Olá, amigos!

Que bom estarmos juntos novamente, refletindo sobre o nosso Catecismo. Falaremos hoje sobre um grande motivo de divergência entre católicos e protestantes, o Purgatório.

Pela morte de Jesus, nós fomos todos salvos, porém, Jesus não contradiz o nosso livre arbítrio. Ainda podemos escolher se aceitamos ou não esta salvação.

Por mais que amemos a Deus e busquemos seguir os passos de Jesus, ainda há em nós a tendência para o pecado. Vivemos a vida inteira em conflito, entre o bem Ícone - Juízoe o mal, até chegar a hora do Juízo, onde seremos sentenciados de acordo com nossas ações. Alguns viveram inteiramente para Deus, até conseguimos pensar facilmente em algumas dessas pessoas, que foram diretamente para o Paraíso. Outros se voltaram contra o amor de Deus, preferiram fazer o mal no mundo e foram direto para o inferno. Mas, a maioria de nós vive entre o bem e o mal, quer ser fiel a Deus, mas se percebe pecador. É para esses, o fogo purificador, a nossa esperança diante da insignificância humana perante Deus.

O Papa Emérito, Bento XVI, recorda-nos que o Purgatório não é “um lugar” depois da morte, mas sim “o caminho em direção à plenitude através de uma purificação completa”. Não é um fogo exterior, mas interno. “É o fogo que purifica as almas no caminho da plena união com Deus” [1].

Santa Catarina de Gênova, na visão que teve sobre o Purgatório, assim como o Filho Pródigo que retorna à casa do Pai, após viver uma vida desregrada e o encontra de braços abertos, pôde sentir o amor do Pai e sua infinita misericórdia, ao mesmo tempo em que se confrontava com sua alma medíocre e pecadora. Ela não parte do além para contar os tormentos do purgatório e indicar depois o caminho da purificação ou a conversão, mas parte da sua “experiência interior caminhando rumo à eternidade” [2].

O fogo que simultaneamente queima e salva é o próprio Cristo, o Juiz e Salvador. Ante o seu olhar, toda falsidade é eliminada. É o encontro com Ele que, queimando-nos, nos transforma e liberta para nos tornar verdadeiramente nós mesmos. As coisas edificadas durante a vida podem então revelar-se palha seca, pura fanfarronice e desmoronar-se. Porém, na dor deste encontro, no qual o impuro e o nocivo em nós se tornam evidentes, está a salvação. O seu olhar, o toque do seu coração cura-nos através de uma transformação certamente dolorosa, como pelo fogo. “Contudo, é uma dor feliz, em que o poder santo do seu amor nos penetra como chama, consentindo-nos no final sermos totalmente nós mesmos e, por isso mesmo totalmente de Deus” [3].

Rezemos pelos mortos para que possam ser acolhidos pelo Senhor e recebidos no céu puros, como o Senhor é puro. Afinal, Ele não abrirá as portas de sua casa para alguém que esteja “coberto de lama”, há de se lavar primeiro. E que bom que mesmo em meio ao pecado, Ele ainda nos oferece a oportunidade de estar junto Dele.

Que a divina misericórdia de Deus nos envolva e sua graça nos leve à Salvação, Amém!

Boa semana a todos!

 

 

[1] Purgatório é um fogo interior, esclarece o Papa, disponível em: <http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/purgatorio-e-um-fogo-interior-esclarece-o-papa,1c487227b94fa310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html>.

[2] idem.

[3] Papa Emérito BENTO XVI, Spe salvi, 47. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20071130_spe-salvi_po.html>.

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