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JESUS CRISTO “RESSUSCITOU AO TERCEIRO DIA, SEGUNDO AS ESCRITURAS” (1Cor 15,4) – Por Fr. Lucas, scj.

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Caros irmãos e irmãs, sejam, como sempre, muito bem vindos ao CommunioSCJ! Continuamos refletindo sobre nossa fé a partir do Catecismo da Igreja Católica, como propôs o Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI para este Ano da Fé. Assim, chegamos, nesta semana, ao centro de nossa fé: a Ressurreição de Jesus [1] enquanto ainda celebramos o Tempo Pascal.

Há muitos elementos que poderiam ser abordados sobre este assunto. E muito já Ícone - Ressurreiçãose escreveu a este respeito. Entretanto, gostaria, aqui, de abordar rapidamente um elemento que, no meu ponto de vista, faz toda a diferença: a ressurreição de Jesus é um fato histórico e transcendente.

Com efeito, lemos, no Catecismo, que “o mistério da Ressurreição de Cristo é um acontecimento real que teve manifestações historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento” [2]. Tais manifestações são o túmulo vazio e as aparições do Ressuscitado aos seus. Nelas, fica claro a identidade, que há entre o corpo crucificado e o ressuscitado, embora depois da ressurreição, o corpo de Jesus se apresentasse glorificado.

Em outras palavras, Jesus saiu da morte não pela mesma porta por onde entrou [3], ou seja, não voltou à vida mortal, mas entrou na vida eterna e definitiva glorificada em Deus. Parece óbvio dizer isso (e, realmente, é), mas acontece que hoje não é difícil encontrar alguém que se julgue bom cristão e, ao mesmo tempo, acredite que a Ressurreição de Cristo foi uma espécie de delírio coletivo dos Apóstolos: num dado momento, eles se olharam e disseram “Jesus está vivo, continuemos seu projeto” enquanto seu corpo se decompunha no sepulcro…

Mas, como seria possível anunciar na Jerusalém no séc. I a ressurreição de alguém Ícone - Tomé e Jesuscujo túmulo estava ali? É evidente que tal anúncio seria “absolutamente impossível se se pudesse referir o cadáver jacente no sepulcro” [4]. Que uma pessoa morra por sua própria alucinação, acho possível. Agora que outros deem a vida pela loucura de alguns, acho difícil. E que a Igreja subsista num delírio coletivo que dura 2000 anos, acho impossível.

Ora, se Cristo não ressuscitou, vã é nossa fé [5]. Com todo respeito, qualquer pessoa é capaz de perceber pelos textos neotestamentários que a fé dos Apóstolos estava destruída depois da Cruz e que, se algo verdadeiramente extraordinário não tivesse acontecido, a Igreja terminaria por ali mesmo. De forma que “a hipótese segundo a qual a ressurreição teria sido um ‘produto’ da fé (ou da credulidade) dos apóstolos carece de consistência” [6].

Por isso, S. Paulo, já no ano 56, testemunhava a existência de uma sólida tradição a respeito da Ressurreição do Senhor: “transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze. Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, a maioria dos quais ainda vive, enquanto alguns já adormeceram. Posteriormente, apareceu a Tiago, e, depois, a todos os apóstolos. Em último lugar, apareceu também a mim como a um abortivo” (1Cor 15,3-8).

Mas, ainda que seja um “evento histórico constatável pelo sinal do sepulcro vazio e pela realidade dos encontros dos apóstolos com Cristo ressuscitado, a Ressurreição nem por isso deixa de estar no cerne do mistério da fé, no que ela transcende e supera a história” [7]. Ou seja, é preciso que a fé nos socorra a fim de não cairmos num empirismo estéril.

Que a Virgem Maria, modelo de mulher de fé, interceda por nós a fim de não termos um coração endurecido à fé na Ressurreição de seu divino Filho.

Fraterno abraço a todos. Até breve!

 

 

[1] Catecismo da Igreja Católica (CEC) 638-658.

[2] CEC 639.

[3] CANTALAMESSA, Raniero. Justificados gratuitamente: por meio da fé no sangue de Cristo. Disponível em: <http://www.cantalamessa.org/?p=2219&lang=pt>.

[4] procurar citação

[5] Cf. 1Cor 15,14.

[6] CEC 644.

[7] CEC 647.

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“SE CRISTO NÃO RESSUSCITOU, VÃ É A NOSSA FÉ” (1Cor 15,14) – Por Fabiana Theodoro

2 Comentários

Olá, amigos do CommunioSCJ!

Alegro-me por tê-los conosco mais uma vez refletindo sobre a nossa Profissão de Fé, à qual seguimos e espalhamos pelo mundo cumprindo a missão primeira deixada a todo cristão: “Ir e evangelizar a toda criatura” [1].

Depois que Jesus passou na Mansão dos Mortos, foram as três discípulas que constataram que o sepulcro estava vazio. No primeiro momento, houve a surpresa e a indagação: “O que fizeram ao Nosso Senhor?” As mulheres chegaram aos apóstolos e contaram do anjo que lhes apareceu e o que lhes disse e ainda houve quem duvidasse do acontecimento. Mas quando Pedro chegou ao túmulo e pôde constatar com seus próprios olhos, não teve mais dúvidas em seu coração e creu: “O Senhor vive!”.

Somente o sepulcro vazio não é uma prova concreta de que Jesus ressuscitou, porém, não foi o único sinal. Seus amigos ficaram perplexos, quando Ele lhes Ícone - Ressurreição de Jesusapareceu, quando puderam tocar Nele, e quando comeu junto deles. Eles puderam ver que não era um espírito, o Mestre estava verdadeiramente, de corpo e alma glorificados junto deles. Esses fatos nos são atestados pelos homens e mulheres que o viram, por isso creram, testemunharam a verdade e deram sua própria vida por defender a veracidade destes acontecimentos.

Enquanto Jesus vivia, os Evangelhos relatam algumas ressurreições como a da filha de Naum, a de Lázaro, a do filho da viúva, porém todas estas foram provisórias, pois eles voltaram à vida humana e mais cedo ou mais tarde morreram novamente. Jesus não. Ele ressuscitou para além da vida terrena, ressuscitou para a vida celeste, onde a morte jamais o alcançaria novamente. O homem, segundo a sua natureza, foi criado para imortalidade, mas só agora com a Ressurreição, existe o lugar, o próprio Jesus, onde a alma imortal encontra o espaço, aquela corporeidade, na qual a imortalidade recebe sentido como comunhão com Deus e com toda a humanidade reconciliada [2].

“Se Jesus não ressuscitou, vã seria nossa fé” [3]. A Ressurreição de Cristo é o elo entre o Antigo e o Novo Testamento, é a certeza de que Jesus é o Filho de Deus, feito da própria essência do Pai, na verdade, o próprio Deus. Ele é o cumprimento da promessa de Deus que os profetas anunciaram, é a nova Aliança entre Deus e os homens, a plena Salvação.

Na Ressurreição de Jesus, as três Pessoas da Santíssima Trindade agem ao mesmo Ressuscitado (Painneau)tempo. O Pai, pelo seu poder, ressuscitou seu Filho, que introduziu de modo perfeito a sua humanidade, com seu corpo, na Trindade, e por obra do Espírito Santo, vivificou a humanidade morta de Jesus e a chamou ao estado glorioso de Senhor [4].

Pela Ressurreição, nós somos chamados a ressuscitar com Ele, a viver uma vida nova em Cristo. Assim como Paulo que teve sua experiência em Damasco e, através dela, passou de perseguidor dos cristãos a perseguido, nós também temos nossa experiência de amor com Jesus e a partir dessa experiência, podemos deixá-lo transformar primeiramente a nossa vida e depois a vida dos outros, através de nós. Não há forma melhor de testemunhar a Ressurreição de Nosso Senhor do que através de nossa própria experiência, de nossa própria intimidade com Ele, pois assim o fizeram os primeiros cristãos. Muitos têm outras possíveis explicações racionais e plausíveis até, mas é a minha experiência com Jesus que me faz acreditar e gritar a todos: Jesus ressuscitou, aleluia!

Boa semana a todos!

 

 

Fontes:

Catecismo da Igreja Católica (CEC) 638-655.

[1] Mt 28,18.

[2] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 222.

[3] 1Cor 15,14.

[4] CEC 648.

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