Olá, amigos. Sejam mais uma vez bem vindos a este espaço de divulgação da nossa fé.

As ruas do país estão agitadas. Com os olhos atentos aos noticiários assistimos ao compreensível e justo sentimento de indignação da população brasileira. E embora o despertar da população esteja sendo esperado há muito tempo, precisamos ficar atentos ao perigo deste momento: o de que esse movimento social venha a servir de combustível para ideais revolucionários, tão contrários à nossa fé como o próprio demônio.

Em muitos lugares os gritos de guerra, cartazes e reivindicações deixam entrever o vazio moral em que se encontra o nosso país: uma multidão é capaz de se lançar em marcha por 20 centavos e outros interesses materiais (muitos deles justos, é verdade), mas não se sensibiliza com as milhares de crianças abortadas (assassinadas), com o ataque do governo aos valores cristãos e à família ou ao cerceamento do nosso direito de educar nossos filhos segundo nossas próprias concepções de mundo.

Muitas pessoas, certamente a maior parte delas boas e bem intencionadas, não percebem, mas seus gritos por justiça podem muito bem servir para justificar um aumento de poder por parte do Estado. Esperamos em Deus que esse movimento contrário a algo que não sabemos bem o que, não acabe dando mais força ao Estado e comprometendo ainda mais a nossa liberdade [1].

Aqui no CommunioSCJ, entretanto, não há simpatia por revoluções, não importa de que tipo sejam. Assim, seguimos como planejado a nossa programação de estudos do Catecismo para esse Ano da Fé, proclamado pelo Papa Emérito Bento XVI. Estamos refletindo sobre as chamadas notas da Igreja, isto é, as qualidades que permitem reconhecer a Igreja de Cristo. Depois de refletirmos como a Igreja á Una, Ícone de Nossa Senhorachegamos ao momento de entender porque podemos dizer que “A Igreja… é, aos olhos da fé, indefectivelmente santa” [2].

Certamente, para muitas pessoas, inclusive católicas, acreditar ainda hoje na santidade da Igreja parece uma insensatez. Basta citar essa característica básica da Igreja de Cristo para que muito comecem a vomitar pecados e erros do passado. Deixando de lado a discussão acerca da validade de algumas das informações tão amplamente difundidas, pode-se afirmar que as pessoas que se agitam e enfurecem frente à menção dessa característica da Igreja provavelmente não entendem o que ela quer dizer.

Quando se afirma que a Igreja é santa, não se pretende de modo algum sustentar que os membros da Igreja não pequem. É simplesmente óbvio e notório que tanto os leigos quanto o clero (esses mais do que gostaríamos) pecam. Entretanto, é preciso ter clareza que os pecados cometidos não pertencem à Igreja, mas sim aos seus membros. Como já discutimos, a Igreja é muito maior que os seus membros visíveis, ela é “maior que qualquer coisa no mundo; […] é realmente maior que o mundo” [3]. Critica a santidade da Igreja quem tão uma visão limitada da Igreja, isto é, quem não entende que ela é o Corpo Místico de Jesus e que, “unida a Cristo, é santificada por Ele” [4]. Também são santos a Virgem Maria, as almas dos Céus e todos os anjos. E eles também são Igreja.

Quanto aos membros da Igreja nessa terra, podemos dizer que eles são Igreja à medida que se livram do pecado, pois cada ato pecaminoso é um passo para fora da Igreja. Não é exagero dizer que um cristão só é plenamente Igreja no Céu. Aqui nesse mundo, sua vida é uma luta para alcançar essa união perfeita com Cristo, à qual chamamos santidade. Por isso a Igreja, embora seja santa, é nesta terra um lugar de acolhida dos pecadores: “É nela que adquirimos a santidade pela graça de Deus” [5].

Se a Igreja é santa, devemos nós também buscar a santidade. Foi o que Jesus pediu: “Sede, portanto, perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Mais recentemente, foi também o pedido do Papa Emérito Bento XVI à juventude: “Queridos jovens, Jesus vos chama a ser santos”. Somos pecadores, mas não podemos conviver pacificamente com essa realidade. Como membros da Igreja santa de Cristo, somos impelidos a buscar a perfeição que advém pela Graça de Deus, perfeição que se manifesta, sobretudo na virtude da Caridade, isto é, do amor.

Que a Santíssima Virgem Maria rogue por cada um de nós e pelo nosso país. Que possam acontecer as mudanças necessárias em nossas almas e na política nacional. Mas que sejam as mudanças desejadas por Deus, que conduzam a uma maior liberdade e a uma sociedade que ame mais.

Deus abençoe a todos. Deus abençoe o Brasil!

 

 

[1] Para uma visão católica sobre as manifestações, recomendamos o vídeo do Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, disponível em: <http://padrepauloricardo.org/episodios/as-manifestacoes-no-brasil>.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 823.

[3] p. 71 do Todos os caminhos levam à roma

[4] CEC, n. 824.

[5] Ibidem.