Sejam novamente bem-vindos, amigos. Recebo-os cheio de alegria, pois temos um Papa novamente. Deus abençoe e ilumine o Santo Padre Francisco.

Seguindo nosso estudo sobre a Pessoa do Filho, nesta semana estamos refletindo sobre uma importante verdade da nossa fé: “Jesus Cristo é verdadeiro Deus e Ícone - Nascimento do Senhorverdadeiro homem” [1]. É bem verdade que escrever acerca de um tema dessa magnitude e complexidade não é tarefa fácil. Entretanto, é consolador saber que por detrás dessa pequena afirmação se encontra o cerne de nossa redenção.

O nosso precioso Catecismo da Igreja Católica nos dá uma pequena ideia de como este difícil tema levou muitos homens, das mais diferentes épocas, à confusão e ao erro. Entre os parágrafos 465 e 469 são apresentadas algumas das muitas heresias que atacaram essa verdade fundamental do cristianismo. Simultaneamente, o Catecismo nos apresenta a defesa empreendida pelo Magistério e pelos santos ao longo da história da Igreja. Mais uma prova de que, embora complexo, este tema é de suma importância para nossa salvação. Tentemos entender o porquê.

Em sua suprema sabedoria, Deus conseguiria pensar em muitas formas de perdoar nossos pecados e corrigir nossa natureza humana decaída. Mas quando Jesus Ícone - CrucifixãoCristo, a Pessoa divina do Filho de Deus, assume nossa humanidade em sua totalidade, Ele a eleva a outro patamar. Ao se fazer homem, Ele não perde sua dignidade, mas nos confere uma nova. Não nos oferece apenas uma graça sanante, capaz de nos curar do pecado original, mas também uma graça elevante, capaz de nos fazer participar de sua natureza divina. Assim somos salvos.

Por isso é importante quando o Catecismo cita a Gaudium et Spes dizendo que “a natureza humana foi assumida, não aniquilada” [2]. Embora “o Filho de Deus comunique à sua humanidade seu próprio modo de existir pessoal na Trindade” [2], sua humanidade é plena. Jesus possui não somente o corpo, mas também alma racional e vontade humanas. Caso contrário, não teria nos redimido por completo. Como diz uma antiquíssima fórmula teológica, “O que não foi assumido não foi redimido”.

Em Jesus encontramos um novo corpo ressuscitado, uma nova alma cheia da sabedoria que vem do Pai, e uma nova vontade obediente. E tudo isso nos é comunicado através de sua Graça, que é o próprio derramamento de Deus sobre nós. Mais ainda, olhando para Jesus, podemos entender como é o homem verdadeiramente. Não um homem que se fecha em si mesmo, no seu orgulho egoísta. Mas um que se abre e se entrega a Deus dizendo “não seja feita a minha vontade, mas a tua!” (Lc 22, 42).

Hoje, redimidos pelo Sangue de Cristo, temos uma nova alternativa. Podemos nos entregar total e verdadeiramente a Deus. E auxiliado pela oração, pelos sacramentos e pela intercessão da Santíssima Virgem Maria o ser humano pode, como diz a belíssima música do Padre Zezinho:

“Amar como Jesus amou

Sonhar como Jesus sonhou

Pensar como Jesus pensou

Viver como Jesus viveu

Sentir o que Jesus sentia

Sorrir como Jesus sorria” [3].

Que Deus derrame abundantemente sua bênçãos sobre cada um de nós, sobre toda a Igreja e sobre nosso Papa Francisco. Até a próxima oportunidade.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 464.

[2] Cf. CEC, n. 470.

[3] Trecho da música “Amar como Jesus amou”, Padre Zezinho, scj.