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XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, neste trigésimo Domingo do Tempo Comum temos a oportunidade de nos encontrar com o Senhor Jesus e o cego Bartimeu às portas de Jericó (cf. Mc 10,46-52). Aproximemo-nos desta cena e nos deixemos tocar pela graça de Deus para podermos, também nós, perseverarmos no Caminho.

Trata-se de um encontro paradigmático. Em Bartimeu, vemos nossa condição de pecadores: muitas vezes sem conseguir enxergar o bem que devemos fazer e sempre incapazes de realizá-lo (v. 46). Porém, não estamos sem alternativa: ao ouvir que Jesus Jesus e Bartimeuestá próximo, o cego começa a gritar pela misericórdia do Senhor (v. 47). E mesmo repreendido, continua perseverante e suplica com mais força ainda (v. 48): somos nós que, acolhendo o Evangelho da salvação, precisamos rezar – e muito – pedindo que a Graça do Espírito Santo nos socorra, ainda que nossos irmãos e nossos desânimos nos digam que não adianta nada.

Porque a verdade mais profunda é que do outro lado existe um Deus que é Amor-compaixão. Não se trata de um absoluto frio e indiferente, mas do Sumo Sacerdote misericordioso que desceu do céu. É o Emanuel, Deus conosco, que se deixa alcançar, Aquele que chama (v. 49). À notícia do chamado, aquele pedinte se torna nosso modelo: “O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus” (v. 50). Conhecendo a verdade do Amor que convida e espera uma resposta, Bartimeu coloca sua resposta positiva à frente de qualquer outra coisa.

E o texto evangélico termina dizendo que “No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho” (v. 52). Não vemos aqui o fim da história desse homem com Jesus. Pelo contrário, vemos apenas o começo. O fim, porém, nós conhecemos, porque a estrada de Jesus, no qual Bartimeu o seguia, leva à Jerusalém, ou seja, ao mistério Pascal. Este também é o nosso caminho: depois do encontro com o Senhor, segui-lo pelo caminho da Cruz e que leva à Ressurreição.

Que a Bem-aventurada Virgem Maria nos ajude com sua intercessão a fim de não esmorecermos no seguimento de Seu divino Filho. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

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XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, a liturgia deste vigésimo nono Domingo do Tempo Comum nos dá a oportunidade de refletir sobre o nosso relacionamento com o Senhor Jesus e com o próximo (cf. Mc 10,35-45). Deixando-nos questionar por suas palavras, roguemos ao Salvador que nos sustente no caminho que Ele mesmo nos propõe.

Embora previsto (cf. Is 53,10-11 – primeira leitura), o modo como Deus opera a salvação oferecida ao mundo não foi, ao menos de início, acolhida pelos Doze em toda a sua profundidade. E, ao que parece, também nós temos dificuldade em entrar por este Caminho. Ou seja, queremos a glória de estar perto de Jesus, mas, para tanto, precisamos estar dispostos a nos unirmos a Ele em seu caminho de Cruz: “Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” (Mc 10,38).

Fomos criados para viver com o Senhor e nosso coração deseja essa glória. Porém, o modo misteriosamente escolhido por Deus para nos trazer a Si foi a cruz redentora de downloadJesus Cristo. Visto que Ele é o caminho (cf. Jo 14,6), não podemos arranjar um jeitinho de chegar lá sem percorrer a vida da paixão-morte-ressurreição. Embora esta via nos deixe desconcertados, podemos ter confiança, visto que “temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado” (Hb 4,15).

Concretamente, isso significa que devemos nos unir a Jesus por uma via de humildade: “entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos” (Mc 10,43-44). Precisamos acolher a Graça que nos capacita para aproveitar as oportunidades que temos de servir nossos irmãos mais próximos, por exemplo em nossas casas, por amor a Deus. Deixemos de lado nosso egoísmo que esperneia e nos doemos, gastando-nos, doando nossa vida e nosso tempo, pelo bem dos outros no Amor de Cristo.

Peçamos a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, a fim de encontrarmos nela um modelo de seguimento do Senhor no caminho da Cruz: À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

 

 

Para ulterior reflexão, sobre a confiança em Deus:

A GRANDE AUSÊNCIA, ONDE ESTÁ DEUS NO SOFRIMENTO – Prof. John Lennox; disponível em: <<https://www.youtube.com/watch?v=GpXyyBR8hJA&t=89s>>.

LEMBREMO-NOS SEMPRE DO AMOR DE CRISTO

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Das Obras de Santa Teresa de Jesus, virgem.

Com tão bom amigo presente, com tão esforçado chefe, tudo se pode sofrer. Serve de ajuda e dá reforço; a ninguém falta. É amigo verdadeiro. Sempre tenho visto claramente que, para contentarmos a Deus e para que nos faça ele mercês, quer que seja por intermédio desta humanidade sacratíssima, na qual declarou Sua Majestade ter posto suas complacências.

É o que muitíssimas vezes e muito bem tenho visto por experiência, e também mo disse o O Êxtase de Santa Teresa, Bernini, 1645-52, Capela Cornaro[8]Senhor. Tenho compreendido claramente que por esta porta havemos de entrar, se quisermos que nos mostre grandes segredos a soberana Majestade. De modo que não se queira outro caminho, ainda que se esteja no cume da contemplação. Por aqui se vai seguro. É por meio deste Senhor nosso que nos vêm todos os bens. Ele ensinará o caminho: contemplemos sua vida, porque não há modelo melhor.

O que mais queremos, do que ter a nosso lado tão bom amigo, que não nos deixará nos trabalhos e nas tribulações, como fazem os amigos deste mundo? Bem-aventurado quem o amar de verdade e sempre o trouxer junto de si. Olhemos o glorioso São Paulo de cujos lábios, por assim dizer, não saía senão o nome de Jesus, tão bem gravado o tinha no coração. Desde que entendi isto, tenho considerado atentamente alguns santos, grandes contemplativos, tais como São Francisco, Santo Antônio de Pádua, São Bernardo, Santa Catarina de Sena. Com liberdade havemos de andar neste caminho, entregues às mãos de Deus. Se Sua Majestade quiser elevar-nos à categoria de seus íntimos e confidentes dos seus segredos, vamos de boa vontade.

Quando pensarmos em Cristo, sempre nos lembremos do amor com que nos concedeu tantas graças e da grande ternura que nos testemunhou em nos dar tal penhor do muito que nos ama, pois amor pede amor. Procuremos sempre ir considerando estas verdades e estimulando-nos a amar. Porque, uma vez que nos conceda o Senhor a graça de que este amor nos seja impresso no coração, tudo nos será mais fácil: faremos grandes coisas muito depressa e com pouco trabalho.

XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, na liturgia deste vigésimo oitavo Domingo do Tempo Comum somos chamados a responder com generosidade ao Amor de Deus (cf. Mc 10,17-30). Meditemos e rezemos, pedindo ao Senhor a graça de amá-lo de todo o coração.

Depois de ser questionado sobre o que alguém deve fazer para ser salvo, Jesus responde indicando o caminho dos mandamentos. De fato, o caminho da nossa salvação passa pelos mandamentos como condição indispensável. Ao mesmo tempo, sabemos que só nos jesus-e-o-jovem-ricotornamos capazes de vivê-los com o socorro da Grada de Deus. Porém, este é só o começo da vida cristã. Nós somos chamados a muito mais: nossa vocação é a santidade. Nas palavras do Concílio Vaticano II: “os cristãos de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade” [1].

E o caminho para a realização desta vocação universal pode ser vislumbrado na resposta do Senhor à réplica de seu interlocutor: “Jesus olhou para ele com amor, e disse: ‘Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!’” (Mc 10,21). Vemos, em primeiro lugar, como sempre, o Amor de Deus revelado no olhar de Jesus. E este Amor generoso, capaz de ir até às últimas consequências na Cruz, convida a uma resposta que deve ser, também ela, generosa.

Ou seja, não se trata mais do mínimo. Trata-se do que podemos fazer, na força do Espírito Santo, para ser perfeitos. Sem dúvida, não é possível chegar à perfeição da caridade guiando-se por mesquinharias, buscando fazer só o mínimo. Todo amor, se quer crescer e amadurecer, não pode ser fundamentado sobre a busca egoística do não-se-doar. Alguém consegue imaginar Sta. Teresinha do Menino Jesus ou S. Pio de Pietrelcina, ou qualquer outro santo, no seu dia-a-dia, guiando suas escolhas pelo mínimo indispensável? Deixemos, então, que estes grandes modelos nos ensinem.

“Queres então saber de mim por qual motivo e em que medida devemos amar a Deus? – escreve S. Bernardo de Claraval. Bem, digo que o motivo de nosso amor por Deus é o próprio Deus, e que a medida desse amor é amar sem medida” [2].

Rezemos, pedindo a intercessão de Nossa Senhora, aquela que soube perfeita e generosamente amar a Deus: À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

 

[1] Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 40.

[2] São Bernardo de Claraval, Tratado sobre o amor de Deus.

A RESPONSABILIDADE DO MINISTÉRIO PASTORAL

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Das homilias sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, papa.

Ouçamos o que diz o Senhor aos pregadores enviados: A messe é grande, mas poucos os operários. Rogai, portanto, ao Senhor da messe que envie operários a seu campo. São poucos os operários para a grande messe (Mt 9,37-38). Não podemos deixar de dizer isto com imensa tristeza, porque, embora haja quem escute as boas palavras, falta quem as diga. Eis que o mundo está cheio de sacerdotes. Todavia na messe de Deus é muito raro encontrar-se um operário. Recebemos, é certo, o ofício sacerdotal, mas não o pomos em prática.

Pensai, porém, irmãos caríssimos, pensai no que foi dito: Rogai ao Senhor da messe que envie operários a seu campo. Pedi vós por nós para que possamos agir de modo digno de 896d0696cevós. Que a língua não se entorpeça diante da exortação, para que, tendo recebido a condição de pregadores, nosso silêncio também não nos imobilize diante do justo juiz. Com frequência, por maldade sua, a língua dos pregadores se vê impedida. Por sua vez, por culpa dos súditos, muitas vezes acontece que seus chefes os privem da palavra da pregação.

Por maldade sua, com efeito, a língua dos pregadores se vê impedida, como diz o salmista: Deus disse ao pecador: Por que proclamas minhas justiças? (Sl 49,16). Por sua vez, por culpa dos súditos, cala-se a voz dos pregadores. É o que o Senhor diz por Ezequiel: Farei tua língua aderir a teu palato e ficarás mudo, como homem que não censura, porque é uma casa irritante (Ez 3,26). Como se dissesse claramente: A palavra da pregação te é recusada porque, por me exacerbar com suas ações, este povo não é digno de escutar a verdade que exorta. Não é fácil saber por culpa de quem a palavra se furta ao pregador. Porque se o silêncio do pastor às vezes o prejudica, sempre causa dano ao povo, isto é absolutamente certo.

Há ainda outra coisa, irmãos caríssimos, que muito me aflige na vida dos pastores, mas para não pensardes talvez que vos faz injúria aquilo que vou dizer, ponho-me também debaixo da mesma acusação, embora me encontre neste posto não por minha livre vontade, mas impelido por estes tempos calamitosos.

Vimos a nos envolver em negócios externos. Um cargo nos foi dado pela consagração e, na prática, damos prova de outro. Abandonamos o ministério da pregação e, reconheço-o para pesar nosso, chamam-nos de bispo a nós que temos a honra do nome, não o mérito. Aqueles que nos foram confiados abandonam a Deus e nos calamos. Jazem em suas más ações e não lhes estendemos a mão da advertência.

Quando, porém, conseguiremos corrigir a vida de outrem, se descuramos a nossa? Preocupados com questões terenas, tornamo-nos tanto mais insensíveis interiormente quanto mais parecemos aplicados às coisas exteriores.

Por isso e com razão, a respeito de seus membros enfraquecidos, diz a santa Igreja: Puseram-me de guarda às vinhas; minha vinha não guardei (Ct 1,6). Postos como guardas às vinhas de modo algum guardamos a nossa porque, enquanto nos embaraçamos, com ações exteriores, não damos atenções ao ministério de nosa ação verdadeira.

A DEVOÇÃO A MARIA É FONTE DE VIDA CRISTàPROFUNDA

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Da Homilia na Dedicação da Basílica Nacional de Aparecida, do papa João Paulo II.

“Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida!”

Desde que pus os pés em terra brasileira, nos vários pontos por onde passei, ouvi este cântico. Ele é, na ingenuidade e singeleza de suas palavras, um grito da alma, uma saudação, uma invocação cheia de filial devoção e confiança para com aquela que, sendo verdadeira Mãe de Deus, nos foi dada por seu Filho Jesus no momento extremo da sua vida para ser nossa Mãe.

Sim, amados irmãos e filhos, Maria, a Mãe de Deus, é modelo para a Igreja, é Mãe para os remidos. Por sua adesão pronta e incondicional à vontade divina que lhe foi revelada, torna-se Mãe do Redentor, com uma participação íntima e toda especial na história da imagessalvação. Pelos méritos de seu Filho, é Imaculada em sua Conceição, concebida sem a mancha original, preservada do pecado e cheia de graça.

Ao confessar-se serva do Senhor (Lc 1,38) e ao pronunciar o seu sim, acolhendo “em seu coração e em seu seio” o mistério de Cristo Redentor, Maria não foi instrumento meramente passivo nas mãos de Deus, mas cooperou na salvação dos homens com fé livre e inteira obediência. Sem nada tirar ou diminuir e nada acrescentar à ação daquele que é o único Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, Maria nos aponta as vias da salvação, vias que convergem todas para Cristo, seu Filho, e para a sua obra redentora.

Maria nos leva a Cristo, como afirma com precisão o Concílio Vaticano II: “A função maternal de Maria, em relação aos homens, de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; antes, manifesta a sua eficácia. E de nenhum modo impede o contato imediato dos fiéis com Cristo, antes o favorece”.

Mãe da Igreja, a Virgem Santíssima tem uma presença singular na vida e na ação desta mesma Igreja. Por isso mesmo, a Igreja tem os olhos sempre voltados para aquela que, permanecendo virgem, gerou, por obra do Espírito Santo, o Verbo feito carne. Qual é a missão da Igreja senão a de fazer nascer o Cristo no coração dos fiéis, pela ação do mesmo Espírito Santo, através da evangelização? Assim, a “Estrela da Evangelização”, como a chamou o meu Predecessor Paulo VI, aponta e ilumina os caminhos do anúncio do Evangelho. Este anúncio de Cristo Redentor, de sua mensagem de salvação, não pode ser reduzido a um mero projeto humano de bem-estar e felicidade temporal. Tem certamente incidências na história humana coletiva e individual, mas é fundamentalmente um anúncio de libertação do pecado para a comunhão com Deus, em Jesus Cristo. De resto, esta comunhão com Deus não prescinde de uma comunhão dos homens uns com os outros, pois os que se convertem a Cristo, autor da salvação e princípio de unidade, são chamados a congregar-se em Igreja, sacramento visível desta unidade humana salvífica.

Por tudo isto, nós todos, os que formamos a geração hodierna dos discípulos de Cristo, com total aderência à tradição antiga e com pleno respeito e amor pelos membros de todas as comunidades cristãs, desejamos unir-nos a Maria, impelidos por uma profunda necessidade da fé, da esperança e da caridade. Discípulos de Jesus Cristo neste momento crucial da história humana, em plena adesão à ininterrupta Tradição e ao sentimento constante da Igreja, impelidos por um íntimo imperativo de fé, esperança e caridade, nós desejamos unir-nos a Maria. E queremos fazê-lo através das expressões da piedade mariana da Igreja de todos os tempos.

A devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda, é fonte de compromisso com Deus e com os irmãos. Permanecei na escola de Maria, escutai a sua voz, segui os seus exemplos. Como ouvimos no Evangelho, ela nos orienta para Jesus: Fazei o que ele vos disser (Jo 2,5). E, como outrora em Caná da Galileia, encaminha ao Filho as dificuldades dos homens, obtendo dele as graças desejadas. Rezemos com Maria e por Maria: ela é sempre a “Mãe de Deus e nossa”.

 

XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, na celebração do vigésimo sétimo Domingo do Tempo Comum a liturgia propõe para nossa reflexão, a partir do santo Evangelho, o tema da unicidade e indissolubilidade do matrimônio (cf. Mc 10,2-16). Abramos a nossa mente e o nosso coração para que não percamos mais esta oportunidade de nos deixarmos transformar pelo Senhor.

Pelas palavras do Senhor, vemos que o Matrimônio, tal qual Deus, nosso Pai, o criou (cf. Gn 2,18-24 – primeira leitura), e que Jesus elevou à dignidade de Sacramento, tem duas rosari12características essenciais: a unicidade, ou seja, uma relação exclusiva entre um só homem e uma só mulher; e a indissolubilidade, o que significa que não pode ser desfeito. E, por mais que a mídia nos queira fazer crer que o Papa Francisco alterou este ensinamento, ele não o fez – e, aliás, não tem autoridade para fazê-lo.

Entretanto, além das dúvidas que muitas pessoas têm sobre este tema, o que se vê é que este ensinamento, conservado na Igreja, causa verdadeiro escândalo no mundo e, infelizmente, entre os próprios católicos. Dizer que nós somos a favor do matrimônio monogâmico e indissolúvel, onde o casal é chamado a formar uma família aberta à vida para receber os filhos que Deus quiser enviar, hoje, beira quase o absurdo. E isso aponta para uma questão mais profunda: o nosso coração de pedra.

“Foi por causa da dureza do vosso coração” (Mc 10,5), diz o Senhor ao confrontar o antigo ordenamento da questão… Sim, meus irmãos, é a dureza do nosso coração que não nos permite compreender a beleza e a grandeza do chamado que Deus faz aos casais. É porque temos um coração de pedra, rígido e fechado no egoísmo e na busca de um bem-estar aqui e agora, que estamos tão afastados da vontade do Senhor. É porque, quando apegados a tantas mesquinharias, nos esquecemos que a nossa Vida “está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,3), porque nos esquecemos que somos cidadãos do céu, que não somos capazes de compreender o grande mistério que é o matrimônio: ícone que aponta para as Núpcias do Cordeiro.

Então, em primeiríssimo lugar, precisamos rezar e pedir ao Senhor que, com Seu Espírito, vença a nossa dureza e nos abra à fé em tudo o que crê e ensina nossa Santa Mãe, a Igreja católica. Assim, providencialmente, celebraremos esta liturgia no dia de Nossa Senhora do Rosário. Peçamos a sua intercessão. Unidos à Bem-aventurada Virgem Maria, meditando os mistérios do Santo Rosário – por que não em família? – estaremos prontos para não desanimar ao percebermos como ainda estamos fechados à vontade do Senhor e como é difícil confiar nele.

Mas este domingo é também o dia em que vamos escolher, se as urnas eletrônicas nos permitirem, os nossos representantes para os próximos quatro anos. Escolher bem é o mínimo que podemos fazer pela nossa amada Terra de Santa Cruz. Mas não o suficiente. O melhor que podemos – e devemos – fazer é amar e defender nossas famílias, sobretudo nos seus membros mais frágeis, dando, assim, a nossa vida para que nossos filhos descubram a sua vocação e glorifiquem o Senhor, nosso Deus e Pai, no céu, por toda eternidade.

Rezemos. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

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