Olá, amigo!

Que bom nos encontrarmos novamente para continuar nossa reflexão sobre a Bem-aventurada, Virgem Maria.

Maria nos precede na “peregrinação da fé” [1], e é seu exemplo mais perfeito. Ela é o caminho seguro que leva ao Filho, quem a seguir não terá outro destino senão o céu já alcançado por ela, pois se cumpriu em sua vida, a benção pronunciada por Isabel: “Bendita Aquela que acreditou” [2].

De forma alguma, Maria quis equiparar-se a Jesus, muito pelo contrário, sua vida foi um grande exemplo de humildade, fé, oração e abandono à vontade de Deus, mesmo quando estava com seu coração trespassado de grande dor [3].

Maria não entendia, a princípio, os propósitos de Deus para sua vida, o Filho de Deus nascido num estábulo, ter que fugir com ele para salvá-lo da morte, mas manteve-se sempre em oração, com ela, aprendeu a silenciar e a guardar tudo em seu coração, até que fosse capaz de interpretar de modo correto os acontecimentos [4]. Nada na vida de Maria foi fácil, mas ela soube ser uma mulher de verdade, assumindo as decisões que tomara e enfrentando todos os desafios Ícone - Anunciação 02de forma serena, abandonando-se completamente nas mãos de Deus.

O “sim” mais difícil de Maria, foi aquele que ela disse aos pés da cruz. Quando uma pessoa tem uma vida espiritual avançada, declara-se pronta para se sacrificar se for preciso [5], como o fizeram muitos mártires, porém, ela aceitou também o sofrimento de seu amado filho. Foi crucificada e torturada junto Dele. Todos os pregos, que perfuraram o corpo de Jesus, perfuraram-na interiormente. Somente uma mulher de muita fé é capaz de tamanho sacrifício, tamanho abandono em Deus, ela não “arredou o pé”, permaneceu ali junto do Filho até o fim. O “fiat” (faça-se) de Maria faz dela a Mãe da Igreja, a Mãe de todos nós [6]. Quem mais seria capaz de suportar tamanha dor, o sacrifício da vida de um filho em prol de pecadores?

Sabemos que Deus escolheu Maria e a amou de uma forma muito especial, porém, exigiu dela decisões e renúncias muito difíceis, não a poupou do sofrimento, mas ela jamais deixou de crer.

Quanto mais próximo de Deus o discípulo estiver, mais Ele o exigirá; é assim que trata seus amigos, não por ser um Deus cruel, mas porque não quer um amor interesseiro, quer um amor capaz de renunciar a sua própria vontade para seguir a Dele, demonstrando sua fidelidade e amor assim como Maria fez. As renúncias libertam o coração para amar verdadeiramente. Quanto maior seu abandono, mais conseguirá ser amado por Jesus e o deixará tomar conta da sua vida.

O culto à Virgem Maria é o respeito que todo filho da Igreja Católica tem pelo sofrimento de Maria, pela sua capacidade de amar, de se doar pelos filhos até o fim. Ela caminha conosco, não está distante de nós, nos orienta no caminho da santidade e nos ensina a ser cristãos. Ela nos ensina a amar verdadeiramente, entendendo que as pessoas que amamos não nos pertencem, são de Deus e cada uma tem o seu destino junto aos irmãos em Cristo. Prepare-se, pois quanto mais se envolver nas coisas de Deus, mais Ele provará teu coração e mais te ensinará a depender somente Dele. Não desista, seja forte, como Maria foi, pois a recompensa do céu vale mais do que tudo nesta vida.

E se, por acaso achar que a dor é insuportável, conte com a intercessão de Maria. Lembre-se das Bodas de Caná [7].

Um abraço a todos, boa semana!

 

 

CEC 971-975

[1] Lumen Gentium (LG) 58.

[2] Lc 1,45.

[3] Lc 2,35.

[4] TADEU DJACZER, Meditações sobre a fé.

[5] idem.

[6] ibidem.

[7] Jo 2,1-11.

Anúncios