Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros irmãos e irmãs do CommunioSCJ, sejam, como sempre, bem vindos! Seguindo nosso caminho com o Catecismo da Igreja Católica, conforme proposto pelo Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI, para o Ano da Fé, passamos aos mistérios da vida de nosso Senhor Jesus Cristo. Providencialmente, ao mesmo tempo, chegamos à Semana Santa, ápice do Ano Litúrgico. Nela, a liturgia e a devoção popular impulsionam nosso coração na mesma direção: olhamos Jesus Cristo, Deus e homem, e vemos nele nosso Senhor, salvador e modelo.

O Catecismo, citando a Gaudium et Spes [1], afirma que Jesus Cristo “é ‘o homem perfeito’ que nos convida a tomar-nos seus discípulos e a segui-lo” [2]. Num mundo Ícone - Jesus Cristo_01que quer humanizar-se rebelando-se contra Deus e a Sua Lei inscrita na natureza, é imprescindível que saibamos com convicção que, para sermos melhores pessoas, precisamos ficar mais parecidos com Cristo e não nos afastarmos dele. Em outras palavras, ser cristão, seguir a Cristo tornando-nos seus discípulos e missionários, não contradiz nossa natureza, mas, pelo contrário, é encontrar a resposta plena para os anseios mais profundos de nosso coração.

E, sendo Jesus Cristo nosso modelo de humanidade, quero chamar a atenção para um aspecto que, por vezes, passa despercebido: “durante a maior parte de sua vida, Jesus compartilhou a condição da imensa maioria dos homens: uma vida cotidiana. Sem grandeza aparente, vida de trabalho manual, vida religiosa judaica submetida à Lei de Deus, vida na comunidade” [3].

Meus irmãos e minhas irmãs, muita atenção: Jesus Cristo viveu trinta dos seus trinta e três anos aqui nesta terra numa vida simples, humilde e escondida; de obediência ao Pai na submissão a José e Maria, de trabalho manual e convivência na família e na comunidade de Nazaré. O Filho de Deus, Um da Trindade beatíssima, na maior parte de sua vida, viveu como qualquer um de nós: anonimamente. A mim, trata-se de um sinal muito claro: o Pai nos vê. E isso basta.

Hoje, há muita gente querendo ser especial, querendo ser conhecida e reconhecida Ícone ortodoxo - Jesus Cristopor outras pessoas. Pois, o que ganha, aparentemente, uma mãe que cuida de seu lar por anos a fio? Qual a vantagem de um pai que doa sua força todos os dias para trazer para casa o pão com o suor de seu rosto? Por que perseverar na busca pelo bem e combate ao mal se ninguém, ao menos, se mostra agradecido? O Pai nos vê, isso basta.

Se hoje fosse o dia de nossa morte, de que nos adiantaria fama e dinheiro? Com o perdão da palavra, a fama pela fama é nojenta. Numa sociedade louca como a nossa, capaz de se expor ao ridículo de um BBB, simplesmente para ter fama e dinheiro, é muito fácil perceber que não vale a pena. Se para conseguir fama e dinheiro é preciso tornar-se semelhante a animais de zoológico, então é melhor viver no escondimento, pois esse tipo de fama é justamente o fracasso da vida.

Não… A degradação não é o caminho da felicidade. Pois felicidade é realização. Nesta perspectiva, há mais sucesso em humanidade no combate cotidiano que dura uma vida toda a serviço do bem e da família – esforço por ninguém visto e cujo fruto talvez não colhamos nesta vida – do que cinco minutos de fama por aparecer na TV. Aliás, o mínimo indispensável que podemos fazer é não aplaudir esse tipo de coisa. A TV não tem vontade. O computador, também não. Deveriam eles ser controlados por nós.

Que a santíssima Virgem Maria nos ilumine no caminho de uma vida escondida aos olhos dos homens, mas vivida na presença do Pai que na docilidade de nosso coração nos faz, pelo Espírito, a cada dia, mais parecidos com nosso Senhor Jesus Cristo.

Uma excelente Semana Santa a todos. Até logo.

 

 

[1] Cf. GS 38.

[2] CEC 520.

[3] CEC 531.

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