Olá, amigos!

Sejam bem-vindos, para mais uma vez, refletirmos sobre o nosso Catecismo.

Primeiramente, precisamos agradecer a Deus, por nos dar uma mãe, Maria. Uma mãe de olhar doce, sereno e rico em misericórdia, exemplo para cada cristão. Ela é exemplo de obediência, humildade, fé, completa entrega, é toda pura, é a mãe que o próprio Deus separou para si. Aquela que desde o ventre de Santa Ana, já era a escolhida para ser a mãe de Jesus e que, mesmo assim, Deus esperou pelo seu sim, respeitou o livre arbítrio que Ele mesmo deu a ela.

Nas próprias palavras do anjo Gabriel, percebemos a predileção de Deus por aquela menina: “Ave, cheia de graça” [1]. E se Maria estava cheia de graça, não havia espaço para mais nada além da graça. O mal jamais conseguiu ocupar seu coração, pois ele já estava cheio de Deus e sem espaço para mais nada.

Pensando na visita do anjo à Maria, não posso deixar de imaginar o medo que aquela menina sentiu. Não sabia o que seria dela, porém, mesmo assim, disse sim ao projeto de Deus, acolheu Jesus no seu ventre, enfrentou a dúvida de seus familiares, de seu noivo, estava disposta a enfrentar o que precisasse para ter seu filho e jamais duvidou da providência divina sempre presente em sua vida.

Depois do nascimento do pequeno Deus, ela o protegeu, o alimentou, o educou, Nossa Senhora de Lourdesesteve do seu lado até que a lança transpassou seu coração na morte de seu filho. Conservou-se virgem, como forma de entregar-se completamente a Deus, não entregou apenas uma parte de sua vida, mas sim toda ela [2]. Dedicou-se inteiramente ao cuidado de seu Filho e a Igreja a venera, não a adora, porque ela não foi uma mulher qualquer e sim foi “a mulher” escolhida por Deus, para desatar o nó do pecado de outra mulher, Eva.

Maria é parte importantíssima da nossa salvação, pela sua obediência aos desígnios de Deus, por isso a Igreja a eleva ao seu ponto mais elevado, porém mais próximo de nós [3]. Ela é exemplo de abandono e humidade, jamais desejou glória, pôs-se em seu lugar, orou em silêncio, chorou em silêncio. Ela é a imagem da serva perfeita, é a seta que nos leva, não para si mesma e sim para seu filho, Jesus Cristo. A Igreja a reconhece como rainha, não por seu mérito, mas pelo mérito de Jesus. Maria é a Mãe de Deus, rainha porque o seu Filho é rei.

A maternidade divina e virginal de Maria foi várias vezes fonte de discussão entre teólogos, porém, não se pode discutir um dogma da Igreja desacreditando nele. A fé deve sempre preceder qualquer discussão. As testemunhas, segundo o evangelista Lucas, em seu primeiro capítulo, atestaram a veracidade dos fatos, o que, aliás, foi um grande escândalo para a época, já que, ninguém acharia estranho se Jesus tivesse sido concebido da forma natural, depois da conjunção carnal entre Maria e José, porém dizer que ela continuou virgem, antes, durante e após o parto, somente à luz da fé de que Deus tudo pode e que tudo fez de forma misteriosa [4]. Tudo isso consiste no belo e intrigante mistério da nossa fé.

Maria é ao mesmo tempo Virgem e Mãe por ser a figura e a mais perfeita realização Ícone - Anunciaçãoda Igreja. A Igreja torna-se também como ela Mãe por meio da palavra de Deus que recebe na fé, pois pela pregação e pelo Batismo ela gera para a vida nova e imortal os filhos concebidos do Espírito Santo e nascidos de Deus. Ela é também a virgem que guarda íntegra e puramente, a fé dada a seu esposo [5].

Deus não precisava de nada disso, mesmo assim escolheu encarnar-se, nascer de uma mulher, viver como nós, sofrer como nós, nos amar e morrer por esse tamanho amor.

Que Nossa Senhora nos ensine a ser, como ela, obedientes, confiantes, cheios de fé, capazes de abandonar-nos completamente nas mãos do Senhor, como ela assim o fez e nos lembremos sempre de que sua vontade nunca foi engrandecer-se, mas engrandecer ao Deus a quem ela foi fiel até o fim.

 

 

CEC (Catecismo da Igreja Católica) 484-507.

[1] Lc 1, 28.

[2] Tadeucz Dajczer, Meditações sobre a fé (Cap. 2).

[3] idem.

[4] Pe. Paulo Ricardo, Curso sobre o Catecismo da Igreja Católica, Aulas 57 e 58. (Conteúdo para Assinantes).

[5] CIC 507.