Caros irmãos, iniciamos a celebração do Tríduo Pascal com a Missa in Coena Domini. Nesta liturgia, fazemos memória da instituição da Santíssima Eucaristia, do ministério ordenado e do novo mandamento do amor. Como evangelho, temos a última ceia do Senhor com seus discípulos narrado por São João (cf. Jo 13,1-13). Que a graça de Cristo nos una profundamente ao Seu Divino Coração.

“Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,13). É assim que termina o trecho evangélico desta Santa Missa. Lavar os pés dos discípulos é um sinal que se liga imediatamente ao sacrifício de Cristo na Cruz. Além disso, porém, existe uma dimensão ligada à vida precedente de Jesus que revela o Amor extremado do Pai. Pois, TOPSHOT-FRANCE-FIRE-NOTRE DAME“desde os paninhos de sua natividade até o vinagre de sua Paixão e o sudário de sua Ressurreição, tudo na vida de Jesus é sinal de seu Mistério” (CEC 515).

Nesta perspectiva, toda a vida de nosso Senhor e, em particular, a sua atividade junto aos apóstolos e às multidões tem algo importante a nos dizer: ensinar a verdade é um ato de amor. Ou seja, visto que os mistérios da vida pública de Jesus gravitam em torno do anúncio do Reino de Deus – e o consequente convite à conversão – que é confirmado por inúmeros sinais, é mister que o anúncio e o testemunho da Verdade do evangelho não saiam jamais de nosso horizonte.

É tarefa nossa, hoje, conservar e transmitir o Evangelho em sua integralidade. Não percamos isso de vista! Sobretudo em tempos como os nossos, nos quais dizer que a verdade existe e pode ser conhecida está fora de moda, grande é o risco de nos deixarmos levar pelas ondas do relativismo e da tirania do “politicamente correto”.

Assim, ouvindo a ordem dada pelo Mestre, “façais a mesma coisa que eu fiz”, precisamos estar dispostos a, conhecendo as razões de nossa esperança, estar disponíveis a expô-las a quem nos pede (cf. 1Pd 3,15). Mais ainda, quem exerce função de governo na vida da Igreja, por quem rezamos insistentemente e mais fervorosamente ainda nesta noite da instituição do Sacramento da Ordem, tem a missão de anunciar a Verdade do Evangelho da salvação sempre e em todo lugar, com paciência, oportuna e inoportunamente (2Tm 4,2).

Que a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, interceda por nós, de maneira particular pelos ministros ordenados, e nos ajude a ser anunciadores e testemunhas da Verdade que liberta. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

 

 

 

CEC: Catecismo da Igreja Católica.