Olá, amigos!

Falando ainda sobre a solidão original do homem, lembramos que Deus fez o homem e a mulher corpo e alma. Ao corpo do homem deu todas as capacidades motoras para que desenvolvesse as atividades que lhe são próprias, de cultivar a terra, de dominar os animais, de transformar o meio em que vive, de distinguir e nomear os animais e de submetê-los [1].

Neste corpo, Deus soprou a vida, Sua própria vida, deu-lhe uma alma, o fez à Sua imagem e semelhança, deu-lhe a consciência de pertença ao Senhor e lhe infundiu a necessidade de sempre buscá-lo. Deu-lhe também a capacidade de amar, pois mesmo quando ele fez a escolha pelo pecado e pela morte, ainda restou dentro dele o amor que poderia lhe trazer de volta para perto de Deus. Nada do que Deus criou foi por acaso, Ele sempre soube das consequências de criar o homem com livre arbítrio, mas não o criou para abrir mão dele tão facilmente, mas sim para que o homem fosse capaz de voltar ao Senhor por sua livre vontade, por amor. Nunca quis prisioneiros, queria filhos.

Quando o homem buscou entre as criaturas uma que lhe fosse semelhante e se viu só, recebeu uma auxiliar que lhe completaria e a fez tão perfeitamente parecida, mas com características próprias e funções peculiares e fez deles meios para exercitarem o amor mútuo, para reconhecerem um no outro a presença sagrada de Deus, cujo mesmo sopro lhes concedeu a vida.

A condição que Deus lhes impôs foi a de não comerem o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, pois receberiam como castigo a morte [1]. Ora, como seriam capazes de saber o que isso lhes acarretaria se tudo o que conheciam até o momento era a vida próxima de Deus? Somos, em muitas vezes, como crianças, que por ignorância, colocam a mão no forno quente mesmo a mãe avisando que vamos nos queimar.

Quando Deus lhes disse que poderiam comer de qualquer fruto, mas não aquele que lhes era proibido, colocou diante deles a escolha entre a morte e a imortalidade. Deus queria lhes dar tudo, mas deveria ser por escolha própria.

Deus nos avisa dos riscos de perdermos a vida eterna desde os profetas, mas infelizmente, somos como o homem rico da parábola de Lázaro [2] que não acreditou durante a vida, mas pôde ver, quando morreu, as consequências de uma vida cheia de pecados e egoísmo.

Ignoramos tanto e até zombamos da existência do Inferno, pensamos que existe apenas uma vida e que esta deve ser cheia de prazeres, e então nos esquecemos das palavras de Jesus que diz que “quem já teve a recompensa na terra, não receberá as recompensas no céu” [3].

Que esta Quaresma seja de muita reflexão sobre nossos atos e pensamentos, que voltemos nossos corações para o Senhor e encontremos nele a verdadeira razão de nossa existência, pois nossa estada aqui é provisória, nosso verdadeiro lugar é o céu, próximos do nosso amado Pai. Deus abençoe os propósitos de todos nós, até a próxima!

 

 

JOÃO PAULO II. Na própria definição do homem está a alternativa entre a morte e imortalidade. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19791031_po.html>.

[1] Gn 2, 16-17.

[2] Lc 16, 19-29.

[3] Mt 6, 1.

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