Olá, amigos, a paz!

Juntos, mais uma vez, voltamos a refletir sobre a Teologia do Corpo, agora do nosso recém-canonizado, o Santo Padre João Paulo II. Na verdade, sua santidade já era reconhecida pelo povo que clamava, apenas faltava ser oficializado, o que aconteceu em uma situação inédita, onde dois papas estavam juntos canonizando mais dois papas.

Continuemos, então, com as reflexões sobre a situação original do homem em Gênesis 2, onde “ambos estavam nus …, mas não sentiam vergonha”, mas por que não?

É necessário estabelecermos que se trata da verdadeira não-presença da vergonha, e não duma carência ou subdesenvolvimento dela. Portanto, o texto de Gênesis 2,25 não só exclui decididamente a possibilidade de pensar numa falta de vergonha, ou seja, na falta de pudor [1], mas ainda exclui qualquer comparação com a falta de vergonha da idade infantil ou a dos índios, cuja sexualidade é controlada mediante normas rígidas dentro de sua aldeia, o que não quer dizer que estejam livres da concupiscência.

As palavras não “sentiam vergonha” indicam a especial plenitude de consciência e de experiência, sobretudo a plenitude de compreensão do significado do corpo, ligada ao fato de “estarem nus” [2]. O homem via Deus através da mulher e vice-versa, os dois eram ícones que levavam um ao outro a louvar a Deus.

É válido refletir que nesta plenitude de consciência da preciosidade da humanidade, pode se dizer que o homem e a mulher eram originalmente dados um ao outro, numa entrega plena e pura, enquanto “estavam nus”. Na análise do significado da nudez original, não se pode de maneira nenhuma abrir mão desta dimensão [3].

O homem sentia-se só entre os animais e, ao ver a mulher, louvou a Deus “esta sim é carne da minha carne” [4]. O homem percebeu-se homem na presença dela e ela só se percebeu mulher na presença dele, e assim começaram a perceber o mundo exterior e a diferença que tinham dos outros seres, fato direto e quase espontâneo, anterior ao pecado original, ao conhecimento e à experiência humana e parece estreitamenteunido com a experiência do significado do corpo humano, com a dimensão da interioridade humana que se tem de explicar e mediar àquela especial perfeição da comunicação interpessoal, que levava o homem e a mulher a estarem nus, mas não sentirem vergonha [5].

As ideias naturalistas de forma alguma traduzem o significado da nudez original, a real intimidade, pureza, simplicidade. A nudez é muito mais profunda do que se despir de suas vestes, tem a ver com o relacionamento que tinham entre si e com Deus e que a partir da ruptura da aliança passaram a ter que se cobrir, a se esconder e se defender do olhar do outro e para também proteger os olhos do outro da tendência ao pecado.

Ainda continuaremos nossas reflexões nas próximas semanas, até mais!

 

 

[1] JOAO PAULO II.Plenitude personalista da inocência original, 1. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19791219_po.html>.

[2] Idem, 2.

[3] Idem, 3.

[4] Gn 1,17.

[5] JOAO PAULO II. Plenitude personalista da inocência original, 3. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19791219_po.html>.

 

Veja também: Pe. PAULO RICARDO, Teologia do Corpo, disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=ujs9UCVapsQ>.