Olá, amigos!

Continuando o tema da semana passada, que eram os vários títulos conferidos a Jesus, falaremos de mais um deles, que nos ajudará a entender um pouco mais a natureza Dele e de sua missão: Filho único de Deus.

Filho de Deus, no Antigo Testamento é um título dado aos anjos, ao povo eleito, aos filhos de Israel e a seus reis, ou seja, ao chamarem Jesus assim, ainda não reconheciam nele uma realidade transcendental, além do humano, somente era, na concepção deles, um novo rei [1].

Devemos considerar que o Messias esperado pelos judeus deveria ser um grande guerreiro capaz de formar e liderar um exército contra Roma, libertar o povo da sua opressão e retomar o trono de Israel.

Quando Jesus surgiu pregando sobre a justiça, o povo sabia que era Ele o Messias, mas não entenderam o verdadeiro teor das suas palavras, acreditavam estar próximos de um novo rei revolucionário, capaz de mobilizar multidões, que iria prepará-los para lutar pela liberdade de seu povo. Mas esse não era Jesus. Jesus era o Messias que veio servir e não ser servido.

Somente Pedro o reconheceu verdadeiramente em sua Profissão de Fé, quando Jesus Aquele que tudo regeperguntou aos discípulos, quem o povo dizia ser Ele: “Tu és o Filho do Deus vivo,” disse Pedro, mas ainda não compreendia exatamente o sentido dessas palavras, o que podemos notar, quando Jesus diz a Pedro que ele só poderia ter percebido isso porque Deus assim o revelou, pois na sua limitação humana, não conseguiria [2]. Além destas primeiras palavras, o próprio Deus o havia revelado em mais duas ocasiões solenes da vida de Jesus, no Batismo e na Transfiguração: “Eis o meu filho bem-amado”.

Jesus é o único Filho de Deus, já estava ao lado do Pai antes de toda a Criação. O Verbo se fez carne e habitou entre nós, e através dele e por Ele, nós também nos tornamos filhos adotivos de Deus [3]. Não nascemos filhos de Deus, mas através do Batismo, somos vocacionados a ser. Pelo sangue de Jesus que nos reconcilia com Deus, somos convidados a uma vida nova, longe da desobediência de Adão.

A filiação divina de Jesus se concretiza no momento máximo de sua humanidade, na Bento XVI_06sua morte, onde pôde experimentar até o fim nossas misérias. Após se libertar da matéria pôde se revelar aos discípulos na sua verdadeira natureza. Eis a razão da nossa fé cujo Deus amou tanto o mundo que enviou seu único Filho, para que todo aquele que crê não pereça, mas tenha a vida eterna [4]. Quando partiu, Jesus ergueu-nos acima de nós mesmos e abriu o mundo a Deus. Por isso os discípulos puderam transbordar de alegria quando voltaram de Betânia para casa [5]. Deus não se revelou aos homens por outro meio que não fosse Jesus Cristo. É pelo rosto do Filho que podemos conhecer o Pai.

O testemunho dos apóstolos, a quem Jesus confiou a sua Igreja chegou até nós conforme o desejo de Deus. Desde então, após Pedro, muitos conduziram a história da Igreja até hoje, chegando ao Papa Bento XVI, que nesta semana, em onze de fevereiro apresentou sua renúncia ao Pontificado. A Igreja orgulha-se de tê-lo como pastor nestes últimos anos e orgulha-se pela grande lição de humildade que calou o mundo. Muitos especulam sobre os motivos que o levaram à renúncia e muita bobagem ainda ouviremos da mídia, porém uma coisa é certa e indiscutível: a decisão que ele tomou foi fruto de muitas orações. Ele sabe que Deus tem algo maior que suas forças para a Igreja e submeteu-se à sua vontade demonstrando grande desapego.

Tenho certeza absoluta que Deus já sabe quem será o novo Papa e que este será fonte de muitas bênçãos para sua amada Igreja, assim como o foi Bento XVI que contará sempre com nosso respeito pela sua humildade, com nosso amor pela forma como conduziu-nos até agora e com nossas orações para que continue contribuindo com a nossa Igreja pelo seu exemplo e suas excelentes obras teológicas.

“Na fé, sabemos que Jesus, abençoando, tem as suas mãos estendidas sobre nós. Tal é a razão permanente da alegria cristã” (Bento XVI).

Boa semana a todos.

 

 

CIC 441-445

[1] 441

[2] M 8, 27-35

[3] Jo 1,1

[4] Jo 3, 16

[5] BENTO XVI. Jesus de Nazaré, da Entrada em Jerusalém até a Ressurreição, pg. 236.