Caros irmãos e irmãs, sejam, como sempre, muito bem vindos ao CommunioSCJ! Continuamos refletindo sobre nossa fé a partir do Catecismo da Igreja Católica, como propôs o Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI para este Ano da Fé. Assim, chegamos, nesta semana, ao centro de nossa fé: a Ressurreição de Jesus [1] enquanto ainda celebramos o Tempo Pascal.

Há muitos elementos que poderiam ser abordados sobre este assunto. E muito já Ícone - Ressurreiçãose escreveu a este respeito. Entretanto, gostaria, aqui, de abordar rapidamente um elemento que, no meu ponto de vista, faz toda a diferença: a ressurreição de Jesus é um fato histórico e transcendente.

Com efeito, lemos, no Catecismo, que “o mistério da Ressurreição de Cristo é um acontecimento real que teve manifestações historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento” [2]. Tais manifestações são o túmulo vazio e as aparições do Ressuscitado aos seus. Nelas, fica claro a identidade, que há entre o corpo crucificado e o ressuscitado, embora depois da ressurreição, o corpo de Jesus se apresentasse glorificado.

Em outras palavras, Jesus saiu da morte não pela mesma porta por onde entrou [3], ou seja, não voltou à vida mortal, mas entrou na vida eterna e definitiva glorificada em Deus. Parece óbvio dizer isso (e, realmente, é), mas acontece que hoje não é difícil encontrar alguém que se julgue bom cristão e, ao mesmo tempo, acredite que a Ressurreição de Cristo foi uma espécie de delírio coletivo dos Apóstolos: num dado momento, eles se olharam e disseram “Jesus está vivo, continuemos seu projeto” enquanto seu corpo se decompunha no sepulcro…

Mas, como seria possível anunciar na Jerusalém no séc. I a ressurreição de alguém Ícone - Tomé e Jesuscujo túmulo estava ali? É evidente que tal anúncio seria “absolutamente impossível se se pudesse referir o cadáver jacente no sepulcro” [4]. Que uma pessoa morra por sua própria alucinação, acho possível. Agora que outros deem a vida pela loucura de alguns, acho difícil. E que a Igreja subsista num delírio coletivo que dura 2000 anos, acho impossível.

Ora, se Cristo não ressuscitou, vã é nossa fé [5]. Com todo respeito, qualquer pessoa é capaz de perceber pelos textos neotestamentários que a fé dos Apóstolos estava destruída depois da Cruz e que, se algo verdadeiramente extraordinário não tivesse acontecido, a Igreja terminaria por ali mesmo. De forma que “a hipótese segundo a qual a ressurreição teria sido um ‘produto’ da fé (ou da credulidade) dos apóstolos carece de consistência” [6].

Por isso, S. Paulo, já no ano 56, testemunhava a existência de uma sólida tradição a respeito da Ressurreição do Senhor: “transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze. Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, a maioria dos quais ainda vive, enquanto alguns já adormeceram. Posteriormente, apareceu a Tiago, e, depois, a todos os apóstolos. Em último lugar, apareceu também a mim como a um abortivo” (1Cor 15,3-8).

Mas, ainda que seja um “evento histórico constatável pelo sinal do sepulcro vazio e pela realidade dos encontros dos apóstolos com Cristo ressuscitado, a Ressurreição nem por isso deixa de estar no cerne do mistério da fé, no que ela transcende e supera a história” [7]. Ou seja, é preciso que a fé nos socorra a fim de não cairmos num empirismo estéril.

Que a Virgem Maria, modelo de mulher de fé, interceda por nós a fim de não termos um coração endurecido à fé na Ressurreição de seu divino Filho.

Fraterno abraço a todos. Até breve!

 

 

[1] Catecismo da Igreja Católica (CEC) 638-658.

[2] CEC 639.

[3] CANTALAMESSA, Raniero. Justificados gratuitamente: por meio da fé no sangue de Cristo. Disponível em: <http://www.cantalamessa.org/?p=2219&lang=pt>.

[4] procurar citação

[5] Cf. 1Cor 15,14.

[6] CEC 644.

[7] CEC 647.