Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros irmãos em Cristo Jesus, sejam, como sempre, bem vindos ao CommunioSCJ. Cumprindo nosso projeto para este Ano da Fé, de acordo com o que nos pediu o Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI, damos mais um passo no estudo do Catecismo da Igreja Católica. E, assim, chegamos ao Parágrafo 6 da nossa Profissão de Fé que aborda o tema do lugar da Virgem Maria no mistério da Igreja [1], mais especificamente da maternidade de Maria em relação à Igreja. Providencialmente, neste final de semana, a liturgia nos chama à contemplação da Virgem assunta aos céus, o que nos ajuda não apenas a entender racionalmente este mistério, mas adentrarmos mais profundamente a ele com todo nosso coração.

O Concílio Vaticano II afirma que Maria, “de modo inteiramente singular, pela Ícone moderno_Maria-Mãe-da-Igrejaobediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por este motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça” [2]. É sua união a Deus que permite que ela seja a nossa Mãe, Mãe da Igreja. Tal cooperação, aliás, não cessou com sua assunção aos céus, pois ela está em comunhão com toda a Igreja na comunhão dos santos [3]. Assim, tal cooperação perdura pelos séculos na sua maternidade em relação a nós. Esta maternidade, podemos observá-la concretamente na sua múltipla intercessão, atestada por numerosíssimos testemunhos dos fiéis que tem recorrido a ela em toda a história da Igreja, e no modelo de vida cristã que ela constitui para cada um de nós.

Ora, compreendemos melhor a maternidade da Virgem em relação a nós quando vemos o mesmo Concílio afirmar que “a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta antes a sua eficácia. Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na Sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia; de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece” [4]. Ou seja, a maternidade que Maria exerce em relação à Igreja não deriva de uma necessidade ontológica, Ícone - Imaculado Coração de Mariamas da imensa bondade de Deus que no-la deu na cruz de Cristo como socorro para que, no naufrágio desta existência, encontrássemos o porto seguro nele.

Noutro ponto de vista, Maria não é apenas nossa intercessora, advogada e Mãe na ordem da graça. Ela é nosso modelo. Diz-nos o Catecismo: “por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade” [5]. Fica claro, então, caros irmãos, que não devemos ter Nossa Senhora como uma espécie de banco, onde colocamos nossa confiança a fim de obtermos recursos para esta vida. Sua missão não consiste em nos fazer favores, mas em nos ligar a Jesus, seu divino Filho. Por isso, nossa relação filial com ela deve ir além de uma relação de barganha: somos chamados, pelo seu exemplo, a aderir de todo coração à vontade de Deus, a corresponder à obra de Jesus Cristo e às moções do Espírito Santo na fé e na caridade, de tal modo que a vida divina transborde em nós. Assim, não há dúvida que ao nos aproximarmos de Maria, encontramos um caminho seguro para o verdadeiro encontro com Jesus Cristo.

Que a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, nos ajude, por seu exemplo e por sua intercessão, a viver cada dia mais unidos a Jesus Cristo, nosso Senhor.

Fraterno abraço a todos. Até breve!

 

 

[1] Catecismo da Igreja Católica (CEC) 963-975.

[2] Lumen Gentium (LG) 61.

[3] Mistério que estudamos na semana passada. Cf. “Creio na Comunhão dos Santos – Por Fr. Lucas, scj”. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2013/08/10/creio-na-comunhao-dos-santos-por-fr-lucas-scj/>.

[4] LG 60.

[5] CEC 967.

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