Olá, queridos amigos do CommunioSCJ.

Nesta semana, em que fomos pegos de surpresa pelo pedido de demissão de nosso amado Papa Bento XVI, é provável que muitos de nós estejamos ainda um pouco entristecidos. Creio que isso seja natural. Manifesta o amor que temos por este homem de Deus que tanto bem fez pela Igreja de Cristo. Mas que esse momento de incerteza não tire nossa paz e esperança. Como católicos, continuemos a confiar nas palavras Jesus sobre sua Igreja: “as forças da morte não poderão vencê-la” (Mt 16,18). Confiemos porque essas palavras não são de um homem qualquer, mas do Filho de Deus, título que meditamos nesta semana, seguindo as páginas do Catecismo da Igreja Católica.

No Antigo Testamento, a expressão Filho de Deus surge para mostrar “uma filiação Ícone - JCadotiva que estabelece entre Deus e sua criatura relações de uma intimidade especial” [1]. Já no Novo Testamento, essas palavras encontram novo significado na Pessoa de Jesus Cristo. É o que nos explica o Papa Bento XVI em livro Jesus de Nazaré:

“Se as testemunhas de Jesus nos anunciaram que Jesus é o ‘Filho’, então isto não é entendido em sentido mitológico nem em sentido político, as duas interpretações que se ofereciam a partir do contexto do tempo. Ele deve ser entendido de um modo totalmente literal” [2].

Segundo a fé que recebemos da Igreja Católica, Jesus é Filho de uma forma diferente e mais profunda. É isso que o evangelista São Lucas nos mostra na narração da perda do menino Jesus, então com doze anos. Conta-nos que depois de três dias procurando por Jesus, ao encontrá-lo no Templo, Maria lhe diz: “Filho, porque agiste assim conosco? Olha, teu pai e eu estávamos angustiados, à tua procura” (Lc 2,48). E a resposta de Jesus é surpreendente: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar naquilo que é do meu pai?” (Lc 2,49). Mais uma vez é o Papa Bento XVI quem Bento XVI (13.02.2013)nos explica: “Jesus corrige-a: Eu sou com o Pai. O meu pai não é José, mas um Outro: o próprio Deus. A Ele pertenço, com Ele estou” [3].

Jesus não é filho como nós somos. O ser Filho de Jesus significa “uma perfeita comunhão de conhecimento, que é ao mesmo tempo uma comunhão de ser” [4]. Jesus é Deus. É Deus com o Pai e o Espírito Santo.

É precisamente por se colocar como Filho de Deus nesse sentido totalmente novo e profundo que Jesus foi condenado pelo Sinédrio. Embora alguns teólogos liberais façam contorcionismos lógicos para mostrar que Jesus foi morto por motivos políticos, uma leitura atenta do Evangelho nos mostra que sua condenação se deu por motivo religioso:

“O sumo sacerdote perguntou de novo: ‘És tu o Cristo, o Filho de Deus Bendito?’ Jesus respondeu: ‘Eu sou.’ […] O sumo sacerdote rasgou suas vestes e disse: ‘Que necessidade temos ainda de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia! Que vos parece?’ Então, todos o sentenciaram réu de morte.” (Mc 14,61-64). A condenação “política” diante Pilatos é apenas uma farsa, um teatro.

Se os ensinamentos e milagres de Jesus não convenceram os homens de seu tempo de que Ele possui a filiação divina, o mistério de sua Páscoa pode. “É depois de sua Ressureição que a filiação divina de Jesus aparece no poder de sua humanidade glorificada” [5]. Diante destes mistérios, reconhecemos e proclamamos, como o centurião diante de Jesus morto na cruz, que “Na verdade, este homem era Filho de Deus” (Mc 15, 39).

Que a Santíssima Virgem Maria, que gerou o Filho de Deus em seu ventre imaculado, interceda por nós, para que nos tornemos também filhos do Pai, por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém!

Um ótimo início de Quaresma.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 441.

[2] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 272.

[3] RATZINGER, J. A Infância de Jesus. São Paulo: Planeta, 2012, p. 103-104.

[4] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 288.

[5] CEC, n. 445.