Saudações a todos vocês, amigos do CommunioSCJ. Com grande alegria, continuamos a aprofundar nossa fé ao longo das páginas do Catecismo da Igreja Católica.

Depois de meditarmos sobre o mistério da Igreja de Cristo, voltamos nossos olhares, nessas semanas mais recentes, para os membros desse instrumento de salvação. Vimos que existem diferentes formas de se ser um membro da Igreja; e que ao mesmo tempo todos eles estão unidos em Jesus, na Comunhão dos Santos. Todavia, dentre todos os membros que constituem o Corpo Místico de Cristo, seja na Terra, no Purgatório ou no Paraíso, existe um que ocupa um lugar de maior honra em virtude de sua pertença a Cristo, por ocasião de sua vinda (Cf. 1Cor 15,23): a Santíssima Virgem Maria!

A grandeza de Nossa Senhora reside no aparente paradoxo de sua figura. Pois embora ela possa ser contada entre os membros do Corpo de Cristo, ela é ao mesmo tempo a Mãe desse Corpo. Justamente por isso, Maria é mais do que uma intercessora ou um “modelo da fé e da caridade” [2], como são os outros santos e santas da Igreja. Ela desempenha um papel maior, uma ação real e concreta: Maria é também a nossa Mãe. E essa palavra não representa um mero título carinhoso, mas uma relação verdadeira e fecunda.

E esta constatação é não somente uma verdade de fé, como também uma dedução perfeitamente lógica diante de tudo o que temos refletido até aqui. Pois se Maria é a Mãe de Jesus, e Jesus é a “Cabeça do Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,18), não há Ícone - Nossa Senhora_02como negar que Maria é também Mãe da Igreja. Nas belíssimas palavras de Santo Agostinho, Nossa Senhora “é verdadeiramente a Mãe dos membros (de Cristo)… porque cooperou pela caridade para quer na Igreja nascessem os fiéis que são os membros desta Cabeça” [3]. Desta maternidade não se pode duvidar. Jesus, que é a Verdade, foi quem a instituiu. As palavras que dirigiu a São João do alto da cruz são também para toda a humanidade: “Eis aí a tua Mãe!” (Jo 19,27).

Assim entendemos o papel de Nossa Senhora em nossa vida espiritual. Sendo nossa Mãe, ela gera Cristo em nós. Sim, através de sua intercessão, no Espírito Santo, nos tornamos um com Cristo. Por isso podemos dizer com a Igreja que “pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas” [4]. E dizemos com a consciência de que essa ação maternal não é fruto das próprias forças de Maria, mas “flui dos superabundantes méritos de Cristo, repousa na Sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a força” [5].

E se é difícil entendermos como Nossa Senhora coopera com a nossa salvação, podemos iluminar as nossas dúvidas com uma bela analogia apresentada de São Luís Maria Grignion de Montfort:

“Peço-te que notes o que eu disse: os santos são moldados em Maria. Há grande diferença em fazer uma figura em relevo a golpes de martelo e de cinzel, e fazer uma figura lançando-a numa fôrma. […] Santo Agostinho chama a Santíssima Virgem ‘Fôrma de Deus’, Fôrma própria para formar e moldar deuses: ‘Sois digna de ser chamada Fôrma de Deus’. Aquele que é lançado nessa Fôrma Divina depressa é formado e moldado em Jesus Cristo e Jesus Cristo nele. Facilmente e em pouco tempo será transformado em Deus, divinizado, pois é lançado no próprio molde que formou um Deus” [6].

Lembremo-nos sempre de que essa amada Mãe foi assunta aos Céus e, estando perto do Senhor, “por sua multíplice intercessão prossegue em granjear-nos os dons da salvação eterna” [7]. E peçamos: Santíssima Virgem Maria, rogai por nós!

Uma ótima semana a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 963.

[2] CEC, n. 967

[3] LG (Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II), n. 53.

[4]. LG, n. 61.

[5] LG, n. 60.

[6] SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis (GO): Fraternidade Arca de Maria, 2012, p. 152.

[7] LG, n. 62.