Caros irmãos, celebrando o décimo oitavo domingo do Tempo Comum, continuaremos a meditação do capítulo sexto do Evangelho segundo São João. No qual, depois de multiplicar os pães, Jesus atravessa o mar e chega em Cafarnaum, onde a multidão o encontra. Então, como vemos nesta liturgia, com um diálogo, o Senhor começa o discurso do Pão da Vida (cf. Jo 6,24-35). Aqui, devemos estar atentos a alguns detalhes para icone-sermao-da-montanhapodermos deixar-nos orientar pelo Cristo.

Refletiremos, para tanto, sobre duas palavras de Jesus que se interligam e nos orientam. A primeira é: “estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos” (Jo 6,26). A multidão recebe uma reprimenda justamente porque o está buscando para obter um benefício imediato: o pão. Vemos, então, um retrato frequente da nossa vida de oração quando nos aproximamos do Senhor para que Ele simplesmente resolva nossos problemas imediatos. Que nossos problemas sejam causa de sofrimentos, é fato. Que é justo pedir sua ajuda em alguma situação desesperada (bons exemplos não faltam), também não é, em si, um problema. Mas, é preciso reconhecer: viver nosso relacionamento com Deus nesta direção nos põe na contramão do Pai Nosso, no qual rezamos: seja feita a vossa (não, a nossa) vontade.

E então, chegamos à segunda palavra: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou” (Jo 6,29). Eis a chave: é preciso buscar o Senhor com fé porque Ele é o alimento que não se perde (cf. Jo 6,27); Ele é o sentido da nossa vida. E assim, compreendemos o porquê de haver uma hierarquia de valores que orienta nossas escolhas – inclusive a escolha do sentido de nossa oração: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6,33).

Que a Bem-aventurada e sempre Virgem Maria, Mãe da fé, interceda por nós, e nos conduza pelo caminho que ela tão bem percorreu.