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SEMPRE TRABALHEI COM AMOR

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Das Cartas de São João Bosco, presbítero.

Antes de mais nada, se queremos ser amigos do verdadeiro bem de nossos alunos e levá-los ao cumprimento de seus deveres, é indispensável jamais vos esquecerdes de que representais os pais desta querida juventude. Ela foi sempre o terno objeto dos meus trabalhos, dos meus estudos e do meu ministério sacerdotal; não apenas meu, mas da cara congregação salesiana.

Quantas vezes, meus filhinhos, no decurso de toda a minha vida, tive de me convencer desta grande verdade! É mais fácil encolerizar-se do que ter paciência, ameaçar uma criança do que persuadi-la. Direi mesmo que é mais cômodo, para nossa impaciência e nossa soberba, castigar os que resistem do que corrigi-los, suportando-os com firmeza e suavidade.

Tomai cuidado para que ninguém vos julgue dominados por um ímpeto de violenta São João Bosco.jpgindignação. É muito difícil, quando se castiga, conservar aquela calma tão necessária para afastar qualquer dúvida de que agimos para demonstrar a nossa autoridade ou descarregar o próprio mau humor. Consideremos como nossos filhos aqueles sobre os quais exercemos certo poder. Ponhamo-nos a seu serviço, assim como Jesus, que veio para obedecer e não para dar ordens; envergonhemo-nos de tudo o que nos possa dar aparência de dominadores; e se algum domínio exercemos sobre eles, é para melhor servirmos.

Assim procedia Jesus com seus apóstolos; tolerava-os na sua ignorância e rudeza, e até mesmo na sua pouca fidelidade. A afeição e a familiaridade com que tratava os pecadores eram tais que em alguns causava espanto, em outros escândalo, mas em muitos infundia a esperança de receber o perdão de Deus. Por isso nos ordenou que aprendêssemos dele a ser mansos e humildes de coração.

Uma vez que são nossos filhos, afastemos toda cólera quando devemos corrigir-lhes as faltas ou, pelo menos, a moderemos de tal modo que pareça totalmente dominada.

Nada de agitação de ânimo, nada de desprezo no olhar, nada de injúrias nos lábios; então sereis verdadeiros pais e conseguireis uma verdadeira correção.

Em determinados momentos muito graves, vale mais uma recomendação a Deus, um ato de humildade perante ele, do que uma tempestade de palavras que só fazem mal a quem as ouve e não têm proveito algum para quem as merece.

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NA CRUZ NÃO FALTA NENHUM EXEMPLO DE VIRTUDE

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Das Conferências de Santo Tomás de Aquino, presbítero.

Que necessidade havia para que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma necessidade grande e, por assim dizer, dupla: para ser remédio contra o pecado e para exemplo do que devemos praticar.

Foi em primeiro lugar um remédio, porque na paixão de Cristo encontramos remédio contra todos os males que nos sobrevêm por causa dos nossos pecados.

stotomasdeaquinoMas não é menor a utilidade em relação ao exemplo. Na verdade, a paixão de Cristo é suficiente para orientar nossa vida inteira. Quem quiser viver na perfeição, nada mais tema fazer do que desprezar aquilo que Cristo desprezou na cruz e desejar o que ele desejou. Na cruz, pois, não falta nenhum exemplo de virtude.

Se procuras um exemplo de caridade: Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos (Jo 15,13). Assim fez Cristo na cruz. E se ele deu sua vida por nós, não devemos considerar penoso qualquer mal que tenhamos de sofrer por causa dele.

Se procuras um exemplo de paciência, encontras na cruz o mais excelente! Podemos reconhecer uma grande paciência em duas circunstâncias: quando alguém suporta com serenidade grandes sofrimentos, ou quando pode evitar os sofrimentos e não os evita. Ora, Cristo suportou na cruz grandes sofrimentos, e com grande serenidade, porque atormentado, não ameaçava (1Pd 2,23); foi levado como ovelha ao matadouro e não abriu a boca (cf. Is 53,7; At 8,32).

É grande, portanto, a paciência de Cristo na cruz. Corramos com paciência ao combate que nos é proposto, com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé. Em vista da alegria que lhe foi proposta, suportou a cruz, não se importando com a infâmia (cf. Hb 12,1-2).

Se procuras um exemplo de humildade, contempla o crucificado: Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer.

Se procuras um exemplo de obediência, segue aquele que se fez obediente ao Pai até à morte: Como pela desobediência de um só homem, isto é, de Adão, a humanidade toda foi estabelecida numa condição de pecado, assim também pela obediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça (Rm 5,19).

Se procuras um exemplo de desprezo pelas coisas da terra, segue aquele que é Rei dos reis e Senhor dos senhores, no qual estão encerrados todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Cl 2,3), e que na cruz está despojado de suas vestes, escarnecido, cuspido, espancado, coroado de espinhos e, por fim, tendo vinagre e fel como bebida para matar a sede.

Não te preocupes com as vestes e riquezas, porque repartiram entre si as minhas vestes (Jo 19,24); nem com honras, porque fui ultrajado e flagelado; nem com a dignidade, porque tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na em minha cabeça (cf. Mc 15,17); nem com os prazeres, porque em minha sede ofereceram-me vinagre (Sl 68,22).

TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, neste terceiro domingo do Tempo Comum, a liturgia nos dá oportunidade para rezarmos com o texto de S. Lucas que está no início do ministério de Jesus, imediatamente depois do Seu Batismo e da tentação no deserto, ligando-o com o prólogo do mesmo evangelho (cf. Lc 1,1-4;4,14-21). Coloquemo-nos na presença de Deus que hoje nos enche com o Espírito Santo.

“Hoje se cumpriu”, diz o Senhor logo depois de ler a profecia de Isaías (Lc 4,21). Com jesus na sinagogaessas palavras, Ele se declara o Cristo esperado, Aquele que cheio do Espírito vem para libertar-nos da escravidão do pecado e da morte. E é importante que não deixemos escapar a atualidade desta Boa Notícia: não se trata de um evento perdido do tempo, mas a Unção com que Jesus cumpre a sua missão, continua a operar em Seu Corpo, que é a Igreja. “De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito” (1Cor 12,13 – segunda leitura).

Ou seja, no Batismo, quando fomos inseridos no Corpo Místico de Cristo, o amor de Deus foi verdadeiramente derramado em nossos corações (cf. Rm 5,5). Assim sendo, devemos sublinhar sempre e recordar-nos com frequência o Amor com que somos amados e, para respondê-lo positivamente, abrir-nos a fim de que Sua ação não encontre limites. Podemos fazê-lo buscando os meios que temos à nossa disposição: a Confissão e a Comunhão, a ascese e a oração, etc. Dessa maneira, poderemos experimentar que a alegria do Senhor é realmente a nossa força e amparo (cf. Ne 8,10).

Que a Vigem Maria interceda por nós e nos socorra para podermos responder bem ao Amor do Senhor. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

COMBATI O BOM COMBATE

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Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo.

Na estreiteza do cárcere, Paulo parecia habitar no céu. Recebia os açoites e feridas com mais alegria do que outros que recebem coroas de triunfo; e não apreciava menos as dores do que os prêmios, porque considerava estas mesmas dores como prêmios que desejava, e até as chamava de graças. Considerai com atenção o significado disto: prêmio, para ele, era partir, para estar com Cristo (cf. Fl 1,23), ao passo que viver na carne Tito e Timóteo.jpgsignificava o combate. Mas, por causa de Cristo, sobrepunha ao desejo do prêmio a vontade de prosseguir o combate, pois considerava ser isto mais necessário.

Estar longe de Cristo representava para ele o combate e o sofrimento, mais ainda, o máximo combate e a mais intensa dor. Pelo contrário, estar com Cristo era um prêmio único. Paulo, porém, por amor de Cristo, prefere o combate ao prêmio.

Talvez algum de vós afirme: Mas ele sempre dizia que tudo lhe era suave por amor de Cristo! Isso também eu afirmo, pois as coisas que são para nós causa de tristeza eram para ele enorme prazer. E por que me refiro aos perigos e tribulações que sofreu? Na verdade, seu profundo desgosto o levava a dizer: Quem é fraco, que eu também não seja fraco com ele? Quem é escandalizado, que eu não fique ardendo de indignação? (2Cor 11,29).

Rogo-vos, pois, que não vos limiteis a admirar este tão ilustre exemplo de virtude, mas, imitai-o. Só assim poderemos ser participantes da sua glória.

E se algum de vós se admira por eu dizer que quem imita os méritos de Paulo participará da sua recompensa, ouça o que ele mesmo afirma: Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa (2Tm 4,7-8).

Por conseguinte, já que é oferecida a todos a mesma coroa de glória, esforcemo-nos todos por ser dignos dos bens prometidos.

Não devemos considerar em Paulo apenas a grandeza e a excelência das virtudes, a prontidão de espírito e o propósito firme, pelos quais mereceu tão grande graça; mas pensemos também que a sua natureza era em tudo igual à nossa; e assim, também a nós, as coisas que são muito difíceis parecerão fáceis e leves. Suportando-as valorosamente neste breve espaço de tempo em que vivemos, ganharemos aquela coroa incorruptível e imortal, pela graça e misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo. A ele a glória e o poder, agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.

A DEVOÇÃO DEVE SER PRATICADA DE MODOS DIFERENTES

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Da Introdução à Vida Devota, de São Francisco de Sales, bispo.

Na criação, Deus Criador mandou às plantas que cada uma produzisse fruto conforme sua espécie. Do mesmo modo, ele ordenou aos cristãos, plantas vivas de sua Igreja, que produzissem frutos de devoção, cada qual de acordo com sua categoria, estado e vocação.

A devoção deve ser praticada de modos diferentes pelo nobre e pelo operário, pelo servo e pelo príncipe, pela viúva, pela solteira ou pela casada. E isto ainda não basta. A prática salesda devoção deve adaptar-se às forças, aos trabalhos e aos deveres particulares de cada um.

Dize-me, por favor, Filotéia, se seria conveniente que os bispos quisessem viver na solidão como os cartuxos; que os casados não se preocupassem em aumentar seus ganhos mais que os capuchinhos; que o operário passasse o dia todo na igreja como o religioso; e que o religioso estivesse sempre disponível para todo tipo de encontros a serviço do próximo, como o bispo. Não seria ridícula, confusa e intolerável esta devoção?

Contudo, este erro absurdo acontece muitíssimas vezes. E no entanto, Filotéia, a devoção quando é verdadeira não prejudica a ninguém; pelo contrário, tudo aperfeiçoa e consuma. E quando se torna contrária à legítima ocupação de alguém, é falsa, sem dúvida alguma.

A abelha extrai seu mel das flores sem lhes causar dano algum, deixando-as intactas e frescas como encontrou. Todavia, a verdadeira devoção age melhor ainda, porque não somente não prejudica a qualquer espécie de vocação ou tarefa, mas ainda as engrandece e embeleza.

Toda a variedade de pedras preciosas lançadas no mel, tornam-se mais brilhantes, cada qual conforme sua cor; assim também cada um se torna mais agradável e perfeito em sua vocação quando esta for conjugada com a devoção: o cuidado da família se torna tranquilo, o amor mútuo entre marido e mulher, mais sincero, o serviço que se presta ao príncipe, mais fiel, e mais suave e agradável o desempenho de todas as ocupações.

É um erro, senão até mesmo uma heresia, querer excluir a vida devota dos quartéis de soldados, das oficinas dos operários, dos palácios dos príncipes, do lar das pessoas casadas. Confesso, porém, caríssima Filotéia, que a devoção puramente contemplativa, monástica e religiosa de modo algum pode ser praticada em tais ocupações ou condições. Mas, para além destas três espécies de devoção, existem muitas outras, próprias para o aperfeiçoamento daqueles que vivem no estado secular.

Portanto, onde quer que estejamos, devemos e podemos aspirar à vida perfeita.

SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, depois da solenidade do Batismo do Senhor que, ao mesmo tempo, fecha o ciclo litúrgico do Natal e abre o Tempo Comum, temos, para a nossa meditação e oração, a cena evangélica das Bodas de Caná (cf. Jo 2,1-11). De coração aberto, nos coloquemos à disposição do Senhor.

Os primeiros domingos no Tempo Comum remetem àqueles acontecimentos que, para Jesus, marcaram o início de sua vida pública: o batismo e o sinal das bodas de Caná. Providencialmente, esses dois fatos colocam as bases para todo o nosso percurso bodas de canáespiritual porque, de um lado, nosso Batismo é a fonte de toda a nossa vida cristã e, de outro, o relato deste milagre que o Senhor realizou nos dá a direção que devemos seguir.

Concentremo-nos sobre o relato deste domingo: Jesus está num casamento e o salva transformando água em vinho por intercessão da Virgem Maria. Pois bem, o Senhor, que fez uma aliança de Amor com a humanidade, surge como Aquele que é capaz de sustentar esta comunhão, conduzindo-a à excelência – a um vinho melhor (cf. Jo 2,10).

E Ele faz isso quando interpelado foi por sua Mãe e depois que os servos encheram as talhas com água. Ou seja, em nossa vida cristã a presença, o auxílio e a intercessão de Maria santíssima não são acessórios, mas componentes fundamentais que nos levam à união com Cristo: é Ela quem, como verdadeira pedagoga, nos conduz pelos caminhos na obediência a Deus (cf. Jo 2,5). E o que o Senhor nos pede não é que produzamos vinho, mas que tenhamos a coragem de carregar a água. Ainda que pareça absurdo e ineficaz o que Ele nos ordena, tenhamos a coragem de, como Ela fez e pediu que fizéssemos, perseveremos e, então, veremos a transformação de nossas vidas.

Que a intercessão de Maria santíssima, Mãe de Deus e nossa, seja nosso segredo para estar com Jesus e amá-lo sempre mais. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

SOLENIDADE DO BATISMO DO SENHOR – ANO C (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, celebrando a solenidade do Batismo do Senhor, encerramos o ciclo litúrgico do Natal. E é oportuno que seja assim, pois entraremos no Tempo Comum, no qual celebramos a presença e a atuação de Deus em nosso cotidiano, nos recordando do fundamento da nossa vida cristã: o Batismo. Abramos o nosso coração e deixemos que Jesus nos fale através da cena relatada por São Lucas (cf. Lc 3,15-16.21-22).

Em primeiro lugar, podemos nos perguntar o porquê de Jesus ter sido batizado, visto que o batismo de João era “de arrependimento para a remissão dos pecados” (Lc 3,3). A batismo do senhorresposta é simples: por nós. Ele, que não precisava se arrepender e se converter, sabia que nós precisamos do céu aberto e do dom do Espírito Santo para reconhecermos a voz do Pai e vivermos como filhos amados. E é através do Batismo que somos sacramentalmente assimilados a Cristo para viver nele, por Ele e com Ele (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 535-537).

Em seguida, perguntemo-nos o que fazer para viver concretamente o dom recebido do Senhor em nosso Batismo, e assim entenderemos como viver bem o Tempo Comum que iniciamos nesta segunda-feira. O centro da vida cristã e o segredo para viver bem é colocar Jesus Cristo no centro da nossa vida através da intimidade com Ele que se dá na vida de oração. Portanto, se perdemos o estado de graça por nossos pecados, voltemos ao Coração do Senhor pelo arrependimento e a Confissão. E, enfim, invistamos o nosso tempo em estar com Jesus, para rezar, e, assim, caminhar na sua presença em todas as atividades do nosso cotidiano.

Que a intercessão de Maria santíssima nos ampare e console em todas as circunstâncias da vida. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

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