Olá, amigos!

Confesso a vocês que refletir sobre os textos do Beato Papa João Paulo II têm sido um prazer e tanto. Ele era um grande filósofo personalista e a inspiração divina está, sem dúvida alguma, presente na Teologia do Corpo proposta por ele. Ajuda-nos a entender o ser humano a partir do amor de Deus, a olhar para nós mesmos como Ele nos olha. Sem dúvida, nosso amado Papa nos deixou um grande tesouro.

O Beato Papa João Paulo fala deste assunto em cento e vinte e nove catequeses; foram quase cinco anos de estudos e reflexões, e mesmo depois de quase trinta anos, a Teologia do Corpo, apesar de pouco conhecida, é um tema super atual, nos ajuda a entender a verdadeira razão pela qual fomos criados e o valor de cada um como ser humano.

Após a revolução sexual dos anos sessenta, muitos jovens, perseguindo uma falsa ideia de liberdade, começaram a combater as tradições taxando-as como “antiquadas” e a tratar o sexo como uma busca incansável de prazer e só. O principal problema dessa nova forma de pensar é a desvalorização da pessoa, que trata a si e ao outro como objetos. Como ser feliz assim?

Essa falsa liberdade não faz ninguém feliz, pode trazer uma alegria momentânea, mas não a felicidade plena que só a comunhão com Deus pode dar. Toda luz que Deus colocou na pessoa se vai, o olhar se volta para baixo, fixa-se no chão para colher migalhas de atenção e de carinho, deixando de olhar para o céu e buscar o essencial, o verdadeiro amor e a verdadeira felicidade que só o nosso Criador pode nos dar.

Voltando ao princípio de tudo, à Criação do mundo, no momento em que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança [1]. Precisamos nos ater aos detalhes desta afirmação: “criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança”. Deus não criou apenas o homem ou apenas a mulher semelhantes a Si, mas os dois para a perfeita unidade, criados um para o outro, criados pelo Amor e para o amor.

A Teologia do Corpo está inscrita no próprio corpo humano, feito homem e feito mulher, cada um com sua particularidade buscando a outra parte que se encaixa tanto física quanto espiritualmente, e quando se unem, unem-se também ao seu Criador, vivendo finalmente a verdadeira paz, o verdadeiro amor.

A relação homem e mulher é um ato sagrado onde Deus se faz presente, não pode ser banalizada: nós somos o dom de Deus, não objetos descartáveis. Muitos pensadores antigos, como Aristóteles, Platão, Plotino julgavam o corpo como algo ruim, como “prisão da alma”, o que contraria a visão cristã, pois o próprio Deus se fez carne como nós [2]. Poderia Ele ter se manifestado de muitas formas, mas escolheu ser “carne” como nós.

Nas próximas semanas nos aprofundaremos mais, fique conosco. Boa semana, Deus os abençoe!

 

 

[1] Gn 1,27-28.

[2] Jo 1,14.

 

REFERÊNCIAS:

JOÃO PAULO II. Audiência geral, quarta-feira, 12 de setembro de 1979, “Na primeira narrativa da criação encontra-se a definição objetiva do homem”. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19790912_po.html>.

Pe. PAULO RICARDO. Teologia do Corpo. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=ujs9UCVapsQ>.

FELIPE AQUINO. Teologia do Corpo – Parte I. Disponível em: <http://cleofas.com.br/serie-teologia-do-corpo-parte-1/>.