Caros irmãos, celebramos o vigésimo terceiro Domingo do Tempo Comum e a liturgia nos convida a aproximarmo-nos do Senhor para ouvi-lo (cf. Mc 7,31-37). A partir do santo evangelho, seguindo os movimentos daquele homem surdo, deixemo-nos tocar pela Palavra de Deus. Para tanto, acolhamos a ordem de Jesus: abre-te! (Mc 7,34).

Notemos, em primeiro lugar, que o homem foi trazido a Jesus (cf. Mc 7,32). E esse é o Ícone - Jesus Cristoprimeiro esforço da Igreja: a missão – aproximar as pessoas do Senhor. Embora o mês missionário seja o próximo, não podemos deixar ao menos de notar, já hoje, que, sem isso, é impossível que o dom da fé aconteça (cf. Rm 10,14). E é nossa tarefa aproximar as pessoas, por obras e palavras, daquele que nos deu a vida nova.

Em seguida, Jesus afasta o surdo da multidão e o toca (cf. Mc 7,33). Podemos enxergar aqui aquele toque íntimo da Graça em nossos corações que muda a direção da nossa vida. Nunca é demais recordar as palavras de Bento XVI: “Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” [1].

E, então, Jesus dá a ordem: “abre-te!” (Mc 7,34). Trata-se de um imperativo que não só faz sentido para a vida daquele homem, mas também para a nossa. Pois, infelizmente, embora muitas vezes escutemos muito bem (não tenhamos nenhum problema de audição), temos um coração de pedra, fechado para a Verdade que pode transformar a nossa vida. Quantas vezes já ouvimos a Palavra de Deus conservada e transmitida na Igreja, mas isso não teve efeito nenhum em nossas vidas? Quantas vezes preferimos fechar-nos para, apegados a sabe-se-lá-o-quê, não nos deixarmos transformar pelo Senhor? Abramo-nos!

Que a intercessão da Maria Santíssima, nos ajude a vencer o medo de perder o nada para o Tudo ganhar.

 

[1] BENTO XVI, Deus caritas est, n.1.