Caros irmãos, celebramos neste domingo a solenidade da Santíssima Trindade, na qual reconhecemos a realidade do único Deus vivo e verdadeiro. Temos, então, para nossa meditação as últimas palavras de Jesus conforme do Evangelho de S. Mateus: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei!” (cf. Mt 28,18-20).

Nesta frase de envio, evidencia-se a dupla realidade da palavra (anúncio) e dos Ícone da Trindadesacramentos (Batismo) para a comunhão de todos os povos com o Senhor. Meditemos, então, a primeira realidade: a palavra. Nosso Senhor nos pediu claramente para fazermos que todos os povos se tornem Seus discípulos ensinando-os a observar tudo o que Ele nos ensinou. Não querendo esquecer de toda a realidade da ação do Espírito Santo na missão da Igreja e na conversão de cada pessoa, deixo aqui duas perguntas que podem nos ajudar a fazer um bom exame de consciência diante do Senhor, nosso Deus.

  1. Como podemos ensinar àqueles que não creem o que o Senhor nos ensinou se nós também não conhecemos tais coisas? Sejamos humildes em reconhecer que a maioria de nós católicos conhecemos muito pouco nossa fé e, por isso, muitas vezes nos sentimos embaraçados diante dos questionamentos do mundo a respeito de nossa fé. Contentamo-nos com um conhecimento muito rasteiro das realidades mais importantes para nossa vida, justamente nos dão o sentido e a orientação mais profunda e, assim, não somos capazes de dar as razões da nossa esperança àqueles que nos pedem (cf. 1Pd 3,15).
  2. Como podemos transmitir tudo o que o Senhor nos ensinou sem combatermos em nosso próprio coração a tendência de escolher o que crer ou seguir? Em outras palavras, se nosso coração está tomado pelo relativismo, não seremos capazes de transmitir o Evangelho. Pois, quando nos arvoramos juízes da Palavra de Jesus e não seus servidores, de maneira a escolhermos a nosso bel prazer o que crer em detrimento do todo – ou, pior ainda, preferimos seguir outros senhores que não Jesus Cristo, amputando assim o íntegro ensinamento do Senhor – nunca seremos capazes de deixar-nos transformar por Deus. E esta transformação é condição para transmitirmos a feliz esperança de Seu Amor a todos os que convivem conosco.

Que a Bem-aventurada Virgem Maria, nossa Mãe, nos ensine a deixarmo-nos moldar pela Palavra de Deus.