Sejam novamente bem vindos, amigos do CommunioSCJ. Com a Graça de Deus, continuamos a aprofundar o nosso conhecimento acerca de nossa fé.

No momento em que já vivemos metade do Ano da Fé promulgado pelo Papa Emérito Bento XVI, chegamos também à metade do nosso Credo. Guiados, como sempre, pelo Catecismo da Igreja Católica, procuremos entender melhor o significado das palavras “subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos”.

Como sabemos, depois de aparecer aos seus discípulos, Jesus Ressuscitado Ícone - Ascensão de Jesus“elevou-se a vista deles, e uma nuvem o retirou a seus olhos” (At 1,9). Mas qual é o verdadeiro significado da Ascenção de Cristo? Um olhar para a postura dos apóstolos frente a este Mistério pode nos ajudar a responder esse questionamento. O Evangelho de São Lucas nos diz que após a Ascenção, eles “voltaram para Jerusalém, com grande alegria, e estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus” (Lc 24,52-53). Ora, ao nos despedirmos de uma pessoa amada, é natural que experimentemos a tristeza. Os apóstolos, por sua vez, encontravam-se alegres. Esta constatação mostra claramente que a subida de Jesus aos Céus não consistiu em um mero afastamento, mas em uma importante ação de sua obra de Redenção.

De fato, ao voltar aos Céus, Cristo abriu uma porta que antes se encontrava fechada ao gênero humano. Após sua Ascenção podemos ter “a esperança de encontra-lo lá onde Ele, nossa cabeça e nosso princípio, nos precedeu” [1]. Mas o que seria da humanidade se Jesus, após abrir a porta dos Céus, tivesse-a abandonado à própria sorte? Embora esteja aberta, ela é uma “porta estreita” (Mt 7,13). Como atravessá-la sem o auxílio de nosso Salvador?

A alegria dos apóstolos testemunha a realidade de que Cristo, na verdade, “não Ícone - Trindade‘partiu’, mas, em virtude do próprio poder de Deus, está agora presente junto de nós e para nós” [2]. Diante da aparente separação, tanto na cruz, quanto na ascensão, ecoam as palavras de Jesus: “quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,31). Pois após ser elevado, Jesus “sentou-se à direita de Deus” (Mc 16,19). E isso não significa que Ele tenha se dirigido para um lugar. Estar “à direita do Pai” é um dado teológico e não geográfico: mostra sua “entrada no mistério de Deus” [3]. “Agora, já não se encontra em um lugar concreto do mundo, como antes da ascensão; no seu poder, que supera todo e qualquer espaço, está presente junto de todos, podendo ser invocado por todos, através da história inteira, e em todos os lugares” [4].

Assim, a alegria dos apóstolos acaba por se transformar na nossa alegria. Pois ao rezarmos este trecho de nosso Credo, saímos do passado e nos deparamos com o presente: Jesus Cristo está ao nosso lado! Embora esperemos sua vinda futura para “julgar os vivos e os mortos”, Ele vem a cada momento e nos atrai, transforma e redime no tempo presente. É a tríplice vinda do Senhor, à qual alude São Bernardo de Claraval:

“Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última, há uma vinda intermediária (…). Na primeira, o Senhor veio na fraqueza da carne; na intermediária, vem espiritualmente, manifestando o poder de sua graça; na última virá com todo o esplendor de sua glória” [5].

Quanto a nós, enquanto aguardamos a vinda definitiva, onde Cristo voltará em sua glória para instaurar o seu reino de justiça e paz de uma vez por todas, podemos nos consolar com sua vinda intermediária que se dá na oração e nos sacramentos. Cientes de que seguindo o Jesus, devemos passar por muitas provações, nos resta confiarmo-nos a este Senhor que permanece ao nosso lado. Cheios de fé e esperança, em meio a esse turbilhão de provações e consolações, podemos e devemos bradar com voz forte: “Vem, Senhor!” (Ap 22,20).

Um grande abraço a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 661.

[2] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 253.

[3] Ibidem.

[4] Ibidem, p. 254.

[5] Ibidem, p. 259.

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