Caros irmãos, celebramos neste domingo a solenidade de Pentecostes e podemos meditar o trecho do Evangelho segundo São João no qual o Senhor Ressuscitado dá o Espírito Santo aos Apóstolos e, com Ele, o poder de perdoar os pecados Ícone - Pentecostes(cf. Jo 20,19-23). Deixemo-nos, então, tocar pelo Espírito para sermos, também nós, membros vivos do Corpo de Cristo, isto é, da Igreja.

Cremos com o Apóstolo que “Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo” (1Cor 12,3b), ou seja, ninguém se faz cristão. Assim, é possível vislumbrar o porquê de não sermos uma simples ONG, como tanto tem insistido o Papa Francisco, e não podermos definir a Igreja por aquilo que fazemos: Ela não nasce da nossa vontade como uma associação humana, mas é verdadeiramente Corpo Místico de Cristo e, portanto, divina.

Sim, a Igreja é divina porque brota da iniciativa de Deus e subsiste pela ação do Espírito Santo que chama toda humanidade à mesma fé, como se vê na imagem da linguagem universal (cf. At 2,6). Por isso, se pode dizer com segurança que na Igreja o mistério da Encarnação continua na história, o que se vê claramente no testemunho dos santos. E é através deste grande mistério que toda a humanidade toma parte na reconciliação operada pelo Senhor Jesus Cristo como hoje contemplamos (cf. Jo 20,22-23).

Assim fica claro que o Espírito é para a Igreja aquilo que a alma é para o corpo. Peçamos, então, ao Senhor que envie sobre nós o Seu Espírito de Amor a fim de que sejamos renovados à medida de nosso Senhor. E confiantes que a vinda do Paráclito nunca cessa (cf. CEC 732), imploremos sobretudo a docilidade para correspondermos plenamente aos seus desígnios e nos tornarmos testemunhas das maravilhas que o Senhor quer e pode fazer em nossas vidas.

Que a Bem-aventurada Virgem Maria, nossa Mãe e modelo daqueles que se deixam moldar pelo Espírito, nos ajude neste caminho de constante conversão.