Olá, amigos!

Continuando nosso ciclo de reflexões com João Paulo II sobre a Teologia do Corpo, falaremos hoje sobre a solidão original do homem.

Conforme vimos nos últimos textos, após a criação, Deus colocou diante do homem todos os animais para que o homem desse a cada um deles um nome. No fim, Adão percebeu que nenhum deles era igual a ele, percebeu então que estava só [1].

Antes da mulher, ele era chamado Adam, que significa homem. Somente após o surgimento dela, ele passou a ser chamado “is” que significa macho e a mulher “issam”, porque veio do homem. Em Gn 2, a narrativa da solidão do homem se refere a “adam” e não a “is”, ou seja, se refere a solidão enquanto homem e não só enquanto macho.

“O contexto completo daquela solidão de que fala o Gênesis 2, 18, pode convencer-nos que se trata aqui da solidão do homem (macho e fêmea) e não apenas da solidão do homem-macho, causada pela falta da mulher. Parece, por conseguinte, com base no contexto inteiro, que esta solidão tem dois significados: um que deriva da própria criatura do homem, isto é, da sua humanidade (o que é evidente na narrativa de Gên. 2), e o outro que deriva da relação macho-fêmea, o que é evidente, em certo modo, com base no primeiro significado” [2].

A solidão do homem é muito mais profunda do que a busca por uma relação entre seres da mesma espécie. Embora, nenhum ser humano tenha sido feito para viver só, significa mais que isso, é a busca pelo seu Criador. Uma das frases que melhor define essa busca foi dita por Santo Agostinho: “Inquieto está nosso coração enquanto não repousa em Ti, Senhor!” [3].

Ora, como andam os corações humanos? Buscam incessantemente Deus e nem sabem disso. As pessoas buscam os prazeres da carne, das drogas, do consumo excessivo, dos relacionamentos frustrados e continuam buscando sem saber que é a Deus que procuram. Somos de Deus e para Ele voltaremos um dia, mas precisamos abrir os olhos porque só o Senhor nos dará repouso pelo qual tanto ansiamos.

Santo Agostinho representa bem o homem moderno com suas angústias, sua ânsia em descobrir a verdade, sua inquietude, seus desejos. Cercado pelas coisas do mundo demorou a perceber o que realmente preencheria sua vida, mas quando percebeu, teve sua vida completamente transformada, encontrou a verdadeira felicidade.

Então, que nós possamos buscar cada dia mais Àquele que nos espera, que nos ama e que tanto nos quer de volta.

 

 

[1] Gn 2,19.

[2] JOÃO PAULO II, AUDIÊNCIA GERAL, 10 de Outubro de 1979, O significado da solidão original do homem, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19791010_po.html>.

[3] SANTO AGOSTINHO, Confissões, I,1.

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