Caros irmãos, temos, neste ano, a oportunidade de celebrar a Solenidade da Natividade de São João Batista num domingo. Assim, podemos, com mais calma, rezar e refletir sobre este mistério que ilumina realidades importantes de nossa vida e muito pertinentes para esses (tristes) dias em que vivemos. Duas delas são: o dom da vida e o Nasciturodom da salvação – da vida eterna.

Lemos, na primeira leitura: “o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome” (Is 49,1). Como é bom saber que somos frutos do Amor! Ainda que não tenhamos sido planejados ou desejados por nossos pais, o Pai nos quis e, por isso, existimos. E com que carinho fomos cuidados desde dias imemoráveis quando nem mesmo nossa mãe sabia de nossa existência: “fostes vós [ó Deus] que me formastes as entranhas, e no seio de minha mãe vós me tecestes” (Sl 138,13)…

Em dias como os nossos, nos quais homens sem inteligência – refiro-me aos onze ministros do STF, entre outros – se arvoram na condição de propor como “direito” o assassinato dos nascituros, devemos nos lembrar da sacralidade e inviolabilidade da vida humana. Ninguém de nós é causa da vida ou senhor da vida. Só o Senhor é soberano sobre a vida humana. Nesta questão, não há negócio que se possa fazer e é muito triste que nos incomodemos com o preço dos combustíveis, mas não nos Batizadoincomodemos com uma brutalidade como esta.

Além disso, vemos em S. João Batista como a Graça é extraordinária, grande o suficiente para alcançá-lo quando ele sequer havia nascido (cf. Lc 1,44). Também na nossa vida (ao menos na maioria dos casos) a Graça do Batismo chegou bem cedo. E é esta graça que nos faz viver uma vida nova: a vida divina e eterna que nos torna santos.

Ora, meus irmãos, se Deus é tão grande e forte a ponto de redimir João Batista no seio de Isabel, como não será capaz de nos transformar por completo, fazendo de nós santos e, assim, nos redimir por inteiro e nos levar ao seio da Trindade? Precisamos abrir nosso coração pela fé, crendo na realidade e urgência de nossa vocação à santidade, para que o Senhor aja em nós sem limitações e, assim, nos conduza aonde nossas próprias forças não são capazes de nos levar.

Que a Bem-aventurada Virgem Maria, aquela de quem a saudação manifestou o dom da Salvação à casa de Isabel, interceda por nós e nos acompanhe até a vida eterna.

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