Sejam todos bem vindos ao CommunioSCJ. É uma alegria nos encontramos novamente!

Como já refletimos anteriormente, Nosso Senhor Jesus Cristo é o centro da revelação cristã. Crendo nisso, não podemos nos furtar de olhar com profunda atenção para a sua vida sobre a terra. Iluminados pelos grandes mistérios e sua Encarnação e de sua Páscoa, percebemos que toda a sua vida humana é “sacramento, isto é, o sinal e instrumento de sua divindade e da salvação que ele traz” [1]. Para isso foram escritos os Evangelhos: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome” (Jo 20, 31).

A vida de Cristo na terra tem múltiplas funções, como nos ensina o Catecismo. Ela é Ícone - CrucificaçãoRevelação o Pai e o que Ele deseja de cada um de nós, é Redenção dos nossos pecados e proporciona ainda a Recapitulação de nossa natureza humana decaída [2]. Sobretudo, “Tudo o que Cristo viveu foi para que pudéssemos vive-lo nele e para que Ele o vivesse em nós” [3]. Convida-nos a uma comunhão profunda onde vivamos por Ele, com Ele e nele.

Para que nossa vida seja comunhão com a de Cristo, é preciso que Ele seja verdadeiramente o nosso modelo. É preciso colocar em prática o mandato que nos deixa na Santa Ceia: “Dei-vos o exemplo, para que façais assim como eu fiz para vós” (Jo 13, 15). Porque se Cristo é o Filho amado no qual o Pai tem seu pleno agrado (Cf. Lc 3, 22) temos que ter consciência de que “as pessoas do agrado são aquelas que têm o comportamento do Filho” [4]. Não que Deus espere que tenhamos a capacidade de sermos perfeitos como o Filho. É que, através da ação do Espírito Santo, “o modo de agir de Jesus torna-se nosso, porque é Ele mesmo que age em nós” [5].

Agora, permitir a ação de Cristo em nossa vida é um projeto, mais que isso, uma luta, para a existência toda. Só é possível à medida que nos abrimos corajosamente a Deus através da oração e dos sacramentos, e à medida que descobrimos como Cristo viveu sua humanidade. Para a última atitude, têm grande valor a leitura das Sagradas Escrituras, especialmente os Evangelhos, e a meditação do Rosário. Diante dos mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, pautamos a nossa própria existência e aumentamos nossa comunhão com Ele.

E que não queiramos nos deter apenas nos prodígios e milagres: toda a vida de Ícone - Apresentação de Jesus no Templo (Séc. XII)Cristo é mistério, inclusive sua infância. Nascimento, apresentação no templo, visitação dos reis magos, fuga para o Egito, todos esses mistérios nos comunicam a vontade do Pai, nos redimem e acabam se tornando presentes em nossas vidas. Dentro dessa consciência, até a vida oculta de Jesus, que costuma suscitar a curiosidade de muitos, tem algo a nos dizer. Ou não é belo o fato de que a maior parte de Sua vida se deu no anonimato, na simplicidade, na família, no trabalho cotidiano, da mesma forma que as nossas? Isso revela que o Pai valoriza a vida simples que a maioria de nós vive; que através dela Ele nos redime; e que através dela Ele se faz um conosco.

Que o Tríduo Pascal que viveremos nesta semana permita que a nossa comunhão com Cristo aumente ainda mais. Uma santa e feliz Páscoa a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 515.

[2] Cf. CEC, n. 516 a 518.

[3] CEC, n. 521.

[4] RATZINGER, J. A Infância de Jesus. São Paulo: Planeta, 2012, p. 66.

[5] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 67.