Saudações, queridos amigos do CommunioSCJ! Sejam novamente bem vindos a esse espaço de aprofundamento da nossa fé.

Na semana anterior meditávamos sobre a criação do ser humano. Talvez alguns leitores mais atentos (ou atentas) tenham reparado que este ser (humano) é muitas vezes 7 - Michelangelo - Criação de Eva - Cappella Sistina, Vaticanodesignado como o homem. Mas e a mulher? Em uma sociedade marcada pela rivalidade entre os gêneros, esta é uma pergunta muito provável. Desta forma, é chegada a hora de, em unidade com o Catecismo, lembrarmos que quando Deus criou o ser humano, “homem e mulher ele os criou” (Gn 1,27).

A fim de nos livrarmos de eventuais complicações, talvez seja interessante distinguir os dois significados da palavra homem no relato contido no livro do Gênesis. No relato bíblico, o escritor sagrado fala de um homem utilizando o termo hebraico ‘adam (Adão), que exprime o conceito coletivo da espécie humana; designa toda a humanidade, homens e mulheres. Quando fala do homem em contraposição com a mulher, os termos hebraicos utilizados são diferentes: ‘is (macho) e ‘issa (fêmea) sublinham a diversidade sexual.

Considerando os significados dos termos utilizados, poderíamos ler o versículo 27 do capítulo 1 do livro do Gênesis como: “Deus criou o adam à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Is e issa ele os criou” (Gn 1,27). E só com este pequeno versículo, entenderíamos que “O homem e a mulher são criados, isto é, são queridos por Deus” [1]. Criados diferentes, mas iguais em dignidade, como aponta o simbolismo do autor sagrado que mostra a mulher retirada da costela, isto é, do lado, nem acima nem abaixo, do homem (Cf. Gn 2,21-22).

Entretanto, é muito fácil constatar que essa realidade criada e querida por Deus na criação, a diferença de gêneros do ser humano, sempre foi desrespeitada. No passado, o “iguais em dignidade” foi muitas vezes menosprezado no desrespeito às mulheres. No presente, é o “cridos diferentes” que é atacado em tantos movimentos que desconhecem ou rejeitam a revelação de Deus. Basta olharmos atentamente para o mundo em que vivemos (nosso presente) para percebermos como pululam tensões e acusações entre o masculino e o feminino. Mas de onde surge essa separação que vai de encontro ao projeto de nosso Criador?

É o pecado original que faz com que homens e mulheres tenham uma “natureza lesada” Ícone - Santíssima Virgem Maria[2], que acaba por distorcer e destruir o sonho de Deus para sua criação. Como aponta o Catecismo, antes do pecado, quando ainda habitavam o Paraíso, homem e mulher viviam num “estado de justiça e santidade original” [3] que permitia uma “participação na vida divina” [4]. Com isso, o ser humano era privado da morte e do sofrimento, e vivia em harmonia (consigo mesmo, com a criação e entre homem e mulher) [5]. Como veremos nas próximas semanas, foi o pecado original que destruiu toda essa belíssima realidade para qual fomos criados.

Lutando contra a revolta a Deus que temos em decorrência do pecado original, precisamos lançar um novo olhar para a relação entre homem e mulher. E este novo olhar foi brilhantemente mostrado pelo Bem Aventurado Papa João Paulo II nas suas catequeses onde apresentou a Teologia do Corpo. Em posse dessas catequeses, começamos a entender que “Não é bom que o homem [is] esteja só” (Gn 2,18). Que homem e mulher são “ao mesmo tempo iguais enquanto pessoas e complementares enquanto masculino e feminino” [6]. E que, como tão maravilhosamente expressou nosso amado Beato João Paulo II:

“O homem se tornou imagem e semelhança de Deus não só mediante a própria humanidade, mas ainda mediante a comunhão das pessoas, que o homem e a mulher formam desde o princípio” [7].

Belíssimo! Deus é Uno, embora se manifeste na Santíssima Trindade, como uma comunhão de Pessoas divinas. Assim, o ser humano é imagem de Deus enquanto é “uma só carne” (Gn 2,24) formada pela comunhão de duas pessoas: homem e mulher.

Que pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, Deus nos ajude a compreendermos e vivermos seu plano de amor. Que Ele nos dê a Graça de alcançarmos novamente a participação na vida divina perdida com o pecado original.

Uma ótima semana a todos.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 369.

[2] CEC, n. 407.

[3] CEC, n. 375.

[4] Ibidem.

[4] Cf. CEC, n 376.

[5] CEC, n. 372.

[6] Retirado da 9ª catequese do Beato João Paulo II sobre a Teologia do Corpo – Mediante a comunhão das pessoas o homem torna-se imagem de Deus – proferida em 14 de novembro de 1979. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19791114_po.html>.

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