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Depois de tantas semanas falando sobre o amor de Deus que se manifesta na Revelação e na Criação, é chegada a hora de tratar de um assunto amargo: o surgimento do mal. Infelizmente, essa criação angélica, arquitetada e difundida por Satanás e seus demônios, entrou no mundo e penetrou no coração do ser humano. O pecado nasceu!

A revolta do gênero humano contra o seu Senhor amoroso, bem como as consequências dessa escolha, são representadas com um belo simbolismo no terceiro Pecado Original - Detalhe (Capela Sistina)capítulo do livro de Gênesis. Seduzidos pela falsa promessa de ser Deus, sem Deus (Cf. Gn 3, 1-5), Adão e Eva comeram do fruto proibido num claro sinal de desobediência que custou a expulsão do jardim do Éden. Aí vemos o gênero humano que, em sua liberdade, escolheu voltar as costas para Deus e permitiu que o pecado transformasse a Criação perfeita de Deus.

Como um olhar honesto pode nos revelar, o pecado tem deixado suas marcas de destruição em toda a história do homem. Mais espantosa que essa primeira constatação, entretanto, é percebermos o aumento de pessoas “instruídas” que nesses últimos tempos defende a inexistência do pecado. Como explicar essa cegueira por parte de tantas pessoas? Quem nos explica é o Catecismo da Igreja Católica: “Sem o conhecimento de Deus que ela [a Revelação Divina] nos dá não se pode reconhecer com clareza o pecado” [1].

O pecado é inimizade com Deus, é uma revolta contra a ordem que Ele estabeleceu no mundo. Se não olhamos para o Sumo Bem, não podemos compreender a dramaticidade do mal. Ao rejeitarmos o Senhor, acabamos por rejeitar seu plano para o ser humano: dizemos não ao amor e a felicidade, e sim ao ódio e a tristeza. E isso não é claro no mundo atual. Quantos não são os tolos que se alegram com a decadência da moral cristã? Quantos não lutam contra valores perenes como o casamento monogâmico, a família, a castidade e a busca pela verdade? São muitas vezes os mesmos que lamentam a situação atual da sociedade. O que não percebem, é que abraçar o pecado e sonhar com uma sociedade melhor é uma grande contradição!

Os revolucionários malucos (com o perdão do pleonasmo) lutam para destruir a moral cristã e sonham com uma sociedade justa e igualitária. Tolice! Querem creditar os Crucificado - íconeproblemas sociais a “sistemas”, “imaturidades” e “erros”. Besteira! Se queremos melhorar a sociedade, precisamos lutar contra o pecado. Principalmente o que está dentro do nosso coração. Pois ser humano nenhum vem ao mundo sem a mancha do pecado original. Mas de que se trata isso?

Pecado original é o termo que designa não apenas o pecado cometido pelos primeiros seres humanos (o chamado “pecado originante”), mas principalmente o estado em que nos encontramos (o chamado “pecado originado”). Como nos diz o Catecismo:

“É um pecado que será transmitido por propagação à humanidade inteira, isto é, pela transmissão de uma natureza humana privada da santidade e da justiça originais. E é por isso que o pecado original é denominado ‘pecado’ de maneira analógica: é um pecado ‘contraído’ e não ‘cometido’, um estado e não um ato” [2].

Por mais que não seja agradável, precisamos compreender e aceitar a doutrina do pecado original que o Catecismo trata como “uma verdade essencial da fé” [3]. Para a Igreja de Cristo é claro que “não se pode atentar contra a revelação do pecado original sem atentar contra o mistério de Cristo” [4]. Pois se não somos marcados com o mal, a crucificação do Filho foi uma piada de mau gosto, não é? É evidente que se fomos salvos por Nosso Senhor Jesus Cristo, é porque antes dele estávamos perdidos.

Por outro lado, a consciência de nosso pecado original não pode nos levar ao desespero. Nossa natureza corrompida não acabou com o amor infinito que Deus tem por nós. “Em Cristo, segundo o propósito daquele que opera tudo de acordo com a decisão de sua vontade, fomos feitos seus herdeiros” (Ef 1,11). É certo que passaremos nossa vida na terra lutando contra o pecado. Mas se estamos com Cristo, estamos do lado que sairá vitorioso.

Que a Santíssima Virgem Maria, que por Graça foi privada do pecado original, nos ajude em nossa santificação para, com ela, desfrutarmos da Glória Celeste.

Até semana que vem!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 387.

[2] CEC, n. 404.

[3] CEC, título que precede o n. 388.

[4] CEC, n. 389.