Olá, queridos amigos do CommunioSCJ. Sejam bem-vindos.

Seguindo as páginas do Catecismo começamos, na semana passada, a olhar com imenso carinho para a figura da Santíssima Virgem Maria. Partilho com vocês que depois de publicado o texto onde meditava sobre a maternidade dessa amada Senhora, me dei conta de como a rica Liturgia da Igreja volta regularmente nossos olhos para essa boa Advogada. Reparei que só neste mês de agosto, celebramos a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, no dia 15, e a memória de Nossa Senhora Rainha, no dia 22.

Paulo VI não estava de modo algum exagerando quando afirmou que “a piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão” [1]. São muitas as celebrações feitas em sua memória o longo do ano. E todas elas são sinal da nossa gratidão: pelo seu precioso sim, pela sua maternidade espiritual, pela sua proteção. Elas são tempos fortes para recorrer à sua poderosa intercessão. São memórias, festas e solenidades nas quais a Igreja se atém fielmente às palavras proferidas por Maria diante de Isabel: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1, 48).

O culto à Santíssima Virgem não é, evidentemente, da mesma natureza do que o culto que prestamos a Nosso Senhor Jesus Cristo, com o Pai e o Espírito Santo. Mas para a Igreja, ficou claro desde o início que, embora Maria seja infinitamente menor que Deus, sua participação singular no mistério da salvação faz dela um grande auxílio no caminho rumo ao Salvador. Justamente por isso, “desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de ‘Mãe de Deus’, sob cuja proteção os fiéis se abrigam em todos os seus perigos e necessidades” [2]. A Igreja sabe, há muito tempo, que o grande benefício de se confiar à Nossa Senhora é que ela nos confia ao próprio Deus.

Muitos podem insistir que é possível se unir a Deus sem intermediários. Mas como menosprezar o caminho que o próprio Deus escolheu para chegar até nós? “O Ícone - Virgem Maria_2Inacessível aproximou-se, uniu-se estreitamente e até pessoalmente à nossa humanidade por intermédio de Maria, sem nada perder de sua majestade. É também por Maria que nos devemos aproximar de Deus e unir-nos à Divina Majestade perfeita e estreitamente, sem receio de sermos repelidos” [3].

Um olhar atento para a história da Igreja mostrará que foram muitos os homens e mulheres que se tornaram melhores, que se santificaram, sob os cuidados e a proteção de nossa Mãe amada. E isso não é uma hipótese; é um fato. Se consultarmos, por exemplo, a lista de membros das Congregações Marianas, cuja fundação data de 1563, teremos prova dessa fecunda devoção. Dentre aqueles que escolheram viver o cristianismo através de uma consagração especial à Virgem Maria, se encontram muitos dos nossos santos e santas: São Francisco de Sales, São Gabriel da Virgem Dolorosa, São João Batista de la Salle, São Luís Gonzaga, Santa Madre Paulina, Beata Madre Teresa de Calcutá, Santo Antônio de Santana Galvão, Santa Bernadette Soubirous, Beato João Paulo II e muitos outros eram congregados marianos [4]. Além disso, a grande maioria dos Papas eleitos após 1563 eram também congregados marianos.

Sejamos honestos: não há como negar que aqueles que se recorrem à Santíssima Virgem renovam suas forças para viver a radicalidade do Evangelho. Ao se entregar à Nossa Senhora, aumentam as graças adquiridas pela sua poderosa intercessão. Tendo a Rainha dos Céus como modelo, logo começam a se aproximar de seu Filho. Maria é, de fato, um precioso ícone para cada um de nós: através dela podemos fazer um encontro com o Cristo!

Que a vida da Santíssima Virgem seja um exemplo para cada um de nós, seus filhos. Mas que seja também uma grande esperança. Pois depois de combater o bom combate (Cf. 2Tm 4, 7) ela foi assunta aos Céus onde está glorificada em corpo e alma. O que já é realidade na vida da Santíssima Virgem, esperamos em Deus que seja também na nossa vida futura. Nossa Senhora, rogai por nós!

Grande abraço a todos!

 

 

[1] MC (Exortação Apostólica Marialis Cultus), n. 56.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 971.

[3] SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis (GO): Fraternidade Arca de Maria, 2012, p. 111.

[4] Cf. VAZ, J. C. L. Santos: Vida e Fé. Petrópolis (RJ): Vozes, 2008.

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