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SENHOR, QUE O NOSSO CORAÇÃO REPOUSE SEMPRE EM TI! – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Continuando nosso ciclo de reflexões com João Paulo II sobre a Teologia do Corpo, falaremos hoje sobre a solidão original do homem.

Conforme vimos nos últimos textos, após a criação, Deus colocou diante do homem todos os animais para que o homem desse a cada um deles um nome. No fim, Adão percebeu que nenhum deles era igual a ele, percebeu então que estava só [1].

Antes da mulher, ele era chamado Adam, que significa homem. Somente após o surgimento dela, ele passou a ser chamado “is” que significa macho e a mulher “issam”, porque veio do homem. Em Gn 2, a narrativa da solidão do homem se refere a “adam” e não a “is”, ou seja, se refere a solidão enquanto homem e não só enquanto macho.

“O contexto completo daquela solidão de que fala o Gênesis 2, 18, pode convencer-nos que se trata aqui da solidão do homem (macho e fêmea) e não apenas da solidão do homem-macho, causada pela falta da mulher. Parece, por conseguinte, com base no contexto inteiro, que esta solidão tem dois significados: um que deriva da própria criatura do homem, isto é, da sua humanidade (o que é evidente na narrativa de Gên. 2), e o outro que deriva da relação macho-fêmea, o que é evidente, em certo modo, com base no primeiro significado” [2].

A solidão do homem é muito mais profunda do que a busca por uma relação entre seres da mesma espécie. Embora, nenhum ser humano tenha sido feito para viver só, significa mais que isso, é a busca pelo seu Criador. Uma das frases que melhor define essa busca foi dita por Santo Agostinho: “Inquieto está nosso coração enquanto não repousa em Ti, Senhor!” [3].

Ora, como andam os corações humanos? Buscam incessantemente Deus e nem sabem disso. As pessoas buscam os prazeres da carne, das drogas, do consumo excessivo, dos relacionamentos frustrados e continuam buscando sem saber que é a Deus que procuram. Somos de Deus e para Ele voltaremos um dia, mas precisamos abrir os olhos porque só o Senhor nos dará repouso pelo qual tanto ansiamos.

Santo Agostinho representa bem o homem moderno com suas angústias, sua ânsia em descobrir a verdade, sua inquietude, seus desejos. Cercado pelas coisas do mundo demorou a perceber o que realmente preencheria sua vida, mas quando percebeu, teve sua vida completamente transformada, encontrou a verdadeira felicidade.

Então, que nós possamos buscar cada dia mais Àquele que nos espera, que nos ama e que tanto nos quer de volta.

 

 

[1] Gn 2,19.

[2] JOÃO PAULO II, AUDIÊNCIA GERAL, 10 de Outubro de 1979, O significado da solidão original do homem, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19791010_po.html>.

[3] SANTO AGOSTINHO, Confissões, I,1.

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JESUS QUER QUE VOLTEMOS À PUREZA ORIGINAL, COMO ERA NO PRINCÍPIO – Por Fabiana Theodoro.

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Olá amigos!

Nos últimos textos, sob a visão do Beato Papa João Paulo II, começamos a perceber o sentido da criação do homem e da mulher. Deus os fez por amor e para o amor, colocou-os sobre a terra, submeteu a eles todos os animais, deu-lhes todo o fruto, dotou-os de inteligência e capacidade de amar, diferente do que fez com as outras criaturas.

Comecemos então nossa reflexão pelo princípio, as narrativas da criação presentes no primeiro livro das Sagradas Escrituras, o livro do Gênesis. Antes de tudo, é necessário compreender que o primeiro e o segundo capítulos são duas narrativas independentes e que o segundo foi escrito bem antes do primeiro em contextos diferentes.

O primeiro capítulo é mais objetivo, fala da criação do mundo em sete dias, na qual o homem e a mulher são a sua última e mais importante obra. Entre tudo o que Deus fez, nenhuma outra criatura foi feita à Sua imagem e semelhança [1].

O segundo capítulo é mais subjetivo, fala da consciência humana e de sua auto compreensão [2]. Neste relato, o homem foi criado antes da mulher. Todos os animais passaram diante dele, porém, viu que nenhum deles lhe era igual, então se sentiu só.

O homem foi feito para amar e dentre os animais, não havia outro ser dotado dessa mesma capacidade. “Não é bom que o homem esteja só”, [3] e Deus fez a mulher e esta sim era “ossos de teus ossos, carne de sua carne” [4].

Ambos foram criados para se amar, para cuidar da criação, para povoarem a terra, para viverem em harmonia com seu Criador. Vivendo a pureza original, o homem e a mulher andavam nus, Deus caminhava com eles, eles não sentiam vergonha [4], até que o pecado entrou em suas almas na figura da serpente.

O pecado original causou a “morte” do amor divino no coração humano. O surgimento da vergonha indica a origem da concupiscência, do desejo erótico vazio do amor de Deus [5].

Em muitas de suas colocações, Jesus nos convida a retornar à pureza original. Quando é questionado sobre o divórcio permitido por Moisés, Ele nos lembra que “no princípio não era assim”, o homem foi feito para a sintonia com seus semelhantes, mas há alguém em especial que deverá ser “ossos dos teus ossos e carne da tua carne”. Jesus nos convida a viver como Adão e Eva viviam no paraíso, sem vergonha, vivendo como crianças, enxergando o outro sem maldade contemplando-o como obra sagrada do Pai, como era antes do mal, antes da desobediência.

 

 

[1] Gn 1, 27

[2] JOÃO PAULO II. “audiência geral 19 de setembro de 1979, na segunda narrativa da criação encontra-se a definição subjectiva do homem”, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19790919_po.html >.

[3] Gn 2,18.

[4] Gn 2,25.

[5] CRHISTOPHER WERST. “O que é a teologia do corpo e por que ela está mudando tantas vidas?” Disponível em: http://pantokrator.org.br/po/mediacenter/formacoes/teologiadocorpo/o-que-e-teologia-corpo-por-que-esta-mudando-tantas-vidas/>.