Olá, amigos queridos!

Estamos, nesta semana, refletindo sobre a última conotação de Jesus tratada no Catecismo, o senhorio de Jesus.

No Antigo Testamento, Kýrios, que significa Senhor, era como o povo se referia a Deus, já que seu nome sagrado era impronunciável por todos os judeus.

No Novo Testamento, as pessoas reconhecem o senhorio de Jesus sobre a natureza, sobre as doenças, sobre a morte, sobre os demônios e passam a tratá-lo também por Senhor. As pessoas reconhecem a divindade de Deus agora presente em Jesus [1].

Porém, nem todo aquele que chama Jesus de Senhor garante a sua salvação. Jesus rejeita os hipócritas que invocam seu nome em vão e entregam o senhorio Kýriosde suas vidas às coisas terrestres. E quantos não são os “senhores” que possuem os corações humanos? Os vícios, o dinheiro, os bens materiais, a vaidade, o orgulho, o poder, a luxúria e tantos outros.

Chamar Jesus de Senhor é muito sério. Não é apenas uma forma de falar, é dar-lhe pleno poder para reinar em nossa vida, é confiar realmente nas palavras do Evangelho e seguir todas as instruções que Jesus deixou na Sagrada Escritura. Chamar Jesus de Senhor é reconhecer sua total soberania sobre as coisas, jamais colocá-lo em segundo plano. Não é rezar pedindo a ajuda dele hoje e amanhã “deitar e rolar” com as coisas do mundo. Ele mesmo diz que é impossível amar a dois senhores ao mesmo tempo: “ou amará um e odiará o outro e vice-versa” [2]. Ou amamos a Ele de todo coração e com toda alma e desprezamos as coisas terrestres, ou nos apegamos a estes bens materiais e espirituais (apego aos filhos, ao trabalho, até à tranquilidade, etc) e desprezamos àquele que sim deveria ser nosso senhor. Se escolhermos nos apegar a estas coisas, infelizmente não haverá espaço para Jesus, pois não podem coexistir no mesmo espaço dentro do coração humano, quando um entra, o outro sai.

Deixamos tanto nosso apego nos escravizar que não percebemos o quanto ele é danoso para a saúde da nossa alma, tanto que mesmo sofrendo, não abrimos mão dele. Mas Jesus, ao contrário, quer nos libertar, nos dar a paz que nada, nem ninguém neste mundo pode dar.

Precisamos conformar nossos pensamentos aos pensamentos de Cristo e lhe permitir que habite em nós, pense em nós e viva em nós [3]. Este é o senhorio de Jesus.

Jesus deseja libertar nosso coração de todos os apegos, dar-nos uma liberdade plena que nos ajudará a voltar para casa de Nosso Pai, pois somente num coração limpo de impurezas Jesus pode habitar.

Que Jesus assuma para Si tudo o que somos, tudo o que temos e vivemos, pois já não queremos mais que o mundo nos consuma, apenas em Ti queremos nos consumir, amém!

Boa semana a todos!

 

 

[1] Cf. DAJCZER, Tadeusz. Meditações sobre a fé, p. 42-44.

[2] Mt 6, 24

[3] Cf. DAJCZER, Tadeusz. Meditações sobre a fé, p. 42-44.