Início

“DEI-VOS O EXEMPLO, PARA QUE FAÇAIS ASSIM COMO EU FIZ PARA VÓS” (Jo 13, 15) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

Deixe um comentário

Sejam todos bem vindos ao CommunioSCJ. É uma alegria nos encontramos novamente!

Como já refletimos anteriormente, Nosso Senhor Jesus Cristo é o centro da revelação cristã. Crendo nisso, não podemos nos furtar de olhar com profunda atenção para a sua vida sobre a terra. Iluminados pelos grandes mistérios e sua Encarnação e de sua Páscoa, percebemos que toda a sua vida humana é “sacramento, isto é, o sinal e instrumento de sua divindade e da salvação que ele traz” [1]. Para isso foram escritos os Evangelhos: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome” (Jo 20, 31).

A vida de Cristo na terra tem múltiplas funções, como nos ensina o Catecismo. Ela é Ícone - CrucificaçãoRevelação o Pai e o que Ele deseja de cada um de nós, é Redenção dos nossos pecados e proporciona ainda a Recapitulação de nossa natureza humana decaída [2]. Sobretudo, “Tudo o que Cristo viveu foi para que pudéssemos vive-lo nele e para que Ele o vivesse em nós” [3]. Convida-nos a uma comunhão profunda onde vivamos por Ele, com Ele e nele.

Para que nossa vida seja comunhão com a de Cristo, é preciso que Ele seja verdadeiramente o nosso modelo. É preciso colocar em prática o mandato que nos deixa na Santa Ceia: “Dei-vos o exemplo, para que façais assim como eu fiz para vós” (Jo 13, 15). Porque se Cristo é o Filho amado no qual o Pai tem seu pleno agrado (Cf. Lc 3, 22) temos que ter consciência de que “as pessoas do agrado são aquelas que têm o comportamento do Filho” [4]. Não que Deus espere que tenhamos a capacidade de sermos perfeitos como o Filho. É que, através da ação do Espírito Santo, “o modo de agir de Jesus torna-se nosso, porque é Ele mesmo que age em nós” [5].

Agora, permitir a ação de Cristo em nossa vida é um projeto, mais que isso, uma luta, para a existência toda. Só é possível à medida que nos abrimos corajosamente a Deus através da oração e dos sacramentos, e à medida que descobrimos como Cristo viveu sua humanidade. Para a última atitude, têm grande valor a leitura das Sagradas Escrituras, especialmente os Evangelhos, e a meditação do Rosário. Diante dos mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, pautamos a nossa própria existência e aumentamos nossa comunhão com Ele.

E que não queiramos nos deter apenas nos prodígios e milagres: toda a vida de Ícone - Apresentação de Jesus no Templo (Séc. XII)Cristo é mistério, inclusive sua infância. Nascimento, apresentação no templo, visitação dos reis magos, fuga para o Egito, todos esses mistérios nos comunicam a vontade do Pai, nos redimem e acabam se tornando presentes em nossas vidas. Dentro dessa consciência, até a vida oculta de Jesus, que costuma suscitar a curiosidade de muitos, tem algo a nos dizer. Ou não é belo o fato de que a maior parte de Sua vida se deu no anonimato, na simplicidade, na família, no trabalho cotidiano, da mesma forma que as nossas? Isso revela que o Pai valoriza a vida simples que a maioria de nós vive; que através dela Ele nos redime; e que através dela Ele se faz um conosco.

Que o Tríduo Pascal que viveremos nesta semana permita que a nossa comunhão com Cristo aumente ainda mais. Uma santa e feliz Páscoa a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 515.

[2] Cf. CEC, n. 516 a 518.

[3] CEC, n. 521.

[4] RATZINGER, J. A Infância de Jesus. São Paulo: Planeta, 2012, p. 66.

[5] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 67.

Anúncios

O PAI NOS VÊ, ISSO BASTA – Por Fr. Lucas, scj.

Deixe um comentário

Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros irmãos e irmãs do CommunioSCJ, sejam, como sempre, bem vindos! Seguindo nosso caminho com o Catecismo da Igreja Católica, conforme proposto pelo Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI, para o Ano da Fé, passamos aos mistérios da vida de nosso Senhor Jesus Cristo. Providencialmente, ao mesmo tempo, chegamos à Semana Santa, ápice do Ano Litúrgico. Nela, a liturgia e a devoção popular impulsionam nosso coração na mesma direção: olhamos Jesus Cristo, Deus e homem, e vemos nele nosso Senhor, salvador e modelo.

O Catecismo, citando a Gaudium et Spes [1], afirma que Jesus Cristo “é ‘o homem perfeito’ que nos convida a tomar-nos seus discípulos e a segui-lo” [2]. Num mundo Ícone - Jesus Cristo_01que quer humanizar-se rebelando-se contra Deus e a Sua Lei inscrita na natureza, é imprescindível que saibamos com convicção que, para sermos melhores pessoas, precisamos ficar mais parecidos com Cristo e não nos afastarmos dele. Em outras palavras, ser cristão, seguir a Cristo tornando-nos seus discípulos e missionários, não contradiz nossa natureza, mas, pelo contrário, é encontrar a resposta plena para os anseios mais profundos de nosso coração.

E, sendo Jesus Cristo nosso modelo de humanidade, quero chamar a atenção para um aspecto que, por vezes, passa despercebido: “durante a maior parte de sua vida, Jesus compartilhou a condição da imensa maioria dos homens: uma vida cotidiana. Sem grandeza aparente, vida de trabalho manual, vida religiosa judaica submetida à Lei de Deus, vida na comunidade” [3].

Meus irmãos e minhas irmãs, muita atenção: Jesus Cristo viveu trinta dos seus trinta e três anos aqui nesta terra numa vida simples, humilde e escondida; de obediência ao Pai na submissão a José e Maria, de trabalho manual e convivência na família e na comunidade de Nazaré. O Filho de Deus, Um da Trindade beatíssima, na maior parte de sua vida, viveu como qualquer um de nós: anonimamente. A mim, trata-se de um sinal muito claro: o Pai nos vê. E isso basta.

Hoje, há muita gente querendo ser especial, querendo ser conhecida e reconhecida Ícone ortodoxo - Jesus Cristopor outras pessoas. Pois, o que ganha, aparentemente, uma mãe que cuida de seu lar por anos a fio? Qual a vantagem de um pai que doa sua força todos os dias para trazer para casa o pão com o suor de seu rosto? Por que perseverar na busca pelo bem e combate ao mal se ninguém, ao menos, se mostra agradecido? O Pai nos vê, isso basta.

Se hoje fosse o dia de nossa morte, de que nos adiantaria fama e dinheiro? Com o perdão da palavra, a fama pela fama é nojenta. Numa sociedade louca como a nossa, capaz de se expor ao ridículo de um BBB, simplesmente para ter fama e dinheiro, é muito fácil perceber que não vale a pena. Se para conseguir fama e dinheiro é preciso tornar-se semelhante a animais de zoológico, então é melhor viver no escondimento, pois esse tipo de fama é justamente o fracasso da vida.

Não… A degradação não é o caminho da felicidade. Pois felicidade é realização. Nesta perspectiva, há mais sucesso em humanidade no combate cotidiano que dura uma vida toda a serviço do bem e da família – esforço por ninguém visto e cujo fruto talvez não colhamos nesta vida – do que cinco minutos de fama por aparecer na TV. Aliás, o mínimo indispensável que podemos fazer é não aplaudir esse tipo de coisa. A TV não tem vontade. O computador, também não. Deveriam eles ser controlados por nós.

Que a santíssima Virgem Maria nos ilumine no caminho de uma vida escondida aos olhos dos homens, mas vivida na presença do Pai que na docilidade de nosso coração nos faz, pelo Espírito, a cada dia, mais parecidos com nosso Senhor Jesus Cristo.

Uma excelente Semana Santa a todos. Até logo.

 

 

[1] Cf. GS 38.

[2] CEC 520.

[3] CEC 531.

QUANTO VALE A VIDA HUMANA? – Por Fabiana Theodoro.

1 Comentário

Que bom estarmos juntos novamente!

Estamos celebrando a Semana Santa e nos preparando para viver o ponto máximo da Liturgia Católica: a Ressurreição de Nosso Senhor. Como diz São Paulo, se Jesus não ressuscitou, nossa fé é vã (cf. 1 Cor 15,14).

Tudo o que vivemos na Liturgia da Igreja não trata de um teatro que lembra o que aconteceu há dois mil anos, mas revive cada momento da vida de Cristo.

Nosso Senhor passou pelo nosso mundo e na maior parte de sua vida, seguia uma rotina tranquila, junto aos pais a quem tanto respeitava e amava. Jesus passou por todas as etapas da vida, mesmo sendo Deus e não se poupou de nenhum momento, crescendo em sabedoria, estatura e graça (cf. Lc 2,52).

O Evangelho não revela todos os mistérios da vida de Cristo, mas sabemos que Ele morreu porque defendeu a vida acima de tudo. Muitos foram os excluídos, os chamados impuros da época, mas Jesus mostrou à humanidade o verdadeiro valor que a vida humana tem para Deus, independente de onde e como nasceu se foi concebido por amor ou não, se nasceu normal ou com alguma deficiência. Quantos exemplos no Evangelho deste amor: O cego Bartimeu, o surdo-mudo, a pecadora caída, a samaritana e muitos outros que os Evangelhos não mencionam.

Cada homem e cada mulher é a menina dos olhos de Deus. Cada concepção é o Crucificado - íconesonho de Deus se tornando realidade. Agora, aqueles médicos, a quem o próprio Deus capacitou para salvar vidas, preservá-la acima de tudo, vêm dizer que é mais seguro para a mulher abortar antes dos três meses porque o feto ainda não sente dor? Que espécie de médicos é essa? Onde estamos vivendo? Que contradição é essa onde se dão o direito de dizer quem vive e quem morre? Contra a opinião esmagadora que é contra o aborto no Brasil, aprovaram o aborto de bebês anencefálicos, agora querem permitir o aborto de qualquer bebê com menos de três meses no ventre da mãe, para preservar a vida da mulher. Desculpem o linguajar, mas realmente estou enojada com este tipo de profissionais que têm a covardia (não posso chamar de coragem um ato como esse) de apresentar este tipo de proposta para aprovação no senado.

Com que tipo de médicos pode-se contar quando o próprio Conselho de Medicina é Gestaçãoa favor da morte? E por que razão? Não serão acordos escusos, assim como em muitos casos onde receitam remédios de determinados laboratórios para ganharem algum tipo de comissão?

Quanto vale a vida para essas pessoas?

Nosso Senhor veio defender a vida dos indefesos, mostrar o amor de Deus e isso lhe custou a vida, mas quem o segue não pode oferecer-lhe menos que isso. Jesus aceitou seu batismo de morte na cruz para que todos possuíssem a vida em abundância.

Nós somos cristãos, não podemos nos omitir quanto a esse assunto, devemos zelar pela vida como Jesus zela ainda hoje. Estou certa de que a maioria absoluta dos médicos do Brasil é realmente a favor da vida e se recusarão a qualquer tipo de atentado contra ela, mas há muitos que farão de tudo para conseguir a aprovação no Senado visando lucro para o próprio bolso.

Que o Senhor nos dê força para lutar em defesa da vida de nossas crianças que ainda não tiveram a chance de abrir seus olhos para o mundo e para poder perceber o quanto são amadas por Deus já dentro de ventre materno.

 

 

Cf. CIC 512-537.

CFM tem proposta de legalização do aborto até 3º mês de gestação. Disponível em: <http://nocache.sbt.com.br/sbtvideos/media/50c60ec8954f2deab6ee74652ff588e9/CFM-tem-proposta-de-legalizacao-do-aborto-ate-3o-mes-de-gestacao.html>.

Reportagem recomendada:
ABORTO, um mal que clama aos céus. Disponível em: <http://destrave.cancaonova.com/aborto/>.

TRÊS LIÇÕES COM A SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA – Por. Fr. Lucas, scj.

Deixe um comentário

Vivat Cor Iesu!

 

Caros irmãos e irmãs, sejam bem vindos ao CommunioSCJ! Vivemos o início do pontificado do Papa Francisco. Precisamos dar espaço para que ele seja Papa: o Espírito Santo o escolheu, nós o acolhemos com alegria e obediência filial. Outro cuidado, de nossa parte, é não enxergarmos o Papa Francisco como uma ruptura com todos os anteriores. Isso pode ser feito também através de comparações, sempre prejudiciais. O Santo Padre Bento XVI já havia nos alertado sobre os desta hermenêutica da ruptura em relação ao Concílio Vaticano II [1], mas é importante não fazermos uso deste tipo de pensamento também em relação ao nosso Papa.

A Igreja continua! E nosso projeto também. Por isso, avançando em nosso estudo do Catecismo, chegamos à figura da Virgem Maria. A fé a respeito dela se funda no mistério de Cristo e, ao mesmo tempo, o ilumina [2]. Nosso Catecismo trata a respeito da beatíssima Mãe de Deus nos números 484-511. Recomendo a leitura desses números de uma riqueza doutrinal e espiritual extraordinária. Aqui, porém, vou me deter em três pontos que julgo importantes e que podem nos ajudar no aprofundamento de nossa espiritualidade.

Um primeiro aspecto, diz respeito à virgindade perpétua da Mãe de Deus. O próprio Catecismo se refere diretamente a um verdadeiro estranhamento e uma consequente resistência em relação à virgindade maternal de Maria – já no mundo antigo, mas que, não raro ainda subsiste [3]. Trata-se de um estranhamento de quem não tem fé, ou mesmo está próximo de perdê-la. Contudo, as palavras de Bento XVI podem nos ajudar:

“Naturalmente não se podem atribuir a Deus coisas insensatas ou não razoáveis ou que estejam em contraste com a sua criação. Ora, aqui não se trata de algo não razoável ou de contraditório, mas precisamente de algo positivo: do poder criador de Deus, que abraça todo ser. Por isso, estes dois pontos – o parto virginal e a ressurreição real do túmulo – são pedras de toque para a fé. Se Deus não tem poder também sobre a matéria, então Ele não é Deus. Mas Ele possui esse poder e, com a concepção e a ressurreição de Jesus Cristo, inaugurou uma nova criação; assim, enquanto Criador, Ele é também nosso Redentor. Por isso, a concepção e o nascimento de Jesus da Virgem Maria são elementos fundamentais da nossa fé e um luminoso sinal de esperança” [4].

Portanto, o primeiro convite deste texto é um convite à fé. Deus não precisa – nem Nossa Senhora de Fátimapode – ser explicado em detalhes: haverá sempre mais a se conhecer do que conhecido. Além disso, é provável que, em nossa vida, para muitos acontecimentos, não encontremos razão alguma para o que se sucede. No entanto, nunca duvidemos da bondade e do amor misericordioso de Deus. “o rosto de Deus é o de um pai misericordioso” [5]! Por vezes, certamente, será um desafio. Mas peçamos a Deus a graça de uma fé perseverante e busquemos aderir a Ele com nossa vontade e inteligência, pois, com Ele, não ficaremos desamparados.

E aqui, encontramos justamente um segundo ponto deste texto. O mesmo Catecismo diz: “Para ser a Mãe do Salvador, Maria foi ‘enriquecida por Deus com dons dignos para tamanha função’ (LG 56)” [6]. Ele não nos desampara. Se nos pede uma árdua missão, provê, em nosso favor, toda a graça necessária para cumprirmos tal missão. Se a cruz nos parece pesada demais, creiamos, mais do que nunca Ele está próximo de nós. Por isso, podemos confiar. Confiar como a Santíssima Virgem confiou.

E tal confiança abre nossos corações para o último ponto que quero propor: a Ícone - Assunção (Dormição) de Nossa Senhoracorrespondência à Graça na livre entrega à Sua santa vontade. Ainda o Catecismo: “Ao anúncio de que, sem conhecer homem algum, ela conceberia o Filho do Altíssimo pela virtude do Espírito Santo, Maria respondeu com a ‘obediência da fé’, certa de que ‘nada é impossível a Deus’: ‘Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1,37-38). Assim, dando à Palavra de Deus o seu consentimento, Maria se tomou Mãe de Jesus e, abraçando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina de salvação, entregou-se ela mesma totalmente à pessoa e à obra de seu Filho, para servir, na dependência dele e com Ele, pela graça de Deus, ao Mistério da Redenção” [7].

É certo que, ao contrário de Maria, mãe de Jesus, nós pecamos. Mas, também no nosso caso, com o auxílio da Graça, podemos corresponder à vontade de Deus sem que nenhum pecado nos retenha. Ele não despreza nosso coração contrito e derrama largamente Seu perdão – particularmente no Sacramento da Reconciliação. “Ele nunca se cansa de perdoar, mas nós às vezes cansamo-nos de pedir perdão. Não nos cansemos jamais, nunca nos cansemos!” [8]. Arrependamo-nos, façamos penitência e, sem nos prendermos em nenhum pecado, entreguemo-nos à vontade da suma bondade.

Que a intercessão materna da Santíssima Virgem, a quem Deus encheu plenamente de Sua Graça, nos ajude a crer, confiar e nos entregarmos totalmente ao Pai, por Jesus Cristo, no Espírito Santo.

Uma abençoada semana santa a todos! Até a próxima.

 

 

[1] Cf. BENTO XVI. Discurso do Papa Bento XVI aos cardeais, arcebispos e prelados da cúria romana na apresentação dos votos de natal. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2005/december/documents/hf_ben_xvi_spe_20051222_roman-curia_po.html>.

[2] Cf. CEC (Catecismo da Igreja Católica) 487.

[3] Cf. CEC 498.

[4] RATZINGER, J. A Infância de Jesus. São Paulo: Planeta, 2012, p. 52.

[5] FRANCISCO. Angelus (17/03/2013). Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/francesco/angelus/2013/documents/papa-francesco_angelus_20130317_po.html>.

[6] CEC 490.

[7] CEC 494.

[8] FRANCISCO. Idem 5.

AVE, CHEIA DE GRAÇA! – Por Fabiana Theodoro.

Deixe um comentário

Olá, amigos!

Sejam bem-vindos, para mais uma vez, refletirmos sobre o nosso Catecismo.

Primeiramente, precisamos agradecer a Deus, por nos dar uma mãe, Maria. Uma mãe de olhar doce, sereno e rico em misericórdia, exemplo para cada cristão. Ela é exemplo de obediência, humildade, fé, completa entrega, é toda pura, é a mãe que o próprio Deus separou para si. Aquela que desde o ventre de Santa Ana, já era a escolhida para ser a mãe de Jesus e que, mesmo assim, Deus esperou pelo seu sim, respeitou o livre arbítrio que Ele mesmo deu a ela.

Nas próprias palavras do anjo Gabriel, percebemos a predileção de Deus por aquela menina: “Ave, cheia de graça” [1]. E se Maria estava cheia de graça, não havia espaço para mais nada além da graça. O mal jamais conseguiu ocupar seu coração, pois ele já estava cheio de Deus e sem espaço para mais nada.

Pensando na visita do anjo à Maria, não posso deixar de imaginar o medo que aquela menina sentiu. Não sabia o que seria dela, porém, mesmo assim, disse sim ao projeto de Deus, acolheu Jesus no seu ventre, enfrentou a dúvida de seus familiares, de seu noivo, estava disposta a enfrentar o que precisasse para ter seu filho e jamais duvidou da providência divina sempre presente em sua vida.

Depois do nascimento do pequeno Deus, ela o protegeu, o alimentou, o educou, Nossa Senhora de Lourdesesteve do seu lado até que a lança transpassou seu coração na morte de seu filho. Conservou-se virgem, como forma de entregar-se completamente a Deus, não entregou apenas uma parte de sua vida, mas sim toda ela [2]. Dedicou-se inteiramente ao cuidado de seu Filho e a Igreja a venera, não a adora, porque ela não foi uma mulher qualquer e sim foi “a mulher” escolhida por Deus, para desatar o nó do pecado de outra mulher, Eva.

Maria é parte importantíssima da nossa salvação, pela sua obediência aos desígnios de Deus, por isso a Igreja a eleva ao seu ponto mais elevado, porém mais próximo de nós [3]. Ela é exemplo de abandono e humidade, jamais desejou glória, pôs-se em seu lugar, orou em silêncio, chorou em silêncio. Ela é a imagem da serva perfeita, é a seta que nos leva, não para si mesma e sim para seu filho, Jesus Cristo. A Igreja a reconhece como rainha, não por seu mérito, mas pelo mérito de Jesus. Maria é a Mãe de Deus, rainha porque o seu Filho é rei.

A maternidade divina e virginal de Maria foi várias vezes fonte de discussão entre teólogos, porém, não se pode discutir um dogma da Igreja desacreditando nele. A fé deve sempre preceder qualquer discussão. As testemunhas, segundo o evangelista Lucas, em seu primeiro capítulo, atestaram a veracidade dos fatos, o que, aliás, foi um grande escândalo para a época, já que, ninguém acharia estranho se Jesus tivesse sido concebido da forma natural, depois da conjunção carnal entre Maria e José, porém dizer que ela continuou virgem, antes, durante e após o parto, somente à luz da fé de que Deus tudo pode e que tudo fez de forma misteriosa [4]. Tudo isso consiste no belo e intrigante mistério da nossa fé.

Maria é ao mesmo tempo Virgem e Mãe por ser a figura e a mais perfeita realização Ícone - Anunciaçãoda Igreja. A Igreja torna-se também como ela Mãe por meio da palavra de Deus que recebe na fé, pois pela pregação e pelo Batismo ela gera para a vida nova e imortal os filhos concebidos do Espírito Santo e nascidos de Deus. Ela é também a virgem que guarda íntegra e puramente, a fé dada a seu esposo [5].

Deus não precisava de nada disso, mesmo assim escolheu encarnar-se, nascer de uma mulher, viver como nós, sofrer como nós, nos amar e morrer por esse tamanho amor.

Que Nossa Senhora nos ensine a ser, como ela, obedientes, confiantes, cheios de fé, capazes de abandonar-nos completamente nas mãos do Senhor, como ela assim o fez e nos lembremos sempre de que sua vontade nunca foi engrandecer-se, mas engrandecer ao Deus a quem ela foi fiel até o fim.

 

 

CEC (Catecismo da Igreja Católica) 484-507.

[1] Lc 1, 28.

[2] Tadeucz Dajczer, Meditações sobre a fé (Cap. 2).

[3] idem.

[4] Pe. Paulo Ricardo, Curso sobre o Catecismo da Igreja Católica, Aulas 57 e 58. (Conteúdo para Assinantes).

[5] CIC 507.

“EIS A TUA MÃE” (Jo 19, 27) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

Deixe um comentário

Olá mais uma vez, queridos amigos do CommunioSCJ. Sejam bem vindos!

Nesta semana, cheios de entusiasmo, vamos nos deter na venerabilíssima figura da Santíssima Virgem Maria. É evidente que com isso não pretendemos equiparar nossa Senhora com o Filho de Deus, pois, como dizia São Luís Maria, “comparada à Majestade infinita ela é menos que um átomo” [1]. Entretanto é preciso sempre reconhecer coma a Igreja que “o que a fé ensina sobre Maria ilumina, por sua vez, sua fé em Cristo” [2].

Embora Deus, em sua Onipotência, pudesse ter vindo até nós de infinitas formas, “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de NossaSenhoraAparecidamulher” (Gl 4,4). E essa mulher é a Santíssima Virgem Maria que, escolhida e predestinada a ser aquela que daria à luz ao Salvador, “torna-se a arca da aliança, o lugar de uma verdadeira habitação do Senhor” [3]. Mas o que dizer sobre essa mulher que recebeu tão grande missão? Poderia ela, por acaso, ter recebido o Senhor em um ventre manchado pelo pecado? Obviamente não!

Quando Deus nos confere um encargo, Ele sempre nos confere também os meios de realizá-lo. Assim sendo, Maria, que recebeu a maior função dentre todos os seres humanos, foi concebida, nas palavras do anjo, “cheia de graça”. Meditando o tamanho da missão de Nossa Senhora, não parece exagerada a afirmação de São Luís Maria, quando diz: “Deus Pai ajuntou todas as águas e denominou-as mar; reuniu todas as suas graças e chamou-as Maria” [4].

Para que pudesse conceber Cristo em seu ventre, Maria “foi redimida desde a sua concepção” [5]. Ela foi desde o nascimento “preservada imune de toda a mancha do pecado original”, como diz o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX.

Para que ficasse claro que a Encarnação foi uma “iniciativa absoluta de Deus” [6], Nossa Senhora de GuadalupeMaria foi capaz de conceber o Cristo sendo virgem. Sua virgindade atesta que Jesus não é um homem como nós somos, pois foi concebido pelo poder do Espírito Santo, herdando a natureza humana de sua mãe, mas preservando sua eterna natureza divina.

Para que pudesse gerar a natureza humana de Jesus, Maria acabou se tornando a “Mãe de Deus (Theotókos)” [7]. Pois o homem que nasceu de seu ventre foi a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Filho do Pai.

Diante de todos os dons que Deus ofereceu à Santíssima Virgem, entendemos porque “a concepção e o nascimento de Jesus da Virgem Maria são elementos fundamentais da nossa fé e um luminoso sinal de esperança” [8]. Esses fatos apresentam o Deus cheio de amor que nos busca e nos salva; identificam o Deus que não só pode, mas quer operar maravilhas em nossas vidas; mostram que Deus age aqui, na carne, e não apenas no plano das ideias.

Cheios de esperança, aguardamos o dia em que estaremos juntos com o Pai, com Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Santíssima Mãe nos Céus. Sabemos que existe uma grande luta a ser travada para alcançarmos essa meta. Mas felizes nos lembramos das palavras que Cristo dirige do alto da cruz a São João e a toda a humanidade: “Eis a tua mãe!” (Jo 19, 27). Pois “a maternidade espiritual de Maria estende-se a todos os homens que ele veio salvar” [9]. Como ficarmos desanimados se sabemos que temos tão admirável Mãe que intercede continuamente por nós?

Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus!

 

 

[1] SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Petrópolis: Vozes, 2007, p. 25.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 487.

[3] RATZINGER, J. A Infância de Jesus. São Paulo: Planeta, 2012, p. 31.

[4] SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Petrópolis: Vozes, 2007, p. 30.

[5] CEC, n. 491.

[6] CEC, n. 503.

[7] CEC, n. 495.

[8] RATZINGER, J. A Infância de Jesus. São Paulo: Planeta, 2012, p. 52.

[9] CEC, n. 501.

“VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM” (CEC, 464) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

Deixe um comentário

Sejam novamente bem-vindos, amigos. Recebo-os cheio de alegria, pois temos um Papa novamente. Deus abençoe e ilumine o Santo Padre Francisco.

Seguindo nosso estudo sobre a Pessoa do Filho, nesta semana estamos refletindo sobre uma importante verdade da nossa fé: “Jesus Cristo é verdadeiro Deus e Ícone - Nascimento do Senhorverdadeiro homem” [1]. É bem verdade que escrever acerca de um tema dessa magnitude e complexidade não é tarefa fácil. Entretanto, é consolador saber que por detrás dessa pequena afirmação se encontra o cerne de nossa redenção.

O nosso precioso Catecismo da Igreja Católica nos dá uma pequena ideia de como este difícil tema levou muitos homens, das mais diferentes épocas, à confusão e ao erro. Entre os parágrafos 465 e 469 são apresentadas algumas das muitas heresias que atacaram essa verdade fundamental do cristianismo. Simultaneamente, o Catecismo nos apresenta a defesa empreendida pelo Magistério e pelos santos ao longo da história da Igreja. Mais uma prova de que, embora complexo, este tema é de suma importância para nossa salvação. Tentemos entender o porquê.

Em sua suprema sabedoria, Deus conseguiria pensar em muitas formas de perdoar nossos pecados e corrigir nossa natureza humana decaída. Mas quando Jesus Ícone - CrucifixãoCristo, a Pessoa divina do Filho de Deus, assume nossa humanidade em sua totalidade, Ele a eleva a outro patamar. Ao se fazer homem, Ele não perde sua dignidade, mas nos confere uma nova. Não nos oferece apenas uma graça sanante, capaz de nos curar do pecado original, mas também uma graça elevante, capaz de nos fazer participar de sua natureza divina. Assim somos salvos.

Por isso é importante quando o Catecismo cita a Gaudium et Spes dizendo que “a natureza humana foi assumida, não aniquilada” [2]. Embora “o Filho de Deus comunique à sua humanidade seu próprio modo de existir pessoal na Trindade” [2], sua humanidade é plena. Jesus possui não somente o corpo, mas também alma racional e vontade humanas. Caso contrário, não teria nos redimido por completo. Como diz uma antiquíssima fórmula teológica, “O que não foi assumido não foi redimido”.

Em Jesus encontramos um novo corpo ressuscitado, uma nova alma cheia da sabedoria que vem do Pai, e uma nova vontade obediente. E tudo isso nos é comunicado através de sua Graça, que é o próprio derramamento de Deus sobre nós. Mais ainda, olhando para Jesus, podemos entender como é o homem verdadeiramente. Não um homem que se fecha em si mesmo, no seu orgulho egoísta. Mas um que se abre e se entrega a Deus dizendo “não seja feita a minha vontade, mas a tua!” (Lc 22, 42).

Hoje, redimidos pelo Sangue de Cristo, temos uma nova alternativa. Podemos nos entregar total e verdadeiramente a Deus. E auxiliado pela oração, pelos sacramentos e pela intercessão da Santíssima Virgem Maria o ser humano pode, como diz a belíssima música do Padre Zezinho:

“Amar como Jesus amou

Sonhar como Jesus sonhou

Pensar como Jesus pensou

Viver como Jesus viveu

Sentir o que Jesus sentia

Sorrir como Jesus sorria” [3].

Que Deus derrame abundantemente sua bênçãos sobre cada um de nós, sobre toda a Igreja e sobre nosso Papa Francisco. Até a próxima oportunidade.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 464.

[2] Cf. CEC, n. 470.

[3] Trecho da música “Amar como Jesus amou”, Padre Zezinho, scj.

Older Entries