Olá, amigos, Feliz Páscoa a todos!

“Nossa fé seria vã, se Jesus não tivesse ressuscitado”, diz São Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios (15,13-14). A Páscoa do Senhor é tão importante para nós cristãos que não dura um dia apenas. Ela dura cinquenta dias, até a descida de Pentecostes, o fogo do Espírito Santo que impulsionou a coragem dos discípulos, que os levou a propagar a fé em todos os confins da terra [1].

Após a morte de Jesus, as esperanças dos discípulos haviam acabado. “O Mestre morreu, e agora?” O tão aclamado rei que combateria os romanos e tomaria de volta ao povo judeu a sua terra, morreu. Aquele que transmitia as palavras de Deus, que acolhia os impuros, já não estava mais entre eles.

Mas as mulheres trouxeram a notícia, “Ele ressuscitou” e mostrou ao mundo que o verdadeiro Reino, não era aqui [2]. O reino da terra passa, mas o reino Dele jamais passará.

Em sua Transfiguração, já havia manifestado sua glória às primeiras testemunhas, a quem confiou missões muito importantes: João, o discípulo que permaneceu junto de Maria na cruz até o fim, Pedro, a pedra da Igreja, o nosso primeiro Papa e Ícone - TransfiguracaoTiago, primeiro bispo de Jerusalém e primeiro mártir a derramar seu sangue em nome de Jesus.

A Transfiguração demonstra o elo entre o Antigo Testamento, na figura de Moisés e Elias e o Novo Testamento, na figura de Jesus. O Novo e o Antigo convergem para o mesmo ponto, Jesus da Galileia. E não é difícil imaginar o porquê de Pedro querer permanecer ali, junto de Jesus e dos profetas, contemplando desde já a paz do Reino de Deus [3].

Ali se manifestaram as três pessoas da Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O Pai que fala com Jesus: “Eis o meu Filho Amado, ouvi-o; o Filho envolto pela sua real majestade e o Espírito Santo na nuvem clara” [4].

Jesus também poderia ter permanecido na glória, mas ainda não concluíra a missão que o esperava, por isso lembrou a Pedro que precisavam descer e cumprir a missão que os aguardava antes de subir para a glória de Deus.

Jesus mostrou-se em sua glória, para que os apóstolos tivessem forças para suportar a grande dor que viria em Jerusalém. Eles precisariam seguir sem a presença material do Mestre, e foi na Transfiguração de Jesus que puderam abastecer-se de coragem e força para suportar tudo o que viriam a passar.

Jesus, no início de sua vida pública, foi batizado com os pecadores por João, comia com eles, aceitava as mulheres no seu grupo, amava e convivia com os impuros, mesmo sendo judeu [5]. Ele atraía a todos com um amor que não era humano, um amor maior que todos os amores, o amor ágape, o amor oblação. O amor de Deus, que nenhum ser humano é capaz de amar sozinho, pois somente o amor divino é puro assim, capaz de doar-se inteiramente, sem reservar nada para si, doando-se inteiramente para o outro.

Os discípulos, que depois saíram para evangelizar as outras nações, levaram a Ícone - Ressurreição do Senhorcerteza desse amor em si e por isso foram capazes de dar a própria vida em nome de Jesus. Confiaram na promessa Dele e despojaram-se de tudo o que os aprisionava na terra, até mesmo da própria vida.

Dar a vida para Jesus e entregar-se totalmente a Ele não é tarefa fácil. Conforme se vai caminhando com Ele e lhe abrindo o coração, Ele começa a pedir algumas renúncias. Essas renúncias vão “limpando” a alma para que possa estabelecer-se ali. E cada vez que se renuncia algo com o que Jesus não pode coabitar, abre-se mais espaço para que Jesus possa amar em nós, aquele amor que só Deus é capaz de amar.

Boa semana a todos!

 

 

[1] At 1,8.

[2] Lc 24,1-12.

[3] Mc 9,2-13.

[4] CEC 257.

[5] CEC 535.