Caros amigos do CommunioSCJ, mais uma vez, sejam bem vindos. Sem dúvida, o assunto mais comentado no momento é a renúncia do Santo Padre Bento XVI, apresentada aos cardeais em consistório no último dia 10. Já tive ocasião de lhes dirigir algumas palavras a este respeito quando publiquei o texto integral do anúncio [1]. Por isso, foco, neste texto, a fonte de nossa esperança, que nos ampara e ilumina, retomada hoje pelo mesmo Bento XVI no início de sua catequese: a Igreja é de Cristo [2].

E, no nosso estudo do Catecismo, estamos justamente nos perguntando quem é este Jesus Cristo. A resposta começa em olharmos os títulos que foram dados a Ele já nos Ícone - Ressurreiçãotempos apostólicos. Neste texto, em particular, nossa atenção se concentra sobre uma verdade fundamental: Jesus Cristo é o Filho de Deus.

O convívio com Jesus de Nazaré, o testemunho de suas palavras e atos, suscitaram nos apóstolos, sobretudo após a Ressurreição, a certeza de fé que n’Ele havia algo mais que um simples humano. Como o texto do Youcat nos lembra: “em toda humanidade, apenas Jesus é mais que um ser humano” [3]: Jesus é o próprio Deus. Ele mesmo o disse! (cf. Lc 22,70) Mas é interessante notar que nas ações que os apóstolos presenciaram, Jesus se revelara o Filho de Deus: “nos grandes momentos sentiam-se os discípulos abalados: isto é Deus mesmo” [4].

Isso fica evidente na oração de Jesus. Nela, Ele dirige-se ao Pai com uma intimidade que era impossível para sua época. De tal forma que “a oração de Jesus é a verdadeira origem desta expressão ‘o Filho’” [5]. E, assim, se manifesta a originalidade desta relação íntima que Jesus vive com o Pai: manifesta-se o mistério do diálogo de amor que é a Trindade.

Ora, se é assim, Deus está conosco em Jesus Cristo. O Deus imenso, vivo e Bento XVI - Missa de cinzas (2013)verdadeiro, preocupa-se conosco a ponto de vir ao nosso encontro em Jesus de Nazaré. Está claro que Deus é Amor que nos ama primeiro (cf. 1Jo 4,8.10). Por isso, “toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus” [6]. De forma que a Quaresma surge como tempo de renovação de nossa vida cristã, sempre experimentada como uma luta sob o grave risco da tibieza.

Portanto, concretamente, somos convocados pelo Santo Padre Bento XVI a redescobrir o entrelaçamento da fé e da caridade [7] a fim de que não nos contentemos com aquilo que o Espírito já produziu em nós. É este testemunho que, no meu ponto de vista, precisamos dar aos nossos contemporâneos. Assim, teremos a oportunidade de seguir o conselho de Paul Claudel: “Fala de Cristo apenas quando te perguntarem! Mas vive de tal forma que te perguntem por Cristo!” [8].

Que a Santíssima Virgem Maria nos ajude com sua materna intercessão a não esmorecermos diante das vicissitudes de nossa vida.

Um fraterno abraço a todos! Até a próxima semana.

 

 

[1] Bento XVI anuncia renúncia. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2013/02/11/bento-xvi-anuncia-demissao/>.

[2] BENTO XVI. Audiência: “Agradeço a todos pelo amor e pela oração”. Disponível em: <http://pt.radiovaticana.va/bra/Articolo.asp?c=664503>.

[3] Youcat, p. 53.

[4] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 260.

[5] Idem, p. 291.

[6] BENTO XVI. Mensagem para a Quaresma de 2013. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/lent/documents/hf_ben-xvi_mes_20121015_lent-2013_po.html>.

[7] Recomendo vivamente a leitura da Mensagem de sua Santidade Bento XVI para a Quaresma de 2013. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/lent/documents/hf_ben-xvi_mes_20121015_lent-2013_po.html>.

[8] Youcat, p. 53.

 

Artigo recomendado:

“A renúncia do Papa e os oportunistas da imprensa secular” – Por Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr. Disponível em: <http://padrepauloricardo.org/blog/a-renuncia-do-papa-e-os-oportunistas-da-imprensa-secular>.