Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros irmãos e irmãs, sejam bem vindos ao CommunioSCJ. Depois de vermos a fumaça branca sair pela chaminé na Capela Sistina e acolhermos com alegria o Santo Padre, o Papa Francisco, continuaremos refletindo o Catecismo da Igreja Católica de acordo com nosso projeto para o Ano da Fé, convocado pelo Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI.

Neste caminho, chegamos, nesta semana, ao centro de nossa fé sobre a pessoa de Jesus Cristo: Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Lemos, no n. 469 do Jesus CristoCatecismo: “a Igreja confessa, assim, que Jesus é inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ele é verdadeiramente o Filho de Deus que se fez homem, nosso irmão, e isto sem deixar de ser Deus, nosso Senhor”.

Em outras palavras, podemos dizer que Jesus não é um ser híbrido, metade deus e metade homem, como o mitológico Hércules, por exemplo. Não. Com o Concílio de Calcedônia (451), cremos e, “na linha dos santos Padres, ensinamos unanimemente a confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto de uma alma racional e de um corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial a nós segundo a humanidade, ‘semelhante a nós em tudo, com exceção do pecado’” [1].

Este não é um tema fácil e cada um pode, por sua própria iniciativa, ler o próprio Catecismo nos n. 465-468 um breve resumo das heresias que foram levantadas nos primeiros séculos a este respeito. Contudo, o longo debate a este respeito Virgem Mariadeve ser para nós um sinal de que crer em Jesus Cristo como verdadeiro Deus e verdadeiro homem é central para nossa fé.

Em primeiro lugar, para demonstrar a eficácia da redenção operada por Ele: Jesus é o Sumo Sacerdote do grande dia da expiação [2]. Mas não só. Sendo verdadeiro homem, Jesus nos mostra a humanidade em pleno acordo com a vontade divina. É como nos diz a Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II: “na realidade, o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente (…). Ele é o homem perfeito” [3]. É Ele nossa meta, “pois Cristo é o princípio e o modelo da humanidade renovada e imbuída de fraterno amor, sinceridade e espírito de paz, à qual todos aspiram” [4].

Dessa forma, crer firmemente em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e olhar fixamente para este mistério de união entre Deus e a humanidade, é importante, também, em nossa espiritualidade cotidiana, porque vivermos na condição humana decaída, depois do pecado, e temos, por isso, alguma dificuldade em enxergar o mundo real. Concretamente, na hora da tentação, temos a impressão de que não há outra saída que não seja nos entregarmos ao pecado. Mas a humanidade de Jesus, unida firmemente à vontade do Pai nos dá a certeza de que há outra saída de que n’Ele podemos vencer, mesmo que isso nos custe muito. É mais ou menos como dizia Orígenes: “o cristão, depois de uma tentação, ou sai idólatra ou sai mártir”.

Que a Santíssima Virgem Maria nos ajude com sua materna intercessão, a fim de não esmorecermos no combate cotidiano.

Fraterno abraço a todos.

 

 

[1] CEC 467.

[2] Cf. RATZINGER, J. Jesus de Nazaré: da entrada em Jerusalém até à Ressurreição. Cascais: Principia, 2011, p. 72s.

[3] GS 22. Disponível em: <http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html>.

[4] AG 8. Disponível em: <http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decree_19651207_ad-gentes_po.html>.