Caros irmãos, na liturgia deste vigésimo oitavo Domingo do Tempo Comum somos chamados a responder com generosidade ao Amor de Deus (cf. Mc 10,17-30). Meditemos e rezemos, pedindo ao Senhor a graça de amá-lo de todo o coração.

Depois de ser questionado sobre o que alguém deve fazer para ser salvo, Jesus responde indicando o caminho dos mandamentos. De fato, o caminho da nossa salvação passa pelos mandamentos como condição indispensável. Ao mesmo tempo, sabemos que só nos jesus-e-o-jovem-ricotornamos capazes de vivê-los com o socorro da Grada de Deus. Porém, este é só o começo da vida cristã. Nós somos chamados a muito mais: nossa vocação é a santidade. Nas palavras do Concílio Vaticano II: “os cristãos de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade” [1].

E o caminho para a realização desta vocação universal pode ser vislumbrado na resposta do Senhor à réplica de seu interlocutor: “Jesus olhou para ele com amor, e disse: ‘Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!’” (Mc 10,21). Vemos, em primeiro lugar, como sempre, o Amor de Deus revelado no olhar de Jesus. E este Amor generoso, capaz de ir até às últimas consequências na Cruz, convida a uma resposta que deve ser, também ela, generosa.

Ou seja, não se trata mais do mínimo. Trata-se do que podemos fazer, na força do Espírito Santo, para ser perfeitos. Sem dúvida, não é possível chegar à perfeição da caridade guiando-se por mesquinharias, buscando fazer só o mínimo. Todo amor, se quer crescer e amadurecer, não pode ser fundamentado sobre a busca egoística do não-se-doar. Alguém consegue imaginar Sta. Teresinha do Menino Jesus ou S. Pio de Pietrelcina, ou qualquer outro santo, no seu dia-a-dia, guiando suas escolhas pelo mínimo indispensável? Deixemos, então, que estes grandes modelos nos ensinem.

“Queres então saber de mim por qual motivo e em que medida devemos amar a Deus? – escreve S. Bernardo de Claraval. Bem, digo que o motivo de nosso amor por Deus é o próprio Deus, e que a medida desse amor é amar sem medida” [2].

Rezemos, pedindo a intercessão de Nossa Senhora, aquela que soube perfeita e generosamente amar a Deus: À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

 

[1] Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 40.

[2] São Bernardo de Claraval, Tratado sobre o amor de Deus.

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