Caros irmãos, celebrando o X Domingo do Tempo Comum, a Liturgia nos conduz à meditação com o Evangelho segundo S. Marcos (cf. Mc 3,20-35). Neste relato, Jesus enfrenta resistência a seu ministério não só dos mestres da Lei, mas também de sua própria família (cf. Mc 3,21). Encontramos, então, vários temas importantes e que merecem a nossa atenção: a divisão, o pecado contra o Espírito Santo, etc. Por fim, o f2e8c68a15dfe43a5b6910c601ef5435Senhor diz que sua mãe e seus irmãos são aqueles que fazem a vontade do Pai (cf. Mc 3,35).

Com esta frase, Jesus estaria desprezando sua mãe, Maria? Deveríamos, também nós, não a ter assim em tão grande conta como a temos em nossos corações? Com certeza, não. Não é possível imaginar que Ele tenha cometido um pecado contra o quarto mandamento. Então, o que isso pode nos dizer em relação à Virgem?

Diz o Concílio Vaticano II*: “Durante a pregação de Seu Filho, [Maria] acolheu as palavras com que Ele, pondo o reino acima de todas as relações de parentesco, proclamou bem-aventurados todos os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática (cf. Mc 3,35; Lc 11,27-28); coisa que ela fazia fielmente (cf. Lc 2,19.51). Assim avançou a Virgem pelo caminho da fé, mantendo fielmente a união com seu Filho até à cruz. Junto desta esteve, não sem desígnio de Deus (cf. Jo19,25), padecendo acerbamente com o seu Filho único, e associando-se com coração de mãe ao Seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima que d’Ela nascera”.

Caros irmãos, nossa Mãe celeste, a Virgem Maria, é, também aqui, nosso modelo: ela soube viver fielmente a vontade do Senhor em sua vida, colocando-se inteiramente à sua disposição e, assim, progrediu sempre mais na fé e ofereceu-se a Deus desde as pequenas situações cotidianas até aquele tremendo dia, diante da Cruz.

Peçamos, portanto, a intercessão da Virgem santíssima, a fim de que também nós saibamos nos pôr de tal modo nas mãos do Senhor, nosso Deus, que lhe sejamos fiéis à sua vontade em todos os momentos de nossa vida.

 

*Lumen Gentium, 58.