Caros irmãos, na celebração do vigésimo sétimo Domingo do Tempo Comum a liturgia propõe para nossa reflexão, a partir do santo Evangelho, o tema da unicidade e indissolubilidade do matrimônio (cf. Mc 10,2-16). Abramos a nossa mente e o nosso coração para que não percamos mais esta oportunidade de nos deixarmos transformar pelo Senhor.

Pelas palavras do Senhor, vemos que o Matrimônio, tal qual Deus, nosso Pai, o criou (cf. Gn 2,18-24 – primeira leitura), e que Jesus elevou à dignidade de Sacramento, tem duas rosari12características essenciais: a unicidade, ou seja, uma relação exclusiva entre um só homem e uma só mulher; e a indissolubilidade, o que significa que não pode ser desfeito. E, por mais que a mídia nos queira fazer crer que o Papa Francisco alterou este ensinamento, ele não o fez – e, aliás, não tem autoridade para fazê-lo.

Entretanto, além das dúvidas que muitas pessoas têm sobre este tema, o que se vê é que este ensinamento, conservado na Igreja, causa verdadeiro escândalo no mundo e, infelizmente, entre os próprios católicos. Dizer que nós somos a favor do matrimônio monogâmico e indissolúvel, onde o casal é chamado a formar uma família aberta à vida para receber os filhos que Deus quiser enviar, hoje, beira quase o absurdo. E isso aponta para uma questão mais profunda: o nosso coração de pedra.

“Foi por causa da dureza do vosso coração” (Mc 10,5), diz o Senhor ao confrontar o antigo ordenamento da questão… Sim, meus irmãos, é a dureza do nosso coração que não nos permite compreender a beleza e a grandeza do chamado que Deus faz aos casais. É porque temos um coração de pedra, rígido e fechado no egoísmo e na busca de um bem-estar aqui e agora, que estamos tão afastados da vontade do Senhor. É porque, quando apegados a tantas mesquinharias, nos esquecemos que a nossa Vida “está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,3), porque nos esquecemos que somos cidadãos do céu, que não somos capazes de compreender o grande mistério que é o matrimônio: ícone que aponta para as Núpcias do Cordeiro.

Então, em primeiríssimo lugar, precisamos rezar e pedir ao Senhor que, com Seu Espírito, vença a nossa dureza e nos abra à fé em tudo o que crê e ensina nossa Santa Mãe, a Igreja católica. Assim, providencialmente, celebraremos esta liturgia no dia de Nossa Senhora do Rosário. Peçamos a sua intercessão. Unidos à Bem-aventurada Virgem Maria, meditando os mistérios do Santo Rosário – por que não em família? – estaremos prontos para não desanimar ao percebermos como ainda estamos fechados à vontade do Senhor e como é difícil confiar nele.

Mas este domingo é também o dia em que vamos escolher, se as urnas eletrônicas nos permitirem, os nossos representantes para os próximos quatro anos. Escolher bem é o mínimo que podemos fazer pela nossa amada Terra de Santa Cruz. Mas não o suficiente. O melhor que podemos – e devemos – fazer é amar e defender nossas famílias, sobretudo nos seus membros mais frágeis, dando, assim, a nossa vida para que nossos filhos descubram a sua vocação e glorifiquem o Senhor, nosso Deus e Pai, no céu, por toda eternidade.

Rezemos. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

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