Inicial

SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C (Pe. Lucas, scj)

Deixe um comentário

Caros irmãos, neste sétimo domingo do Tempo Comum, a liturgia nos convida a permanecer com Jesus na planície para ouvir suas palavras, conforme o evangelista S. Lucas (cf. Lc 6,27-38). Que o Senhor nos dê a graça de um coração aberto à Sua Palavra que nos purifica e renova.

Fortemente incômodo é o mandamento que o Cristo nos dá de amarmos os nossos inimigos logo no início do Evangelho de hoje (Lc 6,27). Não só. É aparentemente impossível e até absurdo. Mas, se dermos um passo atrás entenderemos que o Senhor Lucas-sermao-da-montanhanos está chamando para segui-lo a partir da obediência ao mundo real.

Pois, Ele mesmo nos diz: “O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles” (Lc 6,31). Está é uma clara formulação da chamada lei natural que se encontra no coração de todo ser humano. Como nos lembrou C.S. Lewis, no Cristianismo Puro e Simples, todos sabemos como gostaríamos de ser tratados e, ao mesmo tempo, se formos sinceros, sabemos também que não somos capazes de tratar os outros assim. Ora, então é fato que há uma desordem dentro de nós que precisa de remédio, que precisa de salvação. Mas o primeiro passo é ainda nos dar conta desta realidade para atingir a humildade que, nada mais é que o reconhecimento da verdade.

E como Jesus nos salva? Amando-nos desde quando ainda éramos seus inimigos (cf. Rm 5,10). Antes que nos déssemos conta de que nosso pecado nos destrói, Ele deu Sua vida por nós. E dando-nos a Vida, Ele nos quer transformar por completo, a tal ponto que possamos amar como Ele amou (já dizia Pe. Zezinho). Assim, na força da Sua Graça poderemos ser as testemunhas da grande potência de sua força transformadora que tira o pecado do mundo.

Que a bem-aventurada Vigem Maria, aquela que viu pessoalmente quando o Senhor perdoava seus carrascos, nos leve em seu colo para que não desanimemos com a manifestação de nossas fraquezas ao longo do Caminho. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C (Pe. Lucas, scj)

Deixe um comentário

Caros irmãos, celebramos o sexto domingo do Tempo Comum e a liturgia nos apresenta as bem-aventuranças segundo o evangelista S. Lucas (cf. Lc 6,17.20-26). Peçamos ao Senhor que nos ajude a aprofundar nossa comunhão consigo através destes textos litúrgicos.

Partimos da segunda leitura: “Se é para esta vida que pusemos a nossa esperança em Cristo, nós somos – de todos os homens – os mais dignos de compaixão” (1Cor 15,19), diz o icona_16-2Apóstolo. A dureza desta frase pode nos ajudar a acordar para o fato que nada neste mundo pode preencher o vazio do nosso coração, como disse também Santo Agostinho logo no início das suas Confissões. Assim, mais uma vez, nos demos conta de que, se esperamos que Jesus nos dê uma vida confortável neste mundo, resolvendo todos os nossos problemas, então, somos, de fato, mais dignos de dó do que qualquer outra pessoa sobre a terra.

Em seguida, com esta chave de leitura, podemos entender não só as bem-aventuranças, bem como os “ais” pronunciados por Jesus no evangelho desta liturgia. Por que são felizes os pobres, os famintos, os que choram e os que são odiados enquanto “ai” daqueles que são ricos, têm fartura, que riem e que são elogiados? Certamente, posses, comida, alegria e elogios não são, em si mesmos, males – longe disso. Mas, certamente não são os maiores bens. “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6,33), disse o Senhor. Ao mesmo tempo, pobreza, fome, angústia e ódio não são bens em si mesmos, mas podem ser as portas que nos levem a encontrar e reconhecer que o único capaz de nos dar Vida plena dando-nos desde já um sentido mais profundo para tudo, é o próprio Deus de Amor.

Que a Vigem Maria, aquela que acreditou, nos ajude a reconhecer e perseverar no Caminho de seu Filho pela Cruz à Ressurreição. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

QUINTO DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C (Pe. Lucas, scj)

Deixe um comentário

Caros irmãos, na celebração deste quinto domingo do Tempo Comum, temos a oportunidade de rezar com o texto de S. Lucas sobre a vocação de São Pedro (cf. Lc 5,1-11). Trata-se de um evento paradigmático para nossas vidas. Rezemos para que o Senhor nos sustente e nos ajude a viver bem o Seu projeto em nossas vidas.

Mais uma vez, em primeiro lugar, é preciso notar que a iniciativa é de Jesus que se aproxima de Pedro e de suas barcas, num evento aparentemente fortuito, de onde Ele se Vocaçãodirige à multidão, mas também ao pescador convidando-o para ir mais fundo (Lc 5,1-4). Assim também acontece com cada um de nós: nas vicissitudes do cotidiano o Senhor se aproxima com Sua palavra e nos convida a nos aprofundarmos cada vez mais em Seu Amor crendo em seu ensinamento praticando-o.

E quando na obediência o Cristo manifesta Seu poder, Simão se confessa pecador (Lc 5,7-8). E, importante, é confessando-se pecador que recebe o chamado: “serás pescador de homens” (Lc 5,10). Também conosco é assim: quando Jesus se manifesta, percebemos com clareza a nossa condição – não somos (infelizmente) o que deveríamos ser. E é justamente ali que Ele nos convoca para o mais alto degrau: a santidade que o próprio Senhor produz em nós quando nos decidimos a levar aqueles que convivem conosco para o céu.

Assim, é preciso que cada um, humildemente, reconheça em que ponto chegou e porque chegou: “É pela graça de Deus que eu sou o que sou” (1Cor 15,10). Mas, ao mesmo tempo, sem se acomodar ou desanimar, se lance nas mãos daquele que nos pode transformar por completo. “Eu vos peço: não deixeis inacabada esta obra que fizeram vossas mãos!” (Sl 137,8).

Que a Vigem Maria, modelo do sim perfeito dado à vocação que vem de Deus, nos acompanhe como Mãe Bondosa todos os dias de nossa vida. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS

Deixe um comentário

Da História do martírio dos santos Paulo Miki e seus companheiros, escrita por um autor do tempo.

Quando as cruzes foram levantadas, foi coisa admirável ver a constância de todos, à qual eram exortados pelo Padre Passos e pelo Padre Rodrigues. O Padre Comissário SPMikipermaneceu sempre de pé, sem se mexer e com os olhos fixos no céu. O Irmão Martinho cantava salmos de ação de graças à bondade divina, aos quais acrescentava o versículo: Em vossas mãos, Senhor (Sl 30,6). Também o Irmão Francisco Blanco dava graças a Deus com voz clara. O Irmão Gonçalo recitava em voz alta o Pai-nosso e a Ave-Maria.

O nosso Irmão Paulo Miki, vendo-se colocado diante de todos no mais honroso púlpito que nunca tivera, começou por declarar aos presentes que era japonês e pertencia à Companhia de Jesus, que ia morrer por haver anunciado o Evangelho e que dava graças a Deus por lhe conceder tão imenso benefício. E por fim disse estas palavras: “Agora que cheguei a este momento de minha vida, nenhum de vós duvidará que eu queira esconder a verdade. Declaro-vos, portanto, que não há outro caminho para a salvação fora daquele seguido pelos cristãos. E como este caminho me ensina a perdoar os inimigos e os que me ofenderam, de todo o coração perdoo o Imperador e os responsáveis pela minha morte, e lhes peço que recebam o batismo cristão.

Em seguida, voltando os olhos para os companheiros, começou a encorajá-los neste momento extremo. No rosto de todos transparecia uma grande alegria, mas era no de Luís que isto se percebia de modo mais nítido. Quando um cristão gritou que em breve estaria no paraíso, ele fez com as mãos e o corpo um gesto tão cheio de contentamento que os olhares dos presentes se fixaram nele. Antônio estava ao lado de Luís, com os olhos voltados para o céu. Depois de invocar os santíssimos nomes de Jesus e de Maria, entoou osalmo Louvai, louvai, ó servos do Senhor (Sl 112,1), que tinha aprendido na escola de catequese em Nagasáki; de fato, durante o catecismo, costumavam ensinar alguns salmos às crianças.

Alguns repetiam com o rosto sereno: “Jesus, Maria”; outros exortavam os presentes a levarem uma vida digna de cristãos; e por estas e outras ações semelhantes demonstravam estar prontos para a morte.

Finalmente os quatro carrascos começaram a tirar as espadas daquelas bainhas que os japoneses costumam usar. Vendo cena tão horrível, os fiéis gritavam: “Jesus! Maria!” Seguiram-se lamentos tão sentidos de tocar os próprios céus. Ferindo-os com um primeiro e um segundo golpe, em pouco tempo os carrascos mataram a todos.

QUARTO DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C (Pe. Lucas, scj).

Deixe um comentário

Sinagoga

Caros irmãos, o quarto domingo do Tempo Comum traz, para nossa oração, a continuação imediata do texto de S. Lucas que meditamos na semana passada, ou seja, a reação da sinagoga de Nazaré quando Jesus termina sua fala (cf. Lc 4,21-30). Peçamos ao Senhor que sustente e aumente nossa fé.

Certamente é agradável e consolador crermos que Deus é Amor (cf. 1Jo 4,8). Mas os problemas começam quando Ele não segue os nossos desejos. “Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum” (Lc 4,23), é a expressão que o próprio Senhor dá ao desejo do coração de seus conterrâneos. Talvez seja muito difícil acolher o Amor de Deus quando Ele contraria nossos caprichos porque pensemos que amar alguém é agradá-lo. Como pode ser verdade que Ele nos ame, se nos deixa contrariados e precisamos sair de nosso comodismo?

Porém, desde as nossas experiências humanas básicas (e tão necessárias), vemos que, se é verdadeiro, o amor não é uma busca de prazer, ou de agradar… Bons pais e mães sabem desagradar seus pequenos pois os querem bem. Então, por que não esperar que seja assim também quando nosso Pai nos quer dar o bem maior da Vida Eterna? Crer neste Amor que se manifesta concretamente em Jesus de Nazaré é (e sempre será) um ato de liberdade que se sustenta somente pela Graça divina.

Enfim, talvez nos ajude a continuar firmes na fé se meditarmos sobre a realidade mais profunda do amor: a caridade que o próprio Senhor opera em nós pelo Espírito Santo para nos darmos conta de que somos chamados a uma vida sobrenatural:

“A caridade é paciente, é benigna;

não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece;

não faz nada de inconveniente, não é interesseira,

não se encoleriza, não guarda rancor;

não se alegra com a iniquidade,

mas se regozija com a verdade.

Suporta tudo, crê tudo,

espera tudo, desculpa tudo” (1Cor 13,4-7 – segunda leitura).

Que a Vigem Maria, modelo de todas as virtudes, interceda por nós. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

RECEBAMOS A LUZ CLARA E ETERNA

Deixe um comentário

Dos Sermões de São Sofrônio, bispo.

Todos nós que celebramos e veneramos com tanta piedade o mistério do encontro do Senhor, corramos para ele cheios de entusiasmo. Ninguém deixe de participar deste encontro, ninguém recuse levar sua luz.

Acrescentamos também algo ao brilho das velas, para significar o esplendor divino daquele que se aproxima e ilumina todas as coisas; ele dissipa as trevas do mal com a sua luz eterna, e também manifesta o esplendor da alma, com o qual devemos correr ao encontro com Cristo.

Do mesmo modo que a Mãe de Deus e Virgem imaculada trouxe nos braços a verdadeira luz e a comunicou aos que jaziam nas trevas, assim também nós: iluminados pelo seu Apresentaçãofulgor e trazendo na mão uma luz que brilha diante de todos, corramos pressurosos ao encontro daquele que é a verdadeira luz.

Realmente, a luz veio ao mundo (cf. Jo 1,9) e dispersou as sombras que o cobriam; o sol que nasce do alto nos visitou (cf. Lc 1,78) e iluminou os que jaziam nas trevas. É este o significado do mistério que hoje celebramos. Por isso caminhamos com lâmpadas nas mãos, por isso acorremos trazendo as luzes, não apenas simbolizando que a luz já brilhou para nós, mas também para anunciar o esplendor maior que dela nos virá no futuro. Por este motivo, vamos todos juntos, corramos ao encontro de Deus.

Chegou a verdadeira luz, que vindo ao mundo ilumina todo ser humano (Jo 1,9). Portanto, irmãos, deixemos que ela nos ilumine, que ela brilhe sobre todos nós.

Que ninguém fique excluído deste esplendor, ninguém insista em continuar mergulhado na noite. Mas avancemos todos resplandecentes; iluminados por este fulgor, vamos todos ao seu encontro e com o velho Simeão recebamos a luz clara e eterna. Associemo-nos à sua alegria e cantemos com ele um hino de ação de graças ao Criador e Pai da luz, que enviou a luz verdadeira e, afastando todas as trevas, nos fez participantes do seu esplendor.

A salvação de Deus, preparada diante de todos os povos, manifestou a glória que nos pertence, a nós que somos o novo Israel. Também fez com que víssemos, graças a ele, essa salvação e fôssemos absolvidos da antiga e tenebrosa culpa. Assim aconteceu com Simeão que, depois de ver a Cristo, foi libertado dos laços da vida presente.

Também nós, abraçando pela fé a Cristo Jesus que nasceu em Belém, de pagãos que éramos, nos tornamos povo de Deus – Jesus é, com efeito, a salvação de Deus Pai – e vemos com nossos próprios olhos o Deus feito homem. E porque vimos a presença de Deus e a recebemos, por assim dizer,nos braços do nosso espírito, somos chamados de novo Israel. Todos os anos celebramos novamente esta festa, para nunca nos esquecermos daquele que um dia há de voltar.