nossas almas, fatalmente não cumpriremos nosso papel no mundo, seremos nós o “órgão doente” que prejudicará o restante do “corpo”.

É necessário administrar nossa parcela de responsabilidade na teia da vida, negativamente, admitindo os erros cometidos e reparando os danos e, positivamente, não negando a missão de fazer o que deve ser feito [4].

Deus sabe por que estamos aqui, mas infelizmente quando nascemos ele não manda junto um manual de instruções que nos oriente sobre como devemos agir, o que e quando devemos fazer. Por isso precisamos ouvi-lo para que Ele mesmo nos dê as orientações. Quando oramos, nós falamos com Deus, quando lemos a Bíblia, Ele fala conosco. Fica a dica.

Abraço a todos e uma abençoada semana.

 

 

[1] MAÇANEIRO, Marcial. Religiões e Ecologia (Parte I, Cap. 5, pg. 73).

[2] JORNAL NACIONAL. Estudo diz que metade da comida produzida no mundo acaba no lixo. Disponível em: <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/01/estudo-diz-que-metade-da-comida-produzida-no-mundo-acaba-no-lixo.html>.

[3] CEC 356.

[4] MAÇANEIRO, Marcial. Religiões e Ecologia (Parte II, Cap. 5, pg. 145).

 

Recomendo: CEC 355-368.

“QUE COISA É O HOMEM, PARA DELE TE LEMBRARES?” (Sl 8,5) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá novamente, caríssimos amigos do CommunioSCJ. Que bom reencontrá-los. Depois de uma breve pausa voltamos às nossas reflexões sobre a nossa fé católica, orientados pelo Catecismo da Igreja Católica. Que o Senhor nos auxilie nessa tarefa.

Dando continuidade ao estudo sobre a Criação nos voltamos, juntamente com o Catecismo, à criação do gênero humano. Para isso remeto ao relato da criação presente no primeiro capítulo do livro do Gênesis, onde Deus se dirige ao homem A Criação do homem - Michelangelodizendo: “enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28). Nessas palavras estão presentes simultaneamente um mandato e uma herança grandiosíssimas. Elas já manifestam a crença da Igreja de que “O homem ocupa um lugar único na criação” [1]. Mas, sem dúvida, essa realidade privilegiada contrasta com a fragilidade humana. É assim que precisamos perguntar como o salmista: “Que coisa é o homem, para dele te lembrares, que é o ser humano, para o visitares?” (Sl 8,5).

Podemos responder dizendo que o ser humano é uma criatura feita à imagem de Deus (cf. Gn 1,26). Dentre todos os fatos que isso implica, o Catecismo ressalta o fato de que, por ser imagem de Deus, “o indivíduo humano tem a dignidade de pessoa: ele não é apenas alguma coisa, mas alguém” [2]. Na linguagem teológica cristã, o termo pessoa surge para indicar relação. E a grande beleza de sermos pessoas, está no fato de que assim como as três Pessoas Divinas (Pai, Filho e Espírito Santo) relacionam-se entre si, podemos também nos relacionar com Deus. Podemos “compartilhar, pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus” [3]. Perceber isso é crucial, pois a comunhão com a Santíssima Trindade é nosso fim, nossa realização.

Indo além, podemos também afirmar que o homem “é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual” [4]. O segundo capítulo do livro de Gênesis, nos dá uma pantokratorimagem belíssima dessa realidade quando mostra o homem feito do pó da terra e do sopro de Deus (Cf. Gn 2, 7). Somos a união de alma e corpo, ambas criadas e queridas por Deus, numa única natureza. Como escreveu G. K. Chesterton, expressando uma ideia do grande Santo Tomás de Aquino: “um homem não é um homem sem seu corpo, assim como não é um homem sem sua alma” [5]. A tomada de consciência desse fato também é de grande importância. Quando uma dessas realidades é diminuída ou menosprezada, a identidade do homem é desfigurada com consequências bem negativas [6].

Mas por mais que possamos evidenciar várias características, não podemos explicar “que coisa é o homem” (Sl 8, 5) olhando para nós mesmos. Pois apesar de criado por Deus, o ser humano rompeu com Ele no pecado (Cf. Gn 3). Por causa do pecado original, o homem se corrompeu, tornando-se uma criatura diferente daquela que Deus sonhou. Foi por isso que, para nos salvar, Deus assumiu a nossa natureza. Em Jesus Cristo o homem foi revelado como o Pai o pensou. Quanto mais nos afastamos de Cristo, mais nos afastamos de nossa própria humanidade. Por outro lado, se vivemos como Jesus, ou melhor, se deixamos Jesus viver em nós, correspondemos ao projeto do Pai para nossas vidas. Somos felizes!

Que meditando sobre nossa própria identidade, possamos acolher o conselho de São Bernardo de Claraval que dizia: “Reconhece-te como imagem de Deus e envergonha-te se te revestires de uma imagem estranha”. Devemos lutar para sermos como Jesus.

Que a Santíssima Virgem Maria, que gerou o Homem verdadeiro, nos auxilie a também gerarmos o Cristo em nós, a fim de que nos façamos filhos verdadeiros do Pai, e possamos contemplar a sua Glória por toda a eternidade.

Até a próxima semana.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 355.

[2] CEC, n. 357.

[3] CEC, n. 356.

[4] CEC, n. 362.

[5] CHESTERTON, G. K. São Tomás de Aquino e São Francisco de Assis. São Paulo: Madras, 2012, p. 25.

[6] O menosprezo do corpo levou ao surgimento de heresias como o maniqueísmo (século III) e o catarismo (século XI), pessimistas por natureza. Já o menosprezo da alma permitiu a criação de regimes de governo autoritários e ateus, como o nazismo e o comunismo, responsáveis por mais mortes do que qualquer outro governo ou instituição na história da humanidade.