Olá, meus amigos tão queridos!

Voltamos a refletir sobre nossa valiosíssima Igreja Católica. A Igreja pela qual Jesus deu a vida e onde foi seguido por vários santos, sem os quais ela não permaneceria em pé até os dias de hoje.

Ser cristão, acima de tudo, é acolher o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo e configurar-se a Ele. É parecer-se com o Mestre que morreu para que sua Igreja fosse erguida, tornando-se sua Cabeça, assumindo-a como seu próprio Corpo, para que assim fosse um com os seus membros, o seu povo, aqueles que acreditaram e acolheram a Salvação de Cristo como a suprema verdade.

O Povo de Deus era o povo de Israel, porém, essa era apenas a preparação para a renovação, ou melhor, para a Nova e Eterna Aliança inaugurada em Jesus Cristo. Deus foi mostrando ao mundo que não era exclusivo de uma minoria, mas que era um Deus universal, preocupado em fazer ecoar não só entre os judeus, mas para toda a humanidade, a sua mensagem. Para isso, por exemplo, serviu-se dos ataques aos discípulos de Jesus, que fez com que eles se espalhassem pelo mundo, levando a fé com eles.

Jesus é Sacerdote, Profeta e Rei, e seus membros, assumem com Ele estas mesmas funções: a de Sacerdote, pois são ungidos pelo Espírito Santo em nosso Batismo para serem casa espiritual, sacerdócio santo, para, por meio de todas as suas obras, próprias do cristão, oferecer oblações espirituais e anunciar os louvores daquele que das trevas os chamou à sua admirável luz (1Pd 2,4-10). Por isso, os cristãos devem perseverar na oração e louvar a Deus, se oferecer a si mesmos como hóstias vivas, santas, agradáveis a Deus, dar testemunho de Cristo em toda a parte e àqueles que pedirem devem dar razão da esperança da vida eterna que neles habita (1Pd 3,15) [1].

Jesus é Profeta, e como Ele, seu povo deve apegar-se à fé, sem titubear. A mesma fé que os santos professaram e pela qual entregaram a vida. A fé que, apesar de Ícone - Igrejatodas as tribulações, faz seu povo continuar de pé.

Jesus é Rei, e o Seu Povo participa dessa dignidade, na medida em que reina como seu Rei. Jesus não se sentou em um trono e exigiu servos, Ele mesmo foi o maior servo que a humanidade conheceu e é neste sentido que o cristão deve reinar: servindo àqueles que mais precisarem como o Rei assim o fez. O cristão reconhece no mais fraco, no mais pobre, o seu próprio Senhor, eis a razão da alegria em servir.

Assim como Jesus é a Cabeça que comanda a Igreja, e os seus membros formam seu Corpo, não poderia faltar a Sua alma, que é o Espírito Santo. É esta alma que une o corpo, a cabeça e todos os membros, pois ele está todo presente na cabeça, todo presente no corpo e todo presente nos seus membros.

O Espírito paira pela Igreja e lhe edifica pela ação eficaz da Palavra de Deus, do Batismo, dos Sacramentos, lhe concede vida nova através das virtudes suscitadas nos fieis, cujo testemunho é capaz de mudar a vida das pessoas, pelos carismas que são concedidos não para santificação própria, mas para santificação da Igreja e que não devem ser razão de orgulho, já que possuí-los não é certeza de santificação, a qual só é conquistada através de muita luta.

A Igreja, enquanto humana, é imperfeita. Mas, mesmo assim, Deus a quis e a ama dessa forma. Mesmo com seus defeitos, dificuldades, a Igreja é a esposa amada de Cristo e como tal, deve buscar ser como Ele, sendo referência para os que ainda não o conhecem, pois só se conhece o amor de Deus, pela forma como se ama o próximo. “Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito. Que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração, visto que vocês foram chamados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos” [2].

Boa semana a todos!

 

 

CEC 781-810.

[1] Lumen Gentium (LG) 10. O Povo de Deus, disponível em: <http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html>.

[2] Cl 3,12-15.