Caros irmãos, é oportuno, ao celebrarmos o décimo quinto domingo do Tempo Comum, meditarmos sobre o chamado e o envio que o Senhor faz a cada um de nós. Faremos isso a partir do trecho do evangelho segundo S. Marcos no qual o Senhor Jesus envia os Doze em missão (cf. Mc 6,7-13). Aqui, podemos perceber que a realização da vocação à santidade se dá enquanto se evangeliza e não como um pré-requisito para poder evangelizar. E isso nos põe num movimento com caráter de urgência.

Pois o texto evangélico nos diz que “Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a PasqB6-wdois” (Mc 6,7). Mais uma vez, podemos destacar aqui a iniciativa de Deus que, em Jesus Cristo, convoca os apóstolos para os enviar. Isso nos mostra como a evangelização se dá num duplo movimento: aproximar-se do Senhor (primeiro e indispensável), respondendo ao seu chamado, para apresentá-lo aos demais.

Note-se, porém, que o envio é feito dois a dois não só porque o outro é um suporte para a missão, mas porque é um sinal da presença daquele que prometeu: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18,20). Ou seja, a evangelização acontece por Cristo, com Cristo e em Cristo.

Ora, é esta presença de Jesus em cada membro da comunidade de fé, que é a Igreja, que sustenta tanto para o movimento de transformação interior que culmina na santidade (cf. Ef 1,4 – primeira leitura), quanto a eficácia da ação evangelizadora. Assim, o ciclo se fecha: o Senhor, pela Graça do Espírito Santo, transforma nossos corações e nos impulsiona a comunicar Sua presença àqueles que convivem conosco em nossos gestos e nossas palavras. E, quanto mais o comunicamos, mais Ele tem espaço para agir livremente em nós, conduzindo-nos, portanto, à santidade. Esta, então, nos torna cada vez mais capazes de testemunhar eficazmente sua presença e ação salvífica, já que isso se percebe justamente nesta transformação interior.

Por isso, não é preciso ser primeiro santo para depois abrir a boca e falar de Deus. Mas, é preciso crer que Ele nos quer fazer santos – e nos fará – se nos entregarmos totalmente em Suas mãos. Além disso, como, ao termos nossa vida renovada em Jesus, não nos deixarmos interpelar pela urgência da evangelização, quando grande parte da humanidade vive a miséria da falta de sentido, como ovelhas sem pastor?

Que a Bem-aventurada e sempre Virgem Maria, Mãe da Igreja, interceda por nós e por aqueles que através de nós poderão encontrar-se com seu divino Filho.

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