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Ó ETERNA VERDADE E VERDADEIRA CARIDADE E CARA ETERNIDADE!

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Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo

Instigado a voltar a mim mesmo, entrei em meu íntimo, sob tua guia e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio (cf. Sl 29,11). Entrei e com certo olhar da alma, acima do olhar comum da alma, acima de minha mente, vi a luz imutável. Não era como a luz terena e evidente para todo ser humano. Diria muito pouco se afirmasse que era apenas uma luz muito, muito mais brilhante do que a comum, ou tão intensa que penetrava todas as coisas. Não era assim, mas outra coisa, inteiramente diferente de tudo isto. Também não estava acima de minha mente como óleo sobre a água nem como o céu sobre a terra, mas agostinho-s-giacomo-maggiore.jpgmais alta, porque ela me fez, e eu, mais baixo, porque feito por ela. Quem conhece a verdade, conhece esta luz.

Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. Desde que te conheci, tu me elevaste para ver que quem eu via, era, e eu, que via, ainda não era. E reverberaste sobre a mesquinhez de minha pessoa, irradiando sobre mim com toda a força. E eu tremia de amor e de horror. Vi-me longe de ti, no país da dessemelhança, como que ouvindo tua voz lá do alto: “Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás. Não me mudarás em ti como o alimento de teu corpo, mas tu te mudarás em mim”.

E eu procurava o meio de obter forças, para tornar-me idôneo a te degustar e não o encontrava até que abracei o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2,5), que é Deus acima de tudo, bendito pelos séculos (Rm 9,5). Ele me chamava e dizia: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). E o alimento que eu não era capaz de tomar se uniu à minha carne, pois o Verbo se fez carne (Jo 1,14), para dar à nossa infância o leite de tua sabedoria, pela qual tudo criaste.

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.

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PROCUREMOS ALCANÇAR A SABEDORIA ETERNA

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Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo.

Estando bem perto o dia em que ela deixaria esta vida – dia que conhecias e que ignorávamos – aconteceu por oculta disposição tua, como penso, que eu e ela estivéssemos sentados sozinhos perto da janela que dava para o jardim da casa onde nos tínhamos hospedado, lá junto de Óstia Tiberina. Ali, longe do povo, antes de embarcarmos, nos refazíamos da longa viagem. Falávamos a sós, com muita doçura e, esquecendo-nos do passado, com os olhos no futuro, indagávamos entre nós sobre a verdade presente, quem és tu, como seria a futura vida eterna dos santos, que olhos não icona_santa_monicaviram, nem ouvidos ouviram nem subiu ao coração do homem (cf. 1Cor 2,9). Mas ansiávamos com os lábios do coração pelas águas celestes de tua fonte, fonte da vida que está junto de ti.

Eu dizia estas coisas, não deste modo nem com estas palavras. No entanto, Senhor, tu sabes que naquele dia, enquanto falávamos, este mundo foi perdendo o valor, junto com todos os seus deleites. Então disse ela: “Filho, quanto a mim, nada mais me agrada nesta vida. Que faço ainda e por que ainda aqui estou, não sei. Toda a esperança terena já desapareceu. Uma só coisa fazia-me desejar permanecer por algum tempo nesta vida: ver-te cristão católico, antes de morrer. Deus me atendeu com a maior generosidade, porque te vejo até como seu servo, desprezando a felicidade terrena. Que faço aqui?”

O que lhe respondi, não me lembro bem. Cinco dias depois, talvez, ou não muito mais, caiu com febre. Doente, um dia desmaiou, sem conhecer os presentes. Corremos para junto dela, mas recobrando logo os sentidos, viu-me a mim e a meu irmão e disse-nos, como que procurando algo semelhante: “Onde estava eu?”

Em seguida, olhando-nos, opressos pela tristeza, disse: “Sepultai vossa mãe”. Eu me calava e retinha as lágrimas. Mas meu irmão falou qualquer coisa assim que seria melhor não morrer em terra estranha, mas na pátria. Ouvindo isto, ansiosa, censurando-o com o olhar por pensar assim, voltou-se para mim: “Vê o que diz”. Depois falou a ambos: “Ponde este corpo em qualquer lugar. Não vos preocupeis com ele. Só vos peço que vos lembreis de mim no altar de Deus, onde quer que estiverdes”. Terminando como pôde de falar, calou-se e continuou a sofrer com o agravamento da doença. Finalmente, no nono dia da sua doença, aos cinquenta e seis anos de idade e no trigésimo terceiro da minha vida, aquela alma piedosa e santa libertou-se do corpo.

XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, neste domingo, ao celebrarmos o vigésimo primeiro Domingo do Tempo Comum, retomamos, para nossa oração e meditação, o capítulo sexto do Evangelho segundo São João (cf. Jo 6,60-69), que havíamos deixado para celebrar a Assunção de Nossa Senhora. E retornamos para este magnífico texto em um momento dramático: ao revelar a realidade da Eucaristia, Jesus encontra corações fechados. Aproximemo-nos, então, da Palavra de Deus para nos alimentarmos verdadeiramente.

É verdade que os judeus já haviam se escandalizado quando o Senhor revelou ser Ele próprio o alimento da vida eterna (cf. Jo 6,52). Mas, ao afirmar a radicalidade da sua doação tal qual a encontramos na Divina Eucaristia, Cristo vê MUITOS de seus discípulos o deixarem dizendo: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” (Jo 6,60). E, precisamos admitir, as palavras de Jesus, não só sobre o Santíssimo Sacramento, mas muitas vezes, são duras. Parecem até insuportáveis…

Então, precisamos encarar a pergunta que Ele fez aos Doze: “Vós também vos quereis ir embora?” (Jo 6,67). Meus irmãos, reconheçamos que não é preciso sair visivelmente da Igreja para virar as costas ao Senhor e ir embora. Como é fácil ceder à tentação de moldá-lo à nossa maneira. Quantos “católicos” vivem hoje um catolicismo à sua maneira? Quantas vezes nós mesmos buscamos viver nossa religião não a partir da fé de 2000 anos, mas a partir de nossos próprios interesses e/ou caprichos?

Porém, S. Pedro nos indica o caminho – nos dá as palavras para que nossa resposta seja precisa: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,68-69). De que adiantaria viver uma religião falsa e não a verdadeira fé da Igreja de Deus? O que lucraremos seguindo um Jesus falso? No fim das contas, o peso de seguir Jesus Cristo vivo e ressuscitado é muito – mas muito mesmo – mais leve do que, depois de empenhar a vida numa direção, descobrir que nos gastamos por uma mentira.

Que a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, Nossa Senhora da Eucaristia, nos ajude a reconhecer sempre a luz da Verdade que brilha no meio das trevas do erro e do pecado.

Caros irmãos, neste domingo, ao celebrarmos o vigésimo primeiro Domingo do Tempo Comum, retomamos, para nossa oração e meditação, o capítulo sexto do Evangelho segundo São João (cf. Jo 6,60-69), que havíamos deixado para celebrar a Assunção de Nossa Senhora. E retornamos para este magnífico texto em um momento dramático: ao revelar a realidade da Eucaristia, Jesus encontra corações fechados. Aproximemo-nos, então, da Palavra de Deus para nos alimentarmos verdadeiramente.

É verdade que os judeus já haviam se escandalizado quando o Senhor revelou ser Ele próprio o alimento da vida eterna (cf. Jo 6,52). Mas, ao afirmar a radicalidade da sua doação tal qual a encontramos na Divina Eucaristia, Cristo vê MUITOS de seus discípulos o deixarem dizendo: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” (Jo 6,60). E, precisamos admitir, as palavras de Jesus, não só sobre o Santíssimo Sacramento, mas muitas vezes, são duras. Parecem até insuportáveis…

Então, precisamos encarar a pergunta que Ele fez aos Doze: “Vós também vos quereis ir embora?” (Jo 6,67). Meus irmãos, reconheçamos que não é preciso sair visivelmente da Igreja para virar as costas ao Senhor e ir embora. Como é fácil ceder à tentação de moldá-lo à nossa maneira. Quantos “católicos” vivem hoje um catolicismo à sua maneira? Quantas vezes nós mesmos buscamos viver nossa religião não a partir da fé de 2000 anos, mas a partir de nossos próprios interesses e/ou caprichos?

Porém, S. Pedro nos indica o caminho – nos dá as palavras para que nossa resposta seja precisa: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,68-69). De que adiantaria viver uma religião falsa e não a verdadeira fé da Igreja de Deus? O que lucraremos seguindo um Jesus falso? No fim das contas, o peso de seguir Jesus Cristo vivo e ressuscitado é muito – mas muito mesmo – mais leve do que, depois de empenhar a vida numa direção, descobrir que nos gastamos por uma mentira.

Que a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, Nossa Senhora da Eucaristia, nos ajude a reconhecer sempre a luz da Verdade que brilha no meio das trevas do erro e do pecado.

TEU CORPO É SANTO E CHEIO DE GLÓRIA

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Da Constituição Apostólica Munificentíssimus Deus, do papa Pio XII.

Nas homilias e orações para o povo na festa da Assunção da Mãe de Deus, santos padres e grandes doutores dela falaram como de uma festa já conhecida e aceita. Com a maior clareza a expuseram; apresentaram seu sentido e conteúdo com profundas razões, colocando especialmente em plena luz o que esta festa temem vista: não apenas que o corpo morto da Santa Virgem Maria não sofrera corrupção, mas ainda o triunfo que ela alcançou sobre a morte e a sua celeste glorificação, a exemplo de seu Unigênito, Jesus Cristo.

São João Damasceno, entre todos o mais notável pregoeiro desta verdade da tradição, img_2593.jpgcomparando a Assunção em corpo e alma da Mãe de Deus com seus outros dons e privilégios, declarou com vigorosa eloquência: “Convinha que aquela que guardara ilesa a virgindade no parto, conservasse seu corpo, mesmo depois da morte, imune de toda corrupção. Convinha que aquela que trouxera no seio o Criador como criancinha fosse morar nos tabernáculos divinos. Convinha que a esposa, desposada pelo Pai, habitasse na câmara nupcial dos céus. Convinha que, tendo demorado o olhar em seu Filho na cruz e recebido no peito a espada da dor, ausente no parto, o contemplasse assentado junto do Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse tudo o que pertence ao Filho e fosse venerada por toda criatura como mãe e serva de Deus”.

São Germano de Constantinopla julgava que o fato de o corpo da Virgem Mãe de Deus estar incorrupto e ser levado ao céu não apenas concordava com sua maternidade divina, mas ainda conforme a peculiar santidade deste corpo virginal: “Tu, está escrito, surges com beleza (cf. Sl 44,14); e teu corpo virginal é todo santo, todo casto, todo morada de Deus; de tal forma que ele está para sempre bem longe de desfazer-se em pó; imutado, sim, por ser humano, para a excelsa vida da incorruptibilidade. Está vivo e cheio de glória, incólume e participante da vida perfeita”.

Outro antiquíssimo escritor assevera: “Portanto, como gloriosa mãe de Cristo, nosso Deus salvador, doador da vida e da imortalidade, foi por ele vivificada para sempre em seu corpo na incorruptibilidade; ele a ergueu do sepulcro e tomou para si, como só ele sabe”.

Todos estes argumentos e reflexões dos santos padres apóiam-se como em seu maior fundamento nas Sagradas Escrituras. Estas como que põem diante dos olhos a santa Mãe de Deus profundamente unida a seu divino Filho, participando constantemente de seu destino.

De modo especial é de lembrar que, desde o segundo século, os santos padres apresentam a Virgem Maria qual nova Eva para o novo Adão: intimamente unida a ele – embora com submissão – na mesma luta contra o inimigo infernal (como tinha sido previamente anunciado no proto-evangelho [cf. Gn 3,15]), luta que iria terminar com a completa vitória sobre o pecado e a morte, coisas que sempre estão juntas nos escritos do Apóstolo das gentes (cf. Rm 5 e 6; 1Cor 15,21-26.54-57). Por este motivo, assim como a gloriosa ressurreição de Cristo era parte essencial e o último sinal desta vitória, assim também devia ser incluída a luta da santa Virgem, a mesma que a de seu Filho, pela glorificação do corpo virginal. O mesmo Apóstolo dissera: Quando o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá o que foi escrito: A morte foi tragada pela vitória (1Cor 15,54; cf. Os 13,14).

Por conseguinte, desde toda a eternidade unida misteriosamente a Jesus Cristo, pelo mesmo desígnio de predestinação, a augusta Mãe de Deus, imaculada na concepção, virgem inteiramente intacta na divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor, que obteve pleno triunfo sobre o pecado e suas consequências, ela alcançou ser guardada imune da corrupção do sepulcro, como suprema coroa dos seus privilégios. Semelhantemente a seu Filho, uma vez vencida a morte, foi levada em corpo e alma à glória celeste, onde, rainha, refulge à direita do seu Filho, o imortal rei dos séculos.

 

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, em quase todo Brasil, neste domingo, celebramos a Solenidade da Assunção da Virgem Maria, transferida do último dia 15. Na liturgia do dia, temos, para nossa meditação, o trecho do evangelho segundo São Lucas que retrata a visita de Nossa Senhora à Santa Isabel (cf. Lc 1,39-56). Brevemente, podemos reconhecer neste mistério celebrado nossa vocação e o modo de realizá-la.

O Papa Pio XII, quando proclamou solenemente como verdade de fé divinamente André_Gonçalves_-_goncalves_assuncao1revelada a Assunção de Nossa Senhora, escreveu: “a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial” [1]. Aqui, temos o núcleo do dogma e, assim, compreendemos que nela aconteceu o que é reservado a todos os santos no último dia: a entrada na glória da Santíssima Trindade de corpo e alma. Ora, todos somos chamados à santidade e, então, podemos concluir que nossa vocação é participarmos, com todo nosso ser, na glória do Senhor, nosso Deus.

Mas, como nossa Mãe bendita nos ensina a caminhar respondendo a este chamado? “Ele viu a pequenez (a humildade) de sua serva, […]. O Poderoso fez por mim maravilhas” (Lc 1,48-49): é uma obra que o Todo-Poderoso faz naquele que reconhece sua impotência para tanto. É simplesmente impossível que, abandonados às nossas próprias capacidades, possamos nos converter e entrar na glória do Pai. Mas Ele, em sua infinita misericórdia, quer e pode nos transformar – pode fazer esta maravilha – se, com fé, nos entregamos às suas mãos reconhecendo, humildemente, que não podemos fazer isso sozinhos.

Rezemos, de modo particular, neste terceiro domingo do mês vocacional, pelos religiosos, para que, tendo o seu coração completamente voltado Jesus Cristo, sejam sinais claros da primazia do Senhor em nossas vidas.

Que a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, nossa Mãe e Rainha dos Céus, seja auxílio e amparo no caminho de santidade de cada um de nós.

 

[1] Pio XII, Munificentissimus Deus, n. 44.

DO ZELO APOSTÓLICO QUE SE DEVE TER AO PROCURAR A SALVAÇÃO E SANTIFICAÇÃO DAS ALMAS

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Das Cartas de São Maximiliano Maria Kolbe.

Muito me alegra, caro irmão, o zelo que te inflama na promoção da glória de Deus. Pois observamos com tristeza, em nossos tempos, não só entre os leigos mas também entre os religiosos, a doença quase epidêmica que se chama indiferentismo, que se propaga de várias formas. Ora, como Deus é digno de infinita glória, nosso primeiro e mais importante ideal deve ser, com nossas exíguas forças, lhe darmos o máximo de glória, embora nunca possamos dar  quanto de nós, pobres peregrinos, ele merece.

Como a glória de Deus resplandece principalmente na salvação das almas que Cristo remiu com seu próprio sangue, o desejo mais elevado da vida apostólica será procurar a ba85f-sanmaximilianomariakolbeofmconvsalvação e santificação do maior número possível. E quero brevemente dizer-te qual o melhor caminho para este fim, isto é, para conseguir a glória divina e a santificação de muitas almas. Deus, ciência e sabedoria infinita, sabendo o que, de nossa parte, mais contribui para aumentar sua glória, manifesta-nos a sua vontade sobretudo pelos seus ministros na terra.

É a obediência, e ela só, que nos indica a vontade de Deus com evidência. O superior pode errar, mas não é possível que nós, ao seguirmos a obediência, sejamos levados ao erro. Só poderia haver uma exceção se o superior mandasse algo que incluísse – mesmo em grau mínimo – uma violação da lei divina; pois, neste caso, o superior não seria fiel intérprete de Deus.

Só Deus é infinito, sapientíssimo, santíssimo e clementíssimo, Senhor, Criador e Pai nosso, princípio e fim, sabedoria, poder e amor; tudo isso é Deus. Tudo que não seja Deus só vale enquanto se refere a ele, Criador de tudo e Redentor dos homens, último fim de toda a criação. É ele que nos manifesta a sua adorável vontade por meio daqueles que o representam, e nos atrai a si, querendo, deste modo, atrair por nós outras almas, unindo-as a si em amor cada vez mais perfeito.

Vê, irmão, quão grande é, pela misericórdia divina, a dignidade de nossa condição! Pela obediência com que ultrapassamos os limites de nossa pequenez e conformamo-nos à vontade divina, que nos dirige com sua infinita sabedoria e prudência, a fim de agirmos com retidão. Pode-se até dizer que, seguindo assim a vontade de Deus à qual nenhuma criatura pode resistir, nos tornamos mais fortes que tudo.

Esta é a vereda da sabedoria e da prudência, este é o único caminho pelo qual possamos dar a Deus maior glória. Pois, se existisse caminho diferente e mais alto, certamente Cristo no-lo teria manifestado com sua doutrina e exemplo. Ora, a divina Escritura resumiu a sua longa permanência em Nazaré com estas palavras: E era-lhes submisso (Lc 2,51), como nos indicou toda a sua vida ulterior sob o signo da obediência, mostrando que desceu à terra para fazer a vontade do Pai.

Amemos por isso, irmão, amemos sumamente o amantíssimo Pai celeste, e deste amor seja prova a nossa obediência, exercida em grau supremo quando nos exige o sacrifício da própria vontade. Não conhecemos, para progredir no amor a Deus, livro mais sublime que Jesus Cristo crucificado.

Tudo isso conseguiremos mais facilmente pela Virgem Imaculada, a quem a bondade de Deus confiou os tesouros da sua misericórdia. Pois não há dúvida que a vontade de Maria seja para nós a própria vontade de Deus. E, quando nos dedicamos a ela, tornamo-nos em suas mãos como instrumentos, como ela própria, nas mãos de Deus. Portanto, deixemo-nos dirigir por ela, ser conduzidos por ela, e sejamos calmos e seguros por ela guiados: pois cuidará de nós, tudo proverá e há de socorrer-nos prontamente nas necessidades do corpo e da alma, afastando nossas dificuldades e angústias.

 

XIX DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, neste dia dos pais, celebramos o décimo nono domingo do Tempo Comum, no qual a liturgia continua a meditação do capítulo sexto do Evangelho segundo São João (cf. Jo 6,41-51). Encontramo-nos aqui num relacionamento com o Senhor que se desenrola numa dupla dimensão: atração e caminho. Aproximemo-nos, então, dos textos bíblicos para que Ele nos alimente.

Diz Jesus no Evangelho: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai” 9124estrada.jpg(Jo 6,44). Para além de todas as formas concretas desta atração por Deus que trazemos em nosso coração, o que não podemos deixar de notar é nossa condição de incompletude e inquietude percebida como a falta de algo que nos possa preencher. É aquilo que Santo Agostinho escreveu logo no início das suas Confissões: “nos fizeste para ti, [Senhor], e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso”. Essa experiência é importante porque nos move em direção ao Único que é capaz de nos preencher.

Porém, quanto mais tendemos ao Senhor, mais parece que temos um longo caminho pela frente. Pois, quando somos encontrados por Jesus, e Ele começa a nos transformar, percebemos como estamos longe daquilo que deveríamos ser. E então, diz o anjo a Elias, “Levanta-te e come! Ainda tens um longo caminho a percorrer” (2Rs 19,7). A presença do Cristo, sobretudo na comunhão eucarística bem feita, é o alimento que nos dá força a continuar, mesmo que a distância para a meta pareça insuperável.

A meta é justamente descrita na segunda leitura: “Vivei no amor, como Cristo nos amou e se entregou a si mesmo a Deus por nós, em oblação e sacrifício de suave odor” (Ef 5,2). E, de fato, precisamos do socorro divino para não desistirmos de amar. E um modo concreto de se oferecer ao Senhor como sacrifício de amor é a paternidade. Por isso, rezamos hoje por todos os pais, a fim de que sejam claros sinais da presença e do Amor do Pai.

Que a intercessão da Bem-aventurada e sempre Virgem Maria, nossa Mãe, e de São José, seu castíssimo esposo, esteja com nossos pais hoje e sempre.

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