Caros irmãos, celebramos, neste domingo, no Brasil, a Solenidade de São Pedro e São Paulo, transferida da última sexta-feira. Na Missa do dia temos, para nossa meditação, o trecho do evangelho segundo S. Mateus no qual se encontra a profissão de fé de Simão Pedro (cf. Mt 16,13-19). Assim, a partir deste breve relato, podemos nos deixar iluminar em nosso caminho de fé por esses Apóstolos, justamente chamados “as colunas da Igreja”.

O diálogo de Jesus com seus discípulos se desenvolve a partir de duas perguntas: “quem sao_pedro_paulodizem os homens ser o Filho do homem?” (v. 13) e “e vós, quem dizeis que eu sou?” (v. 15). Não só à Igreja como um todo, mas a cada um de nós, a síntese entre as respostas a essas perguntas é fundamental, pois aí se vê a importância do relacionamento pessoal com o Senhor que se vive na fé da Igreja.

Pois, por um lado, corremos o risco do subjetivismo se baseamos nossa fé apenas em nossas experiências pessoais. Mas, por outro lado, corremos o risco de ver o patrimônio da fé conservado na Igreja desde S. Pedro como algo até interessante, que mereça ser estudado, mas vazio, porque desconexo da vida cotidiana. Ora, é nosso relacionamento pessoal com o Senhor que dá vida àquilo que aprendemos, por exemplo, na catequese. E assim, nos transforma completamente. Porém, é a fé da Igreja de 2000 anos que ilumina nosso caminho, livrando-nos da tentação de nos arvorarmos na medida de todas as coisas.

Essas duas dimensões de nossa vida de fé são inseparáveis: não podemos contrapô-las como se houvesse necessidade de escolher uma para fazer um bom caminho. Na verdade, a aventura da ortodoxia, como já disse um filósofo inglês, acontece justamente quando se encontra o fino, mas real, equilíbrio que existe em realidades aparentemente contraditórias [1].

Que a Bem-aventurada Virgem Maria, interceda por nós, em particular pelo santo padre, o Papa Francisco, a fim de que ele nos ajude a conservar e defender nossa fé.

 

[1] G. K. Chesterton, Ortodoxia, cap. VI: “Os paradoxos do cristianismo”.